DO REPÓRTERMT
Mais uma vez, o presidente Lula criou uma polêmica ao tentar explicar uma medida de segurança pública. Ao anunciar que o governo pretende notificar pessoas que estejam com celulares roubados para que devolvam os aparelhos, o petista afirmou que "rico não compra telefone roubado, mas pobre compra, quem é que não gosta de comprar uma coisa barata".
A intenção do programa pode até ser legítima. O governo quer dificultar o mercado clandestino de celulares e reduzir os roubos que atormentam milhões de brasileiros. Segundo Lula, há um cadastro de cerca de 2,5 milhões de aparelhos roubados ou furtados que poderão ser rastreados pelo sistema.
O problema está justamente na forma como o presidente escolheu defender a proposta.
Ao dizer que rico não compra celular roubado e que pobre compra, Lula acaba criando uma generalização perigosa. Afinal, honestidade não tem classe social. Há brasileiros corretos e desonestos em todas as faixas de renda.
A fala passa a impressão de que a pobreza estaria naturalmente ligada à compra de produtos de origem criminosa. E isso não ajuda quem trabalha duro todos os dias para sustentar a família de forma digna.
O combate ao roubo de celulares é necessário. O crime só existe porque há quem compre o produto furtado. Porém, transformar essa discussão em uma divisão entre ricos e pobres não resolve o problema e ainda gera um desgaste político completamente evitável.
No fim das contas, o brasileiro quer segurança. E espera que o presidente fale para unir o país, não para rotular parte dele.
















