MARCIO CAMILO
DA REDAÇÃO
No pedido de delação proposto ao Ministério Público Estadual (MPE), o ex-comandante da Polícia Militar, coronel da Zaqueu Barbosa afirmou que o ex-governador governador Pedro Taques (PSDB) sabia do esquema de escutas ilegais, teria ajudado a montá-lo, e com isso teria impedido a indicação de Janete Riva, esposa do ex-deputado José Riva, como conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
As informações foram repassadas por ele e divulgadas na segunda-feira (15) pela TV Centro América. Tanto Pedro quanto Paulo Taques negam as acusações.
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No depoimento, Zaqueu relatou que os ex-gestores ajudaram a montar o esquema para espionar adversários durante a campanha eleitoral ao Governo do Estado, em outubro de 2014. A ideia era elaborar estratégia contra os concorrentes. Naquele ano, Pedro Taques seria eleito governador.
O esquema teria continuado após as eleições e foi assim que o grupo político de Pedro Taques, segundo Zaqueu, soube que Janete Riva seria indicada para uma vaga de conselheiro no TCE. A família é Riva era um dos principais adversários políticos dos Taques.
No depoimento ao MPE, Zaqueu detalha que teria levado essa informação ao então governador e que eles entenderam que era preciso agir imediatamente para impedir a nomeação.
Zaqueu ressaltou que além de financiar os as escutas telefônicas clandestinas, o ex-governador Pedro Taques se utilizou das informações privilegiadas por meio dos grampos.
Zaqueu, que é réu no processo dos grampos, será reinterrogado sobre o caso novamente a partir desta terça-feira (16), no Fórum de Cuiabá.
Também serão reinterrogados outros réus no processo: o cabo Gerson Gerson Corrêa, apontado como o operador dos grampos; e o coronel Evandro Lesco, que é acusado pelo MPE como o responsável por também ajudar a montar o esquema, sob orientação de Pedro e Paulo Taques.
Outro lado
O advogado que faz a defesa de Taques, Emmanuel Figueiredo disse que a defesa precisa ter acesso aos autos para saber quais são as bases da denúncia, se elas são fudamentas em provas concretas.
Segundo Figueiredo, o delator apresentado as provas, a defesa irá analisar para se manifestar em momento oportuno.
Destacou que no momento o que foi divulgado são informações na imprensa, e que é preciso saber se as acusações estão "lastreadas de provas".
Lembrou que a delação do cabo Gerson Correa já foi descartada pelo MPE por falta de provas que corroborassem com o depoimento do militar.
Figueiredo acrescentou que Taques é inocente e que até o momento não "existe nenhuma prova concreta", em todos os processos dos grampos ilegais, que possa incriminar seu cliente.
Grampos
O caso dos grampos veio à tona em 2016 a partir de denúncia do promotor de Justiça, Mauro Zaque, que deixou a pasta de Segurança Pública do Estado após relatar o caso e documentar a denúncia ao então governador Pedro Taques (PSDB).
Segundo a denúncia, policiais militares e integrantes da cúpula do Governo do Estado mantinham escutas telefônicas sobre as linhas de políticos, empresários, juízes e jornalistas. Para conseguir autorização judicial, os números eram anexados a uma lista para interceptação de pessoas investigadas por tráfico de drogas na Comarca de Cáceres. Um esquema também conhecido como “barriga de aluguel”.
Anteriormente, o caso já foi investigado pelos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringuetta. Em maio, três novos delegados assumiram sendo: Jannira Laranjeira, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá; Luciana Canaverde, delegada regional de Água Boa e Rafael Mendes Scatalon, que atua como delegado regional de Pontes e Lacerda.
















