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06 de Outubro de 2016, 09h:27 - A | A

JUDICIÁRIO / EFEITO GEPETO

Apontado como mentiroso, Riva pode voltar para a prisão

A decisão da Operação Filhos de Gepeto, deflagrada nesta quarta, como continuidade da Operação Ventríloquo, aponta que Riva seria o líder do esquema.

RepórterMT

O ex-deputado José Riva está em liberdade desde o dia 8 de abril.

O ex-deputado José Riva está em liberdade desde o dia 8 de abril.

DA REDAÇÃO



A situação jurídica do ex-deputado José Riva pode sofrer novas complicações, que podem até mesmo levá-lo novamente para a prisão, já que conforme apontamentos do Ministério Público levam à conclusão de que ele teria mentido em depoimento na Sétima Vara Criminal, sobre o desvio de R$ 9,5 milhões dos cofres da Assembleia, investigado pela Operação Ventríloquo, deflagrada em julho de 2015 e que resultou na deflagração da Operação Filhos de Gepeto, na tarde desta quarta-feira (05).

De acordo com os promotores de Justiça do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) e do Naco (Núcleo de Ações de Competência Originária), Riva, que afirmou ter lucrado ‘apenas’ R$ 806 mil, no esquema e imputou a maior participação a outros deputados, seria o líder da organização criminosa, conforme provas irrefutáveis, como áudios gravados pelo lobista do esquema o advogado Júlio Cesar Rodrigues.

Os promotores também ingressaram com pedido de rescisão da delação premiada do advogado Joaquim Fábio Mielli Camargo, já que este também teria mentido para ocultar a participação do deputado estadual Romoaldo Junior (PMDB) no esquema.

As acusações constam no pedido que resultou na prisão, do chefe de gabinete de Romoaldo, Francisvaldo Mendes Pacheco, durante a deflagração da Operação Filhos de Gepeto.

O chefe de gabinete de Romoaldo também foi denunciado pela prática dos crimes de constituição de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.

O OUTRO LADO

Por meio de nota, o advogado Rodrigo Mudrovitsch, que faz a defesa de José Riva, reiterou as declarações prestadas por Riva perante o Juízo da 7ª Vara Criminal de Cuiabá e afirmou que as mesmas revelaram a integralidade dos fatos da exata maneira em que ocorreram.

O advogado ainda destacou a importância da contribuição das declarações de Riva para o avanço das investigações. “As declarações e informações trazidas espontaneamente por José Riva contribuíram sobremaneira para o sucesso dessa nova fase da persecução penal. José Riva vem colaborando indistintamente com diversas investigações em curso, não possuindo qualquer intento de sonegar informações ou imputar falsamente qualquer conduta delituosa a quem sabe inocente”, argumentou a defesa.

Mudrovitsch concluiu frisando que Riva está à disposição para novos esclarecimentos.

TEMPORADA NO CCC

Na última ‘temporada’ de José Riva na prisão, o ex-presidente da Assembleia passou seis meses detido no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC). Ele deixou o presídio no dia de seu aniversário 8 de abril de 2016.

Réu em diversos processos de operações como Ventríloquo, Célula Mãe, Sodoma e Arca de Noé, ele responde a mais de 100 ações cíveis e criminais. Boa parte delas por crime financeiro.

Riva foi solto diante de parecer favorável do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que revogou a prisão atendendo à alegação da defesa, que a prisão do ex-deputado não se sustentaria, porque, fora do poder, ele não teria influência sobre testemunhas, por exemplo, sendo uma ameaça às investigações e ao andamento do processo.

"OPERAÇÃO VENTRÍLOQUO"

O Ministério Público acusa o ex-presidente da Assembleia, José Riva, de chefiar um esquema que desviou quase R$ 10 milhões do Poder Legislativo para ‘bancar’ uma dívida do mesmo valor com o HSBC. Os débitos, que estavam em atraso, eram referentes ao seguro saúde dos servidores, porém, parte do valor foi supostamente desviado pelo grupo.

Segundo José Riva, vários membros da Mesa Diretora no exercício de 2014 participaram do esquema e autorizaram o pagamento de R$ 5 milhões ao banco, que cobrava débitos referentes a seguros de vida dos servidores da Casa de Leis. A ALMT pagou R$ 9,5 milhões, sendo que R$ 4,5 milhões seriam o desvio dividido entre os parlamentares. Os R$ 5 milhões que deveriam ir para o banco acabaram sendo desviados

Em seus depoimentos Riva afirmou que o esquema teria sido montado pelo deputado Romoaldo Júnior. Além dele, Riva também, apontou como beneficiários dos desvios, os deputados Mauro Savi (PSB), Gilmar Fabris (PSD), Luciane Bezerra (PSB) e Guilherme Maluf (PSDB). Todos teriam recebido valores através de ‘laranjas’.

Riva confessou sua participação no desvio, tendo recebido R$ 806 mil que teria utilizado para quitar duas dívidas com fornecedores.

 

 

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