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30 de Março de 2015, 08h:40 - A | A

OPINIÃO /

50 tons de bege

Quero de volta a Capital inteira, sem a interferência irresponsável de quem simplesmente decidiu desmontar toda a cidade de uma só vez

divulgação

MARGARETH BOTELHO

MARGARETH BOTELHO



Perto de completar 296 anos, Cuiabá e a sua população vivem uma espécie de estresse midiático. Eu compartilho e digo que ‘tô bege, 50 tons de bege’ diante de tantas informações absurdas sobre o que costumo chamar por ‘Operação Desmonte‘, a qual foi submetida a Capital mato-grossense desde 2010 com o início das obras da Copa do Mundo. O estar bege é algo próximo de horror, de espanto.

Não quero ser injusta com aqueles que sonharam dias melhores para Cuiabá porque eu também sonhei. Mas o tal do legado da Copa se transformou em caso de polícia. Todas as inconsistências nos projetos, represadas pelo governo passado, e que agora estão vindo à tona nos deixam estarrecidos. Creio que o governador Pedro Taques já reuniu denúncias, dossiês e relatórios suficientes para deixar a Justiça fazer Justiça.

Digo isso porque lá se vão os primeiros 100 dias e o Estado precisa andar em velocidade frenética. Avalio que o governo não deve ficar correndo atrás do que vem sendo levantado por entidades e políticos que se mantiveram silenciosos nos últimos anos, e que somente agora têm coragem de vir a público, com propostas beirando a pirotecnia. O sentimento do cuiabano é de extremo cansaço, diante de um caos espetacular que, grosseiramente, até de olhos fechados somos capazes de enxergar. Ou seja, não há mais o que se falar a respeito.

Quero de volta a Capital inteira, sem a interferência irresponsável de quem simplesmente decidiu desmontar toda a cidade de uma só vez. Se for o VLT, que venha o VLT. Mas se vai demorar, porque precisa de um projeto readaptado, que as avenidas sejam desobstruídas. Se o viaduto da UFMT, na Fernando Corrêa, não pode funcionar na plenitude porque foi inaugurado faltando 80 metros e sem um projeto de drenagem, pelo amor de Deus, não digam que a saída é interditá-lo a cada sinal de chuva. Se o viaduto da Sefaz não terá utilidade mesmo com a obra de reforço em andamento, que continue sendo o nada de sempre. O viaduto, onde faltou concreto e ferro, somente será útil em conjunto ao retorno subterrâneo em lado oposto e onde foram feitas apenas algumas escavações.

Sou, por princípio como manifestei acima, a favor da apuração rigorosa dos projetos/lambanças executados em Cuiabá. E, em idêntica intensidade, espero a condenação dos culpados. Pondero, entretanto, em própria defesa e da população cansada de tantos percalços que as autoridades constituídas, como o prefeito da Capital, Mauro Mendes, e o governador Pedro Taques vislumbrem o horizonte.

A judicialização inevitável das obras da Copa não pode sustentar por mais tempo o discurso dos gestores. Mato Grosso e Cuiabá esperam pelo prometido. O acordar pela transformação, repetido e exibido exaustivamente na mídia, é um bom começo.

MARGARETH BOTELHO é jornalista em Cuiabá.

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