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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, 09h:26 - A | A

GABRIEL NOVIS NEVES

Governo rouba governo

GABRIEL NOVIS NEVES

Em troca da liberação de emendas parlamentares, o governo conseguiu prorrogar na Câmara dos Deputados, a Desvinculação de Receitas da União (DRU).  A DRU é uma anomalia bolada pelo poder executivo, para gastar 20% dos recursos orçamentários, que por lei teriam destinação específica.
 

Esse dinheiro roubado pelo governo, do próprio governo, pode ser utilizado em qualquer outra finalidade, sem dar bola a ninguém. Entretanto, o forte desses recursos será empregado para pagar salários de funcionários de primeira classe que não respeitam a lei do teto constitucional e os servidores comissionados, base do partido que está no poder.
 

O restante desses 20% é para reduzir as nossas dívidas, que cada dia aumentam mais. Nada desse bolão que o governo poderá gastar de acordo com as suas prioridades, foram lembrados para a saúde pública, vergonha nacional. Para distrair o público, enquanto a Câmara fazia a sua parte aprovando esses 20% do roubo do orçamento aprovado, a presidente ocupa uma cadeia de rádio e televisão, para anunciar dois projetos em longo prazo para a área da saúde.
 

Um motivado e como resposta ao JN do Ar. Todos os prontos socorros do Brasil terão investimentos nos próximos anos, em parceria com os governos Federal, Estadual e Municipal. O lamentável foi o esquecimento de identificar as fontes de recursos e o percentual de envolvimento financeiro para cada parceiro.  O governo de MT está totalmente comprometido com as obras da Copa do Mundo e os dois grandes legados para Cuiabá: o VLT e os jipes russos para fiscalizar nossas fronteiras com o país irmão, Bolívia.
 

A prefeitura de Cuiabá há muito tempo está em vida vegetativa, sobrevivendo graças à respiração boca a boca feita 24 horas pelo Chico Galindo. Ele aprendeu essa técnica quando por muito tempo foi diretor geral do antigo Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá, hoje HGU. Nem dinheiro para comprar um simples respirador a prefeitura tem. O outro projeto anunciado, não é novidade para os 100 milhões de usuários do SUS, que é o Ficar em Casa.
 

A presidente não foi bem informada sobre esse tema. De há muito o paciente do SUS fica em casa, pois não tem onde encontrar socorro médico. As ambulâncias que foram adquiridas para tirar o doente de casa, praticamente não existem mais. E não há serviços para receber esses pacientes, que continuarão ficando em casa, agora prestigiando o programa federal - Ficar em Casa, antes só do que mal acompanhado.
 

A presidente não falou no seu carro chefe de campanha, as UPAS (Unidades de Prontos Atendimentos), que desafogariam os prontos socorros. A última informação que tive é que as UPAS, por falta de recursos, seriam construídas de latões. Não conheço nenhuma UPA funcionando em nosso Estado. Sendo um utopista por convicção, e otimista por tudo que os anos me proporcionaram, lamento colocar a minha opinião, torcendo para que ela esteja errada.
 

Esses três projetos citados são aqueles que surgem num momento de esterilidade de algo de alcance social, e o governo quer ganhar tempo. O brasileiro foi informado das boas intenções do governo e que os seus resultados não serão imediatos, cujo período de colheita dos bons resultados, foi omitido. Esses projetos não vão prestar, e o governo continuará roubando dinheiro do governo para pagar funcionários que não são quaisquer um, descontar dividas e ajudar nossos hermanos latinos e africanos.


Gabriel Novis Neves é médico em Cuiabá

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