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03 de Outubro de 2021, 07h:10 - A | A

GERAL / MESMO COM REDUÇÃO DO ICMS

Sindipetróleo diz que política da Petrobras pode "engolir" desconto ao consumidor

A redução no imposto sobre os combustíveis foi anunciada pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM),

Divulgação

Aldo Locatelli, presidente do Sindipetróleo.

Aldo Locatelli, presidente do Sindipetróleo.

WELLYNGTON SOUZA
DA REDAÇÃO



O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo), Aldo Locatelli, avaliou como positiva a redução do ICMS que incide sobre os combustíveis anunciada nessa semana pelo governador Mauro Mendes (DEM). A previsão é de que em 2022, a alíquota do diesel passe de 17% para 16% e a alíquota da gasolina de 25% para 23%. 

No entanto, apesar de classificar como um passo importante e histórico, o sindicalista afirma que esse desconto no preço dos combustíveis pode se "engolido" com alta do dólar e a política de preços da Petrobras. Além disso, pediu ponderação e citou “promessas eleitorais”, diante do cenário político no próximo ano com a possível candidatura à reeleição de Mauro.

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Mauro anuncia redução do ICMS da gasolina, gás e energia 

“Grupos de estudos foram criados com diversas entidades envolvidas e, nós e a população não fomos atendidos. Por diversas vezes, demonstramos, através de estudos repletos de dados, que o Estado perdia recursos por conta da alta carga tributária aplicada em Mato Grosso, estado altamente produtivo e com agricultura em expansão. Desde Dante de Oliveira acontecem promessas, principalmente em período eleitoral, que não foram cumpridas”, afirmou.

Conforme Locatelli, outras ações devem acompanhar a redução para o corte no ICMS ocorrer de fato. Uma das principais medidas é garantir estabilidade e até mesmo redução no preço de pauta.

“Com certeza a medida é válida, pois nos deixa mais próximos do que é cobrado em estados vizinhos, mas outras ações devem vir juntas”, destacou.

Alíquota é calculada sobre o preço de pauta

Para a revenda, a revisão da pauta também é uma demanda.

“O consumidor precisa de muito mais garantias. A estabilidade na pauta tem de ser uma delas. O Estado vem aumentando arrecadação com o aumento da pauta formada sobre a expectativa de preços no mercado. Isso precisa ser explicado ao consumidor. Mesmo que a alíquota de ICMS reduza, os preços finais podem subir por influência da pauta e da política de preços da Petrobras que continua”, ressaltou Locatelli.  

Diesel e gasolina

Com relação ao diesel, o preço de pauta precisa ser avaliado para não eliminar a redução. Por exemplo, no caso do diesel, tem-se a alíquota de 17%, sendo calculada sobre um preço base (pauta) de R$ 4,80 (2º quinzena de setembro). Chega-se ao resultado de R$ 0,81 de ICMS, por litro, sendo arrecadado. Já calculando com a alíquota de 16%, o resultado obtido é R$ 0,76, uma queda de R$0,05. Contudo, a partir deste dia 1º, vigora uma nova pauta (R$5,06). O ICMS de 16% a ser pago sobre essa nova pauta seria de R$0,80.

“Se a pauta continua subindo, o corte será engolido e, além disso, os preços oscilam devido a outros fatores também, tais como preço do dólar e preço do barril de petróleo no mercado internacional”, explicou.

Já com a gasolina, comparando as duas últimas bases de cálculo da gasolina, se a redução já estivesse vigente, o ICMS a ser pago seria de R$ 1,34, ou seja, um desconto de R$ 0,12. Contudo, com o aumento do dia 1º de outubro na pauta, passando de R$ 5,85 para R$ 6.22, o ICMS já subiria para R$1,43, eliminando maior parte do desconto (-0,09).

Mauro nega ação eleitoreira e pressão

Mauro afirmou que a redução de impostos anunciada nessa semana não foi decidida por caráter eleitoreiro ou decorrente de pressão de alguns setores. O democrata ainda respondeu às críticas do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) de que o aumento na alíquota é de responsabilidade dos governadores.

"Eu já demonstrei aqui por muitas vezes que reajo muito bem sob pressão e não tomo decisões só porque estou sendo pressionado. Já enfrentei greves, já enfrentei pressões de diversos setores e procuro fazer diálogo, procuro ouvir, entender e esse é meu dever enquanto governador", disse à imprensa.

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