Montagem/RepórterMT

Carlinhos Bezerra é julgado pelo assassinato de Thays Machado e Wilian Cesar Moreno
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, enfrenta hoje (21) julgamento pelo Tribunal do Júri pelo assassinato da ex-namorada, Thays Machado, e do então namorado dela, Willian Moreno. A sessão será presidida pela juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Catarina Perri.
Filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos é acusado de matar o casal a tiros.
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O crime ocorreu no dia 18 de janeiro de 2023, em frente ao edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.
Na manhã desta terça-feira, o réu chegou ao Fórum da Capital minutos antes do início da sessão, escoltado por viaturas da Polícia Penal, e entrou no prédio pelos fundos.
À imprensa, o advogado de defesa, Elson Marcelino da Silva Júnior, criticou a condução da acusação, afirmando que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) teria utilizado todo o aparato estatal para fomentar a comoção social em relação ao caso.
Ele também alegou que a defesa recebeu, apenas sete dias antes do julgamento, um volume de 109 GB de documentos para análise e que, às vésperas do júri, descobriu a existência de outros dois processos aos quais ainda não tinha acesso, um deles com cerca de 1.300 páginas. Diante desse cenário, disse aguardar uma decisão da magistrada e pediu "razoabilidade" quanto ao prazo concedido.
“Fomos surpreendidos com uma caixa organizadora com 109 gigas de documento”, disse.
Elson Marcelino também criticou a atuação da defesa anterior de Carlinhos, afirmando que houve perda de prazos processuais e apontando falhas formais em recursos que, por esse motivo, sequer chegaram a ser analisados. Segundo ele, essas falhas comprometeram a defesa do réu.
Manobras processuais
Desde o crime, o advogado anterior do acusado apresentou uma série de recursos com o objetivo de adiar a realização do julgamento, mas sofreu sucessivas derrotas na Justiça em todas as instâncias.
Inicialmente, a sessão estava marcada para o dia 7 de julho, porém foi adiada para esta terça-feira, a pedido do novo advogado, que alegou a necessidade de analisar materiais produzidos durante a investigação.
Os advogados também tentaram transferir o julgamento para outra comarca ou até mesmo para outro estado. A justificativa apresentada foi de que a ampla divulgação do caso pela imprensa teria criado um ambiente de pré-julgamento e hostilidade, capaz de comprometer a imparcialidade do Conselho de Sentença em Cuiabá.
Como exemplo, a defesa citou a criação, pelo Poder Judiciário estadual, de um núcleo de combate à violência doméstica com o nome de Thays Machado, além de manifestações públicas de entidades civis e das ameaças que, segundo os advogados, o acusado teria sofrido no cárcere. Os pedidos foram negados pela Justiça.
Recentemente, a Justiça também derrubou o sigilo do processo, atendendo a um pedido do Ministério Público. Com a abertura dos autos, a presença do público no julgamento foi autorizada. No entanto, a transmissão em vídeo e a captação de imagens durante a sessão permanecem restritas, sendo a cobertura audiovisual exclusiva da equipe de assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Relembre o crime
Thays Machado foi assassinada no dia 18 de janeiro de 2023, junto com o namorado, Willian Cesar Moreno. Ambos estavam em frente ao edifício Solar Monet, no bairro Consil, quando foram mortos a tiros por Carlinhos, que manteve um relacionamento com Thays por dois anos e não aceitava o fim do relacionamento.
Carlinhos Bezerra foi preso no mesmo dia do crime, em uma fazenda da família, no município de Campo Verde.
As investigações apontaram que, antes do duplo homicídio, Carlinhos monitorava a ex-namorada e tinha informações detalhadas sobre seus deslocamentos. Foram encontrados 71 registros de localização de lugares frequentados pela vítima. Ele fazia o download no celular e, depois, imprimia os dados de geolocalização. Além disso, os programas teriam sido instalados ainda durante o relacionamento.
Thays Machado já havia registrado boletim de ocorrência contra Carlinhos e, segundo a polícia, o crime ocorreu quando ela estava no prédio para devolver o carro que havia emprestado da mãe para buscar o namorado no aeroporto.
Em novembro do mesmo ano, Carlinhos chegou a obter o benefício da prisão domiciliar por decisão do Tribunal de Justiça, em razão de problemas de saúde apresentados pela defesa. A medida permitia que ele permanecesse em casa, monitorado por tornozeleira eletrônica e submetido a uma série de restrições, entre elas a proibição de sair da residência sem autorização judicial e a obrigação de apresentar relatórios médicos periódicos sobre seu estado de saúde.
No entanto, em fevereiro de 2024, o Ministério Público pediu a revogação da prisão domiciliar após apontar que Carlinhos teria descumprido as condições impostas pela Justiça.
Relatórios do monitoramento eletrônico registraram deslocamentos para diversos locais não autorizados, incluindo um passeio em Rondonópolis acompanhado de seguranças, além de outras saídas incompatíveis com a medida cautelar.
O MP também sustentou que os laudos médicos apresentados não demonstravam um quadro de extrema debilidade que justificasse a permanência em prisão domiciliar.
Ao analisar o caso, a Justiça concluiu que os requisitos para manter o benefício deixaram de existir e que as doenças apresentadas eram passíveis de tratamento no sistema prisional.












