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14 de Novembro de 2014, 09h:36 - A | A

OPINIÃO /

Momento civilizatório

O Brasil experimenta a perspectiva de um momento civilizatório novo em sua História

ONOFRE RIBEIRO



O Brasil que saiu das eleições de 2014 não é o mesmo Brasil que entrou nas eleições. Mudou profundamente de percepção e continua mudando. 

No correr do segundo turno criou-se a leitura visível de dois brasis se digladiando. Um por ideologia e estômago, e outro por mudanças e reformas. 

Em nenhum momento os dois se falaram. O Brasil da ideologia e do estômago venceu a eleição por 3 milhões de votos. Mas ao contrário de eleições presidenciais anteriores, a disputa não acabou no dia da votação. 

A urgência por reformas continuou viva e vem se mobilizando em clima de enorme desconfiança do governo eleito.

Isso pode ser ruim. Mas é ótimo do ponto de vista da sociedade se mobilizar por valores como educação, reformas, saúde, combate à corrupção endêmica que atropelou o governo, e por um imaginário de que o Brasil pode funcionar. Não precisa ser esse barco furado descendo a correnteza.

No mundo todo estão acontecendo transformações, movimentos movidos por desgostos e por novos tempos. 

O Oriente Médio está se incendiando, a África, na América do Sul a desgraça atingiu a Argentina, historicamente uma potência respeitável, e países periféricos como Bolívia, Venezuela, Equador. Estados Unidos mal se recuperando de uma crise econômica e financeira iniciada em setembro de 2008, a Europa completamente estagnada. 


A China sente os reflexos da crise econômica mundial e o Japão está com o pé no freio desde 2008.

O Brasil sente que precisa avançar na direção do mundo civilizado e abandonar essa política de agarrar-se a países falidos da África e das Américas sobre os quais nunca teve responsabilidade histórica, como tem os países europeus colonizadores dos séculos 18, 19 e 20.

Neste sábado, a partir das 15 hs na Praça do Chopão, em Cuiabá o “Movimento Acorda Brasil”, vai às ruas pedindo educação, saúde, gestão pública eficiente e o combate à corrupção. No resto do país, as redes sociais arregimentam gente para idéias novas que não existiam antes. 

A raiz de tudo não foram as eleições, mas os movimentos de rua de 2013. Aparentemente se acalmaram, mas introduziram no inconsciente coletivo brasileiro, a ideia de que é possível ser político, ser gestor, ser magistrado, ser empresário e ser decente!

O Brasil experimenta a perspectiva de um momento civilizatório novo em sua História.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em mato Grosso.
[email protected] 
www.onofreribeiro.com.br

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