Quando os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras são atacados ou reduzidos, as vidas de milhões de brasileiros são impactadas principalmente a das mulheres. Somos nós as mais afetadas pelas políticas que destroem direitos e incentivam a informalidade, como o desmonte dos serviços públicos, a flexibilização das leis trabalhistas e a reforma da previdência. Por isso, mais que celebrar o dia 08 de março, queremos alertar sobre os danos das medidas que retiram direitos e contribuir com as reflexões a partir da perspectiva das mulheres.
A agenda política de destruição da democracia e de direitos da classe trabalhadora nos traz conseqüências diretas, pois somos as mais afetadas com a redução de políticas sociais e cortes nos gastos com serviços públicos, por exemplo. Sem o amparo do Estado, fica ainda mais difícil enfrentar as diversas formas de violência, inclusive.
Mulheres morrem pelo simples fato de serem mulheres. E os casos de feminicídio no país não param de crescer. A desigualdade salarial, as desvantagens no mercado de trabalho, preconceito, assédio e estupro, são outras duras realidades injustas que confrontamos em nosso dia a dia.
Para piorar, em vez de garantir nosso direito à proteção, o Estado brasileiro, em todos os âmbitos, prefere insultar nossas liberdades,
destruir nossas conquistas e nos colocar ainda mais distantes da igualdade que buscamos.
No âmbito federal, temos que lidar com um governo que estimula a violência por meio de falas e medidas públicas. Na contramão das necessidades do povo brasileiro, propostas como as que regulamentam o corte de gastos públicos retiram recursos dos serviços essenciais e se traduzem em menos postos de saúde, menos escolas, menos vigilância, e claro, menos verba para programas de combate aos assassinatos de mulheres.
Na esfera estadual o ataque aos trabalhadores e às mulheres não é menor. Não se importando com as vulnerabilidades do gênero e muito menos se a mulher tem dupla (ou até mesmo tripla) jornada, o governo propõe ainda mais mudanças na previdência social que irão agravar o quadro de desigualdade das mulheres mato-grossenses. Além de seus desafios enquanto mulher, milhares de servidoras públicas terão redução de salário e aumento do tempo de contribuição para se aposentar por causa da reforma da previdência em Mato Grosso.
O primeiro projeto de Mauro Mendes ataca servidores e servidoras aposentadas com uma taxação de 14% nos salários, crueldade que nenhum outro governador teve coragem de fazer. E para as servidoras ativas, um acréscimo de 11% para 14% de desconto na contribuição previdenciária. A segunda parte da reforma previdenciária já foi enviada à Assembleia Legislativa e seremos nós mulheres as maiores penalizadas, já que querem nos impor mais sete anos de serviço e 40 anos de contribuição para a previdência.
Vivemos um dos momentos mais difíceis da história recente da luta das mulheres, querem nos calar e nos matar de diversas formas. Mas não podemos permitir. Que este 08 de março seja marcado pela consciência de que devemos fazer valer a nossa voz. Vamos resistir e mostrar que unidas podemos reverter todos os tipos de ataques à nossa vida e sobrevivência, defendendo os serviços públicos, a democracia e nossa luta por igualdade. Que neste Dia Internacional da mulher, celebremos nossa resistência!
*Graciele Meira é assistente social e servidora pública da carreira dos profissionais de Desenvolvimento Econômico e Social de Mato Grosso. Contato: 65 99612 8535 (Graciele)
















