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20 de Dezembro de 2016, 07h:55 - A | A

OPINIÃO /

Sensação de insegurança

O combustível que alimenta o mundo do crime vem através do tráfico de drogas

WILSON SOARES FUÁH



Hoje, Cuiabá está entre as cidades mais violentas do país, e diariamente convivemos com todo tipo de violência, que vai desde assalto a mão armada até ameaça de motoqueiros armados que escolhem suas vítimas no trânsito, e que se transformaram em especialistas em roubo celulares.

Mas como prevenir, se esses criminosos aparecem do nada, assaltam com violência e deixam as pessoas perplexas e assustadas paradas sobre meio-fio, sem ação, vendo os seus pertences sendo roubados em plena luz do dia; e esses delinquentes agem em várias situações, que vão desde as “saidinhas de banco” indo até sequestros relâmpagos; e neste ano, apareceram até  ladrões que sobem pelas paredes dos edifícios e que são chamados de “Homem Aranha”.

As pessoas estão a se proteger instalando câmaras e cercas elétricas, construindo muros até as grimpas de altura, e mesmo assim, vê que não estão livres da violência. A dura realidade está nos registros das ocorrências policiais, e mesmo dentro das suas próprias casas não se sente protegidas.

Já os arrombamentos fazem parte do dia-a-dia das famílias, que são humilhadas e até estupradas, são violentadas fisicamente e moralmente, e o povo não tem mais como prevenir e para os parentes fica a pior missão, que é a de enterrar aos seus mortos, e que, por força da banalidade, e nesta guerra civil que já tomou conta desta cidade, o que resta ao povo é assumir a responsabilidade que não cabe a este, que é a de enfrentar a violência sem arma.        

A solução não está na instalação um posto policial em cada bairro, não está na reforma do Código Penal, implantando redução da idade penal ou pena de morte; não adianta promover passeatas contra a violência porque os criminosos têm suas mentes ofuscadas pelo consumo de alucinógenos e nunca terão consciência para entender a indignação do povo.

O combustível que alimenta o mundo do crime vem através do tráfico de drogas e contrabando de armas vindas pelas fronteiras do país, fomentado pelo desemprego, pela falta de família, falta de religião e principalmente pela falta de educação.      

Não adianta combater os efeitos construindo presídios ou investido do departamento de inteligência dos órgãos repressores, porque as causas passam muito longe dali, ou seja: investir maciçamente na educação é a única saída. Devemos atacar as causas através da formação de cidadãos de bem, preparado os jovens para buscar o seu lugar ao sol, e ter a consciência que o seu sustento vem através do seu trabalho.

As vítimas das violências querem resultados e se desesperam diante das explicações através de conceitos genéricos e semânticos, e assim, os números frios das estatísticas derrubam as fracas justificativas das autoridades, e por isso, criam a suas verdades onde passaram a dizer: “existe uma sensação de segurança na cidade”.

E aquelas virtudes que são próprias do povo cuiabano, pelo sentido de humildade, caridade, respeito e amor para com o próximo, estão sendo acabando e o medo faz com que as pessoas passam a desconfiar de todos. Hoje as pessoas estão se preparando para não reagir de modo antagônico a mira de um revolver, porque pode pagar com a sua própria vida, é a lei do submundo do crime e da vida bandida que reina por toda parte nesta cidade, por isso o povo esta andando de olhos “baludo”.

Wilson Carlos Fuáh é especialista em Recursos Humanos e Relações Políticas/ Sociais.

Fale com o Autor: [email protected]

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