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O ex-governador Silval Barbosa confessou que a propina cobrada do Consórcio VLT era para pagar dívidas da campanha de 2010.
CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) confessou, em seu depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), ter recebido propina no valor de R$ 18 milhões do Consórcio VLT, responsável pelas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
A informação consta no documento que objetivou a Operação Descarrilho, deflagrada nesta quarta-feira (9), pela Polícia Federal e MPF.
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Conforme o depoimento de Silval, prestado na sede da PF, no último dia 5 de julho, ficou acertado que não importando qual empresa vencesse a licitação para a execução das obras do modal, o grupo criminoso do ex-governador receberia um “retorno” sobre o valor total do empreendimento.
Silval declarou que o processo licitatório não foi direcionado e, assim que o Consórcio VLT venceu o certame, um representante das empresas foi chamado para que pudessem acertar o valor da propina, que ficou acordado em 3% do total que seria pago pelas obras de engenharia, cujo montante era de R$ 600 milhões.
“Não entraram no acordo os pagamentos referentes à aquisição de equipamentos - carros e sistemas informatizados; QUE nesse momento, ficou definido que a propina incidiria apenas sobre os valores referentes às obras de engenharia; QUE com base nesse acordo, a estimativa de recebimento era o percentual de 3% sobre o montante de R$ 600 milhões, isto é, o retorno seria de R$ 18 milhões”, declarou o ex-governador, em trecho do documento do MPF.
"A estimativa de recebimento era o percentual de 3% sobre o montante de R$ 600 milhões, isto é, o retorno seria de R$ 18 milhões", declarou o ex-governador, em trecho do documento do MPF.
Conforme Silval, os valores eram pagos a cada medição das etapas da obra, por isso, não teria recebido todo o montante, uma vez que as obras foram paralisadas assim que acabou seu mandato, em dezembro de 2014.
O MPF destacou que os valores eram repassados a uma das empresas de João Carlos Simoni, "um empresário ligado ao grupo político de Silval Barbosa”, para quitar dívida de campanha das eleições de 2010.
O ex-governador contou que a dívida era com o Banco Rural, no valor de R$ 29,5 milhões, através da empresa Todeschini Construções e Terraplanagem LTDA, tendo como avalistas os empresários João Simoni e Wanderley Torres, dono da Trimec Construções e Terraplanagem LTDA.
“Segundo Silval Barbosa, foi solicitado para o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande subcontratar a empresa de João Carlos Simoni. Conforme acertado, a empresa receberia a mais pelos serviços prestados e essa diferença corresponderia a 3% do valor de cada medição. Os pagamentos de propina nesse caso foram efetivamente feitos dessa forma, mas não foi recebido todo o valor da propina ante o término do Governo e não conclusão das obras e não execução de todos os pagamentos previstos”, destacaram os procuradores em outro trecho do documento.
Dessa forma, a propina, que também era negociada com o ex-secretário da Secopa, Maurício Guimarães, tinha como objetivo suprir o empresário de recursos para pagar a dívida com a instituição bancária.
“Assim o dinheiro era desviado, mas não retornava para os agentes políticos, sendo direcionado ao pagamento do banco”.
“Assim o dinheiro era desviado, mas não retornava para os agentes políticos, sendo direcionado ao pagamento do banco”.
O documento revelou ainda que um dos principais destinatários dos recursos da propina foi a empresa Cohabita Construções LTDA, de propriedade de Aline e Bruno Simoni, filhos de João Carlos Simoni.
A empresa recebeu o montante de R$ 16,2 milhões, no período entre julho de 2012 a março de 2014, ”com destaque para diversos pagamentos, em valores altos e ‘fechados’”.
O MPF apontou que os crimes praticados por Silval e o grupo criminoso foram de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Assim, o órgão de controle apontou que os envolvidos nesse caso foram, além do ex-governador, Maurício Guimarães, Marco Antônio Cassou e Arnaldo Manoel Alves (representantes do Consórcio VLT), e os empresários João Carlos e Bruno Simoni.














