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Cuiabá, 19 de Junho de 2026
19 de Junho de 2026

14 de Setembro de 2019, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / VICENTE VUOLO

Quem é contra o VLT?

Cuiabá e Várzea Grande serão pioneiras no uso desse transporte de massa



Esta semana fui surpreendido com um telefonema inusitado do Secretário de Infraestrutura do governo do Estado de Mato Grosso, Marcelo Oliveira. O que era para ser uma conversa democrática acabou se transformando num monólogo pelo Secretário que em seguida desligou o telefone e me desconectou do seu WhatsApp. 

O motivo da fúria do representante do governador foi a minha fala no seu WhatsApp: “Na verdade quem está tumultuando o processo de retomada do VLT é o Governador Mauro Mendes que exigiu do Grupo de Trabalho (GT) um estudo para a mudança do modal para ônibus. Gostaria que ele desmentisse publicamente”.

Infelizmente, não só o governador não desmentiu como, também, o secretário. Ou seja, o secretário determinou o estudo de mudança de modal para ônibus poluentes mesmo sabendo que seria um desastre ambiental para a nossa cidade, cujos termômetros marcaram esta semana 46,5° no relógio do centro da cidade.

Marcelo perdeu a oportunidade para travar uma conversa amistosa, cuiabana e democrática na busca de um consenso para a conclusão imediata das obras do Veículo Leve sobre Trilhos. Mas, preferiu o caminho da ameaça.

A truculência não é o caminho para resolver uma questão tão importante como o VLT. Parece que o posto de secretário de obras, com um dos maiores orçamentos do Estado, o poder de usar a caneta para nomear ou demitir quem quiser subiram à cabeça da pessoa humilde, carinhosamente chamado de “Marcelo Padeiro”. O grito, o uso da força do cargo, não são requisitos para resolver a questão da mobilidade urbana. Ninguém é mais que ninguém!

Ultrapassado esse episódio, fruto de um tipo de política que nós, brasileiros, queremos ver superada, voltemos ao tema. O VLT tem sido adotado em todas as principais capitais da Europa e em muitas cidades importantes da Ásia e da América do Norte. Complementa, em alguns casos, ou é a espinha dorsal, em outros, o conjunto de modais de transporte das cidades modernas. É o futuro. O ônibus está perdendo terreno e em vários lugares desaparecerá. Os transportes movidos a combustíveis fósseis têm os dias contados e não serão permitidos na maioria dos lugares em 2030.

As duas maiores cidades de Mato Grosso, Cuiabá e Várzea Grande, serão pioneiras no uso desse modal de transporte de massa. Poderão, com isso, minimizar problemas que hoje enfrentam e também terão oportunidade de usar essa nova situação para orientar a política metropolitana de mobilidade urbana.

Por isso há um conflito entre o velho e o novo, o arcaico e o moderno, que se reflete em interesses econômicos dos que temem perder mercado e a população que deseja serviços públicos melhores e mais saudáveis.

Ao que tudo nos indica, a população já fez sua escolha pelo VLT, resta algumas autoridades reconhecer isso e concluir as obras sem desvios e sem corrupção.

VICENTE VUOLO é economista, cientista político e coordenador do Movimento Pró VLT.

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