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25 de Novembro de 2014, 16h:17 - A | A

OPINIÃO /

Pensão de ex-governadores

Todos merecem recebê-la como uma espécie de indenização

ONOFRE RIBEIRO



Na semana que passou a juíza Celia Regina Vidotti, da Vara de Ação Civil Pública e Ação Popular, determinou que o Estado cesse imediatamente o pagamento de pensão de pelo menos 18 ex-governadores de Mato Grosso. Ela se baseou na parte final do art. 1º, da Emenda Constitucional nº 22/2003, que diz que o recebimento do benefício é inconstitucional. A Ação proposta contra os ex-governadores foi do Ministério Público do Estado.

Conheço todos os ex-governadores citados, incluindo Pedro Pedrossian (1967/1971) e José Fragelli (1971/1975). Cheguei a Mato Grosso no começo da gestão do governador José Garcia Neto (1975/1978). Tive a oportunidade de prestar serviços por algum tempo nos governos de Frederico Campos, Júlio Campos, Dante de Oliveira e Blairo Maggi. Sempre lidei com crises políticas e por isso, estive perto de outros governadores prestando algum tipo de consultoria na maioria dos casos.

Vou citar três em particular com quem convivi mais próximo: Garcia Neto, Frederico Campos (1979/1983) e Dante de Oliveira, no segundo mandato (1999/2002). Devo relatar, a bem da verdade, e por essa experiência que ser governador é viver num inferno durante quatro anos. Todos os que se reelegeram se arrependeram amargamente. Começo com Garcia Neto. Viveu uma extrema crise da divisão de Mato Grosso e pagou caríssimo na vida pessoal, familiar e pública. Frederico Campos viabilizou o estado pós-dividido contra a má vontade do governo do presidente Figueiredo que herdou a divisão feita pelo antecessor Ernesto Geisel. Convivi com algumas das extremas pressões e tensões de todas as ordens que sofreu na vida pessoal, familiar e pública.


Assisti Júlio Campos no extremo desespero do estado inviabilizado pós-divisão e pressionado por um crescimento econômico atropelador. Vi Dante de Oliveira adoecer e ser afastado do governo pra se curar da depressão que lhe causaram os números da economia, do orçamento e das necessidades no começo da gestão em 1995.

Ontem discuti com um velho e querido amigo aposentado da política e concordamos, ambos pela experiência de termos convividos com esses governantes. Quem passa pelo governo nunca mais recompõe a sua vida pessoal e nem a coloca nos eixos da normalidade. Alguns, como Frederico Campos, dependem inteiramente da pensão de ex-governadores. Outros dependem menos, mas seguramente todos merecem recebê-la como uma espécie de indenização pelo que perderam de saúde e da normalidade da vida civil.

Penso que a vitória legal certamente alegrará magistrados e procuradores, todos muito bem amparados vitaliciamente em suas carreiras. Merecem pela carreira espinhosa que executam. Mas no caso do ex-governadores, ainda que alguns mereçam reparo ou não precisem da aposentadoria,, não dá pra generalizar numa única canetada. Cabe o bom senso!

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.
[email protected] 
www.onofreribeiro.com.br

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Julio Cesar 27/11/2014

...quando alguém trabalha em um local inapropriado, recebe-se "insalubridade" e este é alertado dos riscos à saúde (apenas um exemplo)... Para tudo o que almejamos, há um "preço" a pagar por isso e não se entra em um barco sem ter conhecimento das condições do mar, das previsões do tempo e também sem que esteja preparado psicologicamente para as adversidades. Concluindo, os Familiares ou os Ex-Governantes não necessitam dessa esmola, pois sabemos que todos sempre receberam a "insalubridade" e "pensão" antecipada. Não venho questionar a índole, mas os interesses pelo Poder, historicamente jamais foi adquirido visando o "bem comum" ou seja, no contexto, o Bem do Estado e População.

Maria Martins 26/11/2014

Parabéns ao jornalista Onofre,pois só você como profundo conhecedor da nossa historia politica-admistrativa de Mato Grosso poderia escrever um artigo defendendo o direito adquirido dos velhos e queridos Governadores do passado,que muito fizeram com seriedade e honestidade pelo desenvolvimento de Mato Grosso. Apenas uma obra super faturada da SECOPA pagaria por muitos anos essa pensão vitalícia dos ex-Governadores.Acredito que o pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso,revogará essa decisão precipitada da sra.Juiza Vidotti.

Diego 26/11/2014

Onofre todos foram governadores porque num dado momento da história optaram em arriscar, desbravar o desconhecido, a vida pública. É certo que perderam tempo com sua família, outros até a própria saúde e também negócios particulares, porem foi uma escolha pessoal, individual. Não há como comparar pensão vitalicia dos ex-governadores com dos concursados, o período de contribuição com a sociedade é desproporcional. Decisão proferida pela juíza Vidotti serve de alerta para os aventureiros políticos atuais, assim como o amadurecimento republicano da democracia e das instituições governamentais, para os que se aposentam por meio da corrupção.

3 comentários

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