RAUL BRADOCK
DA REDAÇÃO
Representação pela prisão do delegado e ex-secretário de Segurança Pública Rogers Jarbas, feita pela Força Tarefa montada pela Polícia Civil, revela que investigadores, delegados e escrivães temem apurar a ‘Grampolândia Pantaneira’ e sofrerem represálias futuras.
Rogers foi acusado de obstruir as investigações do caso por 24 vezes. O pedido de prisão não foi aceito, porém, ele passou, pela segunda vez, a usar tornozeleira eletrônica por determinação do juiz Jorge Luiz Tadeu, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.
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O documento aponta que há poucos delegados aptos a investigar o caso por terem sido cooptados por Jarbas, aliados ou por temerem represálias.
“Há de se mencionar ainda a dificuldade, cada vez maior de encontrarmos investigadores de polícia e escrivães para integrarem essa força tarefa, temendo represálias que possam sofrer com o retorno dos investigados ao poder”, consta no pedido de prisão, assinado pelas delegadas Jannira Laranjeira e Ana Cristina Feldner.
O objetivo de Rogers seria ‘blindar’ a organização criminosa responsável pelo esquema. O ex-governador Pedro Taques (PSDB) é apontado como o primeiro beneficiário do escritório de escuta clandestino operado por policiais militares, obtendo vantagem política e vencendo as eleições de 2014.
RepórterMT
Rogers Jarbas, acusado de obstruir as investigações.
Perseguição
O pedido de prisão relata, ainda, que ele "persegue delegados de polícia, os quais julga terem condições de causar desestabilidade à posição da ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, inclusive quanto á sua missão de garantir a blindagem".
Dentre as perseguições citadas pela Força Tarefa está o da delegada Alessandra Saturnino, que foi secretária Adjunta de Inteligência na gestão Mauro Zaque (ex-secretário de segurança denunciante da Grampolândia). Saturnino saiu da inteligência e foi lotada na Delegacia Fazendária e tirada do local três meses depois por Jarbas.
A delegada Alana Darlene foi outro alvo de Jarbas. Em depoimento ela relata que teve um colapso nervoso, por pedir desligamento da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil por "ingerências" do ex-secretário de Segurança.
Atual responsável por investigar os grampos, a delegada Ana Cristina Feldner também foi alvo de perseguição de Rogers Jarbas.
“Persegue Rafael Meneguini, Alessandra Saturnino, Alana Derlene e Flávio Stringueta para desqualificar as investigações, bem como exerce represálias; Anote-se que atualmente a delegada Ana Cristina Feldner é o novo alvo do suspeito”, consta no pedido de prisão.
Em relação a Flávio Stringueta, o ex-secretário foi denunciado pelo Ministério Público. Ele teria ameaçado o delegado em um supermercado de Cuiabá. Stringueta era o responsável por investigar o esquema de escutas clandestinas em que Rogers acabou preso.















Davi 23/11/2019
Formule pedido à Polícia Federal para assumir a investigação, considerando que a Polícia Civil do Estado está envolvida no caso.
1 comentários