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Cuiabá, 04 de Junho de 2026
04 de Junho de 2026

15 de Maio de 2026, 14h:23 - A | A

OPINIÃO / MAX WAGNER DE LIMA E MARISTELA LUFT

Ozempic emagrece. Mas, e sua saúde no longo prazo?

MAX WAGNER DE LIMA E MARISTELA LUFT



O uso dos agonistas de GLP-1 mudou o tratamento da obesidade mas especialistas alertam: sem acompanhamento adequado, o paciente pode perder mais do que gordura

Os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 receptor agonists transformaram o tratamento da obesidade e do diabetes nos últimos anos.

Remédios como semaglutida e tirzepatida passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas no mundo inteiro, principalmente pela capacidade de promover perda de peso significativa, reduzir fome e melhorar o controle glicêmico.

Mas junto com o entusiasmo surgiu uma pergunta importante:

Emagrecer rapidamente significa necessariamente emagrecer com saúde?

A resposta é: Nem Sempre.

Hoje já sabemos que os agonistas de GLP-1 vão muito além da estética. Estudos recentes mostram benefícios importantes sobre:

diabetes;
obesidade;
inflamação;
doença cardiovascular;
insuficiência cardíaca;
doença renal crônica;
fígado gorduroso metabólico.

Em pacientes com obesidade e maior risco cardiovascular, alguns desses medicamentos inclusive demonstraram redução de eventos cardiovasculares importantes, como infarto, AVC e morte cardiovascular. Mas existe um ponto que muitas vezes não aparece nas redes sociais:

perder peso não significa automaticamente melhorar composição corporal. E esse talvez seja um dos maiores desafios do tratamento moderno da obesidade.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM MUITOS PACIENTES

Os agonistas de GLP-1 reduzem o apetite e aumentam a saciedade. Isso ajuda o paciente a ingerir menos calorias e perder gordura corporal.

O problema é que, sem estratégia adequada, parte dessa perda pode envolver:

massa muscular;
água corporal;
densidade óssea;
força física.
Estudos recentes mostram que uma parcela da perda de peso durante o uso dessas medicações pode ocorrer às custas de massa magra, especialmente quando não existe acompanhamento nutricional e exercício resistido adequado. (PMC)

E isso muda completamente a qualidade do emagrecimento.

O ERRO MAIS COMUM:

Muitas pessoas começam o tratamento focadas apenas na balança. Mas o corpo não funciona apenas em quilos.

Dois pacientes podem perder exatamente 10 kg:

um preservando músculo e reduzindo gordura visceral;
outro perdendo músculo, piorando força e desacelerando metabolismo.
A diferença entre os dois é gigantesca.

O PAPEL DA MASSA MUSCULAR

Músculo não é apenas estética. Hoje entendemos o músculo como um verdadeiro órgão metabólico.

Ele participa:

da sensibilidade à insulina;
do gasto energético;
da proteção cardiovascular;
da mobilidade;
da longevidade;
da prevenção de fragilidade e sarcopenia.
Por isso, perder massa muscular excessivamente durante o emagrecimento pode trazer consequências importantes, principalmente em:

mulheres após os 40 anos;
idosos;
pacientes cardiometabólicos;
pessoas sedentárias;
pacientes com obesidade avançada.

O QUE FAZ DIFERENÇA NO RESULTADO

Os melhores resultados acontecem quando o tratamento é acompanhado por uma equipe multidisciplinar. O medicamento sozinho não resolve tudo.

É fundamental:

adequar proteína;
preservar massa muscular;
organizar rotina alimentar;
ajustar treino;
acompanhar composição corporal;
monitorar metabolismo;
reduzir gordura visceral;
trabalhar comportamento e sono.
A literatura atual reforça exatamente isso:os melhores resultados acontecem quando o uso de GLP-1 é associado à mudança estruturada do estilo de vida.

A NOVA VISÃO DO TRATAMENTO DA OBESIDADE

A obesidade deixou de ser entendida apenas como excesso de peso.Hoje ela é vista como uma doença inflamatória, hormonal e cardiometabólica complexa.

E talvez esse seja o maior avanço da medicina moderna: parar de tratar apenas aparência e começar a tratar saúde metabólica de verdade.

Porque o objetivo não deve ser apenas perder quilos.

O objetivo deve ser: viver melhor, com mais energia, autonomia e saúde ao longo dos anos.

Conclusão :

“O melhor tratamento para obesidade não é aquele que faz você pesar menos.
É aquele que faz você viver melhor.”

Por Dr. Max Wagner de Lima ( Cardiologista ) e Maristela Luft ( Nutricionista ) - Founders - Luminae Alta Performance e Saúde .

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