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07 de Janeiro de 2015, 09h:45 - A | A

OPINIÃO /

Batismo de fogo

Na hora em que a Assembleia reabrir os trabalhos, começará o inferno astral do governador

divulgação

JOSÉ ARIMATÉIA

JOSÉ ARIMATÉIA



“Mil cairão ao meu lado e dez mil a minha direita, mas não serei atingido”. (Salmo91-Verso 7)

Foi com essa citação bíblica que o governador eleito, Pedro Taques, finalizou seu discurso no evento da diplomação dos eleitos em 2014.

As medidas anunciadas no primeiro dia do seu governo são realmente de impacto. 

Senão vejamos: Suspende concurso público, anula promoções de 600 policiais civis, demite dois mil servidores comissionados. Suspende pagamentos de fornecedores e os restos a pagar da gestão Silval Barbosa, que segundo a equipe de transição do atual governo somam mais de R$760 milhões. Denuncia que Silval pagou R$100 milhões ao apagar das luzes, e afirmou que foram pagos a empreiteiras. 

Ainda bloqueado pela Justiça, cerca de R$100 milhões que deveriam ser repassadas para a saúde, que o novo secretário de saúde diz ser impossível funcionar o sistema de saúde sem esses recursos. Suspendeu contratações, inclusive de concursados.

Os rombos, desmandos, falcatruas e corrupção dos dois últimos governadores vieram à tona. Os dois, Blairo e Silval apoiaram o Lula e a Dilma, provavelmente se acham blindados e não serão punidos pela Justiça.

Isto é só uma amostra porquê a falência e o caos é uma verdade inconteste. Segurança não existe, saúde e educação, muito menos. Estradas em estado de calamidade. A Copa do Mundo, através do gerenciamento da Secopa, virou antro de ladroagem. Elefante Branco, obras inacabadas. Obras inauguradas já desabando e uma dívida impagável, inviabilizando ainda mais a recuperação financeira do estado.

Até agora, todo mundo tem elogiado as iniciativas de Pedro Taques, mas, na hora em que a Assembleia Legislativa reabrir os trabalhos, no dia 1º de fevereiro de 2015, começará o inferno astral do governador. Daí, o “batismo de fogo”.

Primeiro a eleição da Mesa Diretora, já que existem duas chapas, qualquer intervenção do executivo a favor de qualquer uma será o primeiro estopim para o “racha” contra as ações do governo. Começa a briga por nomeações no segundo escalão por indicações dos deputados. 

Começa, se Taques não resistir, o “toma lá, da cá” em nome da “famigerada” governabilidade.

Começarão as coerções fortes, e aí o governador vai ter que ser firme, não se estressar, pois o estresse pode vir acompanhado de síndromes nervosas, dores musculares, dores de cabeça, dor no peito, nó na garganta, taquicardia, pressão arterial alterada, dor no estômago, confusão mental, fadiga e estafa. O ser humano atingido pela fadiga e ansiedade torna-se improdutivo.

O secretariado nomeado por Taques é, na sua maioria, de técnicos e promotores. A nomeação de promotores para cargos de secretários era vedada pela Constituição Federal, promulgada em 1988. Será que houve mudança na Lei? 

Já vivi estas situações, que é o sistema do “toma lá, da cá”, o que me enoja, daí eu ter largado a minha vida pública, pois nunca concordei com roubalheira, corrupção, traição e deslealdade. Infelizmente a classe política está tão desmoralizada, que, a maioria do povo, por eu ser um simples cidadão, que exerceu 6 anos de vereador em Barra do Garças e dois mandatos de Deputado Estadual pelo Vale do Araguaia, com dignidade e competência, afirmo isto sem nenhuma vaidade, quem duvidar que pesquise os arquivos da Assembleia Legislativa que acharão a confirmação.

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Mas o povo generaliza, e, me chamam de burro ou mentiroso, de político correto nunca. 

É o mesmo povo que no outro dia está batendo a sua porta para pedir dinheiro para irem passear, fazer festas de aniversários, de casamento dos seus filhos. Os primeiros que, na época da eleição, perguntam quanto o senhor está pagando pelo voto? 

Não interessa se o cara é ficha limpa ou ficha suja, ele quer é o “beréré”. Por isso já afirmei e reafirmo, ou o povo muda, ou nada mudará. Reforma Política é só engodo para os políticos do jeito que está é bom demais. Salvo as raríssimas exceções. Os que o povo chama de bobos.

Como o secretariado não é nada político ou diplomático, o governador terá que ter muita habilidade, não se colocar como o dono da verdade. 

Vai ter que ouvir, consultar e dialogar com os outros Poderes para concretizar as medidas anunciadas e que sejam ações dos três Poderes. Executivo, Legislativo e Judiciário.

Termino aconselhando o Dr. Pedro Taques, já que ele mostrou-se leitor da Bíblia e um religioso, que ele leia também o Salmo 28-Verso 1, que diz: “A ti clamarei Senhor, não emudeças para comigo, não permita que eu fique semelhante aos que descem ao abismo”. 

A política é um caminho cheio de labirintos, com um abismo imensurável. Sucesso, governador. Mato Grosso precisa.

JOSÉ ARIMATÉIA  foi deputado estadual em Mato Grosso, pela região do Araguaia.

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