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14 de Fevereiro de 2018, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / RODRIGO RODRIGUES

Cadê tu Paulo?

O fato é tão bizarro que parece promover uma espécie de torpor coletivo.

Divulgação

RODRIGO RODRIGUES é jornalista e gestor público

RODRIGO RODRIGUES é jornalista e gestor público



Às vezes, ficamos agoniados e até mesmo indignados de testemunhar tantas injustiças. Pessoas sem a menor capacidade moral, intelectual e cultural, por um golpe de sorte ou pela extrema capacidade de serem submissos, o famoso puxa-saco profissional, ascendem ao poder, ocupando cargos relevantes. E todo jeca (jeca, no sentido de “jecoso”e não de jeca-tatu), tem algumas coisas em comum, entre elas a vaidade exacerbada, o deslumbre, a falta de senso de ridículo - que beira uma sociopatia - e a capacidade  de angariar antipatia geral. 

Assim como eu, muitos até hoje devem se perguntar: de onde surgiu esse Éder Moraes? 

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Quase que do nada, esse cidadão virou secretário de fazenda do governo Blairo Maggi. Já no governo Silval, virou uma espécie de lugar-tenente, comandando uma agência que era responsável por todas as obras da Copa do Mundo em Cuiabá. Como? De onde? Como pôde? 

O fato é tão bizarro que parece promover uma espécie de torpor coletivo. 

Citei Éder Moraes, mas no governo do Baliro Maggi - Silval, surgiram pelo menos uma dúzia desse tipo, alguns com mais destaque que outros, mas o mesmo tipo, porém não menos bizarros. 

Passando o efeito da anestesia, quando se começa a enxergar sem os embaraços, o susto é grande! A gente olha para trás e pergunta, mas como? Isso jamais poderia ter acontecido. 

Mas, eis que surge um novo governo, com a promessa de romper com tudo isso, com a promessa de dar um basta nessas aberrações. A maioria embarcou, achou que era para valer. Mas já de cara o homem que veio para promover esse “rompimento”, taca bosta no ventilador e bota seu primo, chamado Paulo Taques, para ser o secretário-chefe da Casa Civil, uma espécie de governador substituto ou governador eventual. Essa figura já levantava suspeitas sobre seu conhecimento jurídico e como teria ganhado certa notoriedade na advocacia, isso sempre foi um grande enigma. 

Dia sim, dia não, lá estava o secretário Paulo Taques fazendo aquilo que lhe dava mais prazer, estampando as manchetes dos jornais. Fato que lhe promovia um orgasmo atômico. Como já foi dito, a ausência de senso de ridículo, fez com que seu nome alternasse entre concorrer ao senado ou ser conselheiro do Tribunal de Contas, ou deputado federal ou até mesmo ministro de estado. Os escaravelhos, nome científico do “rola-bosta”, que o cercava, iam ao delírio extremo e saiam repetindo como mantra: Paulo vai ser isso, Paulo vai ser aquilo, Paulo é quem manda. Quando de repente, aquela nuvem de ópio que causava delírios tremens se dissipava e a realidade nos saltava aos olhos, era como um soco na boca do estômago, nos punindo, por permitirmos que esses aloprados tenham chegado onde chegaram outra vez.

No fundo, nós não vamos conseguir nos vacinar, nos proteger, nos blindar desse tipo de sociopata, é humanamente impossível, restando apenas, a nós, o exercício da paciência, para que o tempo coloque as coisas no devido lugar. Imaginem vocês que, Éder Moraes já foi cogitado para candidato ao governo e também tentou ser conselheiro do Tribunal de Contas. 

Em um aspecto temos que fazer justiça ao Éder Moraes, ele nunca usou suspensórios e nem teve motorista com quepe. Uma coisa tão bestial, que nem Éder se permitiu chegar a tal ponto. 

Mas, cadê Paulo? Cadê tu,Paulo? Em que buraco se meteu com o rabo entre as pernas? Onde estão suas bravatas e suas ironias que destilava contra seus adversários? Onde foi parar aquela empáfia de cachorro magro? Só falta me dizer Paulo, que tu viraste pastor! Ou melhor, onde pastas tu, Paulo? 

Existe uma grande possibilidade dessas criaturas serem a semelhança dos seus criadores, com a única diferença que os criadores tem senso de ridículo, mais discrição e conseguem enganar por mais tempo. 

Mudando de assunto, ouvi um buxixo que o senhor Eumar Novacki, policial militar, pode se tornar Ministro da Agricultura. Alguém duvida?

Rodrigo Rodrigues, jornalista e gestor público.

 

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