ONOFRE RIBEIRO
Se prevalecerem as três principais candidaturas hoje lançadas para as eleições de governador em 2014, é certo que teremos segundo turno, coisa que nunca aconteceu em Mato Grosso.
Em 1998, Dante de Oliveira venceu Júlio Campos, em 2002 e em 2006 Blairo Maggi venceu o senador Antero Paes de Barros, e em 2010 Silval Barbosa venceu Mauro Mendes e Wilson Santos. Todos em primeiro turno.
O cenário parecia definido até esta segunda-feira, com a candidatura do senador Pedro Taques com chances efetivas, e a candidatura Lúdio Cabral, pela situação.
A inesperada entrada do deputado José Riva dividiu o cenário, porque ele vem com grandes apoios no interior do Estado.
Porém, mais forte é que com a sua entrada, velhos companheiros seus que estão nas duas outras candidaturas, muitos vão migrar ou dar-lhe apoio branco. Ou seja, desestabilizou as duas candidaturas.
Exemplo: prefeitos e vereadores apoiarão candidatos das outras coligações e desestabilizarão principalmente as candidaturas Lúdio e Taques.
Exemplo: o PMDB que estava bem fechado com Lúdio, por conta do veto do PR e do PT ao nome da deputada estadual Teté Bezerra a vice-governadora, esposa do deputado federal e presidente do partido, Carlos Bezerra, ele ficou bravo e está ameaçando migrar para apoiar formalmente a candidatura Riva.
Mesmo que não o faça formalmente, é conhecido o estilo de Carlos Bezerra de dizer uma coisa e fazer outra. Não sairá da coligação PT-PMDB-PR-etc, mas fará atuação ambígua como um troco à rejeição ao nome de Teté Bezerra.
Por outro lado, o discurso agressivo mútuo de Taques e Lúdio terá que mudar, porque seguramente o deputado Riva entrará como conciliador diante da sociedade. Nesta área também mudou o tom da campanha.
Contra a candidatura Riva pesam inseguranças jurídicas. Porém, como também cabem discussões jurídicas a esse respeito, ele manteve a sua candidatura após o primeiro encontro com a cúpula do PMDB que pretendeu sua substituição pelo ex-juiz Julier.
Então, fora as três candidaturas de partidos menores, teremos em 2014 três candidaturas fortes disputando o governo, algumas com divisões internas, mas capazes de produzir uma eleição muito disputada.
Na essência, ganha o Estado, que terá discussões mais abrangentes e a legitimação do governador eleito em clima de disputa real.
E se houver um segundo turno, muito melhor!
















