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06 de Outubro de 2017, 09h:11 - A | A

PODERES / ATAQUE ADVERSÁRIO

Antonio Joaquim reafirma candidatura e diz que falta sensibilidade a Taques

O conselheiro afastado do TCE diz que o fato de já ter ocupado diversos cargos eletivos o qualifica e lhe dá experiência para governar Mato Grosso.

RepórterMT

Antonio Joaquim diz que vai disputar eleição ao Palácio Paiaguás em 2018.

Antonio Joaquim diz que vai disputar eleição ao Palácio Paiaguás em 2018.

FLÁVIA BORGES
DA REDAÇÃO



O conselheiro afastado do Tribunal de Contas do estado (TCE), Antonio Joaquim, continua com o projeto para disputar o Palácio Paiaguás nas eleições do próximo ano e afirmou que o papel de um governador é o de criar harmonia entre os poderes e com aqueles que trabalham pelo Estado. Ele fez duras críticas à gestão de Pedro Taques que, segundo Joaquim, nutre “ódio pelos servidores”.

“As pessoas querem um líder equilibrado, que tenha sensibilidade, a capacidade de harmonizar os poderes, para que não haja toda essa relação de tensão como há com os servidores públicos. São mais de 100 mil pessoas. O atual Governo, por exemplo, tem ódio dos servidores. Falta sensibilidade, um debate mais verdadeiro, franco, e essa construção não é boa”, diz Antonio Joaquim.

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Segundo ele, o fato de já ter ocupado diversos cargos eletivos o qualifica e lhe dá experiência para governar Mato Grosso.

É preciso ajudar os gestores a executar as políticas públicas, que é isso que interessa à população. É com essa motivação, com essa expectativa de poder contribuir que eu decidi sair do Tribunal. Eu me considero com experiência para isso, com uma visão, com sensibilidade de poder harmonizar”, diz.

“Já fui deputado estadual e federal, já fui secretário de Educação, de Infraestrutura e nunca tive, nesse meu período de vida pública, um processo de corrupção. Estou há 17 anos no órgão de controle e percebi com clareza que não adianta ir lá ficar só tentando punir gestores. É preciso ajudar os gestores a executar as políticas públicas, que é isso que interessa à população. É com essa motivação, com essa expectativa de poder contribuir que eu decidi sair do Tribunal, onde eu ainda teria mais 14 anos. Eu me considero com experiência para isso, com uma visão, com sensibilidade de poder harmonizar”, diz.

Para ele, o mais importante é que a população mato-grossense tenha qualidade de vida.

“O que as pessoas querem é que as coisas funcionem, cada um no seu cada qual. O Executivo, o Legislativo, o Judiciário e nós do controle, mas as pessoas querem que o hospital funcione. Hospital fechado é uma agressão à cidadania. As pessoas querem que a educação funcione. Corrupção na educação é uma agressão à cidadania. O que as pessoas querem é que a segurança pública esteja funcionando de forma adequada. Essa coisa de bisbilhotar a vida das pessoas, isso é uma corrupção da democracia”.

Conforme Antonio Joaquim, não se pode criminalizar a política e sim punir os maus gestores.

“Diz que é dispensável a coragem, mas é necessária a compreensão de que o único caminho é através da boa política. Não se pode demonizar, contaminar, criminalizar a política. É através dela que nós vamos resolver os problemas do nosso país. O que deve ser eliminado são os maus políticos e não a política. É através da política que a gente vai melhorar a qualidade de vida das pessoas. Eu sempre digo: é política ou é fuzil. Então não há outro caminho”, diz.

Afastamento

Antônio Joaquim foi afastado por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, durante a Operação Malebolge, 12ª fase da Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal no 14 de setembro.

Ele e outros 4 conselheiros também afastados dos cargos são acusados, na delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), de terem recebido propina de R$ 53 milhões além de fazer ‘vistas grossas’ ao andamento das obras relativas à Copa do Mundo.

Fui surpreendido com o afastamento da condição de conselheiro. Isso me causou espanto, me causou perplexidade, porque não há nos autos nada a não ser a palavra de um delator", afirmou Antonio Joaquim.

“No dia 1º de setembro eu entrei de férias no Tribunal de Contas e anunciei que ao final das minhas férias eu estaria me aposentando da função de conselheiro. No dia 15 de setembro fui surpreendido com o afastamento da condição de conselheiro. Isso me causou espanto, me causou perplexidade, porque não há nos autos nada a não ser a palavra de um delator dizendo que um terceiro dizendo que eu teria participado algum suposto ilícito dentro do Tribunal”, explica.

Antonio Joaquim fala que sua reputação foi manchada, mas que após ser investigado, a sociedade chegará à conclusão de que ele não teve qualquer envolvimento com o esquema de corrupção delatado por Silval.

“Eu quero elogiar o processo de depuração que ocorre no Brasil, claro, com alguns exageros. Mas é por isso que eu faço questão de ser investigado. Se eu fui citado, devo ser investigado. Isso é da democracia. O que me afetou, que sequestrou minha reputação, foi o afastamento., sem nenhum embasamento legal, a não ser a palavra do delator.  Portanto aquilo foi uma surpresa para mim e fez com que eu aguardasse, até porque eu não sabia se eu poderia aposentar nessas condições. Essa investigação não me atemoriza, pelo contrário. Eu quero ser investigado, faço questão de sê-lo, já estou sendo e eu tenho a tranquilidade de saber que ao final isso será um atestado de inocência que vai recuperar a minha reputação, que de alguma forma foi abalada por esse processo todo”, diz. 

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