ONOFRE RIBEIRO
Nesta segunda-feira o governador de Mato Grosso, Pedro Taques, foi entrevistado no programa Roda Viva, da Tv Cultura. O programa é histórico e bem prestigiado.
A propósito da excelente divulgação que ganhou o estado de Mato Grosso com o programa, aproveito para fazer algumas amarrações dentro desse tema.
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Gostaria de lembrar o propósito do Centro-Oeste dentro do Brasil, percebido lá nas décadas de 1940, 1950 e 1960, a partir do qual Mato Grosso entrou no mapa estratégico do Brasil e chegou até hoje.
Acabei de ler o livro “Portal do Roncador”, do jornalista e professor de Nova Xavantina, o amigo Archimedes Carpentieri.
Nele, recorda que durante a segunda guerra mundial o presidente Getúlio Vargas esteve na região em 1945, para inspecionar os trabalhos da Expedição Roncador-Xingu, dentro da Marcha para o Oeste.
O projeto era ocupar o Vale do Araguaia e subir para o Pará, levando em conta o risco europeu que falava na ocupação dessa região e da Amazônia uma vez a Alemanha vencesse a segunda guerra mundial.
Outro propósito seria criar uma alternativa para o governo brasileiro se instalar no Araguaia, possivelmente na “Vila de Chavantina”, hoje Nova Xavantina, caso as cidades litorâneas brasileiras fosse atacadas durante a guerra.
A ocupação histórica de Mato Grosso, seja no Leste-Araguaia, seja em Cuiabá-Pantanal ou no Noroeste-Guaporé, foi sofrida e dolorosa.
Mas na década de 1950 quando o presidente Juscelino Kubitscheck deu início à construção de Brasília os objetivos estratégicos eram outros, muito bem explicados pelo extraordinário antropólogo mineiro, Darcy Ribeiro.
Segundo ele, se construiria uma nova civilização no Centro-Oeste, a partir de Brasília, contaminando o Brasil lentamente nos anos futuros, como se fosse uma pedra jogada na água que abriria círculos do centro pra fora do Centro-Oeste.
Na época o chamado “Sul Maravilha”, o sudeste e o sul do país riam desse sonho. Hoje quando o governador de Mato Grosso vai a um programa de debates na televisão nacional e fala desse estado que ruge no coração do Brasil, o sonho daqueles pioneiros faz sentido.
Os estados de Mato Grosso do Sul e Goiás também rugem com convicção de sua força frente ao “Sul Maravilha” hoje cheio de problemas, até de identidade.
Ainda estudante de Jornalismo na UnB, estive na Vila de Nova Chavantina, quase do mesmo jeito de quando foi construída na década de 1940. Olhe! Era sonho acreditar num futuro possível naquele sertão isolado.
Hoje é real. Confesso que todas as vezes que vejo um líder político de Mato Grosso, como o governador Pedro Taques, falando sobre esse estado no estágio em que está e no seu futuro, creio mais no sonho dos pioneiros da Expedição Rocandor-Xingu e da sua mítica jornada Marcha para o Oeste.
ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso














