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Cuiabá, 17 de Junho de 2026
17 de Junho de 2026

24 de Julho de 2019, 17h:00 - A | A

PODERES / DESVIO DE R$ 3 MILHÕES

MP investiga ex-secretário por superfaturamento em contrato de R$ 10 milhões

O inquérito foi aberto pelo promotor Célio Fúrio com base numa auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE) que apontou suposto sobrepreço em planilhas apresentados pelas empresas.

RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO



O promotor de Justiça Célio Fúrio, do Ministério Público Estadual (MPE), instaurou inquérito, no último dia 15, para investigar suposto superfaturamento em licitação com valor global de R$ 10,3 milhões firmada entre o Consórcio VIA MT e a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra-MT), à época comandada por Marcelo Duarte, gestão na gestão Pedro Taques (PSDB).

No documento, o promotor pontuou que auditores da Controladoria Geral do Estado (CGE), que examinaram o contrato entre a Secretaria e o consórcio formado pelas empresas Enecon; Engenheiros e Economistas Consultores; EPC Engenharia Projeto Consultoria; e RSI Engenharia Ltda EPP; para prestação de serviços de apoio técnico em projetos de engenharia rodoviária e aeroviária, de forma continuada, resultou em prejuízo de R$ 3,5 milhões.

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A CGE informou ao MPE que houve prejuízo financeiro aos cofres públicos em virtude de planilhas de custos com sobrepreço resultando em superfaturamento.

No documento, o MPE cita que a contratação do Consórcio Via MT para prestação de serviços de apoio técnico em projetos de engenharia rodoviária e aeroviária, de forma continuada, resultou em prejuízo de R$ 3, 5 milhões ao Estado.

“Inclusão de insumos materiais na planilha de composição de custos unitários sem justificativa técnica, tais como: escritório, casa para engenheiro, alojamento para pessoal, mobiliário de alojamento para pessoal, pois os serviços de análise de projetos de engenharia e parte da elaboração dos trabalhos para modelação de parcerias público e privada de projetos ocorreriam nas instalações existentes na SINFRA, situação que resultou no superfaturamento para o grupo G1 no valor de R$ 104.697,38 e para o grupo G2 a importância de R$ 26.198,01”, diz trecho do inquérito.

Além disso, Célio Fúrio destacou que há supostas irregularidades em realização de viagem por meio de diárias, passagens aéreas e terrestres – ida e volta – feitas pela equipe técnica de apoio permanente à Sinfra que justificasse a inclusão desses insumos na planilha de composição, situação que resultou no superfaturamento de R$ 181,7 mil e no valor de R$ 55,2 mil.

O MPE sugere ainda que houve utilização de alíquotas dos tributos PIS e Confins na demonstração de resultado da empresa RSI engenharia Ltda, respectivamente, 1,65% e 7,6%, quando o índice correto a ser utilizado seria 0,65% e 3,00%. “Observa-se que a DRE da empresa aponta que o regime de tributação da RSI é por lucro presumido, por isso as alíquotas são menores”, descreve o órgão fiscalizador.

Irregularidades teriam ocorrido na gestão Pedro Taques, nos anos de 2016 e 2017

Os auditores da CGE, segundo o documento, constataram também que houve sobrepreço dos serviços, considerando os percentuais de encargos de 69,267% e 20% (especificamente para mão de obra de Consultor Especialista PJ). Feito o recalculo, a equipe de auditoria verificou que houve superfaturamento nos custos com mão de obra e tributação no valor de R$ 2,1 milhões, no primeiro período de execução do contrato. Já para o segundo ano de execução contratual o sobrepreço foi de R$ 1,3 milhão.

Por esse motivo, o promotor pediu que seja apurado possíveis ilegalidades, nulidades ou atos de improbidade administrativa e/ou dano aos erários praticados, além de novos documentos que possam auxiliar nas investigações.

Célio Fúrio também mandou notificar eletronicamente o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística Marcelo Oliveira para que envie ao MPE cópias do Termo de Referência e do contrato, mais informações sobre qualquer previsão para o pagamento de despesas com materiais destinados a implementação de escritório, casa para engenheiro, alojamento para pessoal e mobiliário de alojamento para pessoal, bem como para o pagamento de despesas com diárias, passagens aéreas e terrestres por ocasião de viagens/visitas técnicas realizadas pelos profissionais no desenvolvimento exclusivo de equipe técnica permanente. 

O Ministério Público quer ainda informações sobre “quais os percentuais utilizados na cobrança das alíquotas dos tributos PIS e CONFINS, caso não tenha sido utilizados os índices legais de 0,65% e 3,00%, apresente a justificativa, devendo encaminhar cópia de todos esses pagamentos desde o início da execução do contrato”.

“Oficie, eletronicamente, Controlador Geral do Estado, para que informe sobre as providências adotadas (administrativas/judiciais) a respeito das irregularidades apontadas no Relatório de Auditoria nº0021/2019 realizada no Contrato 070/2016 Processo Licitatório nº233120/2016 (Concorrência Pública nº005/2016), devendo encaminhar documentos para comprovação”, concluiu.

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