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08 de Abril de 2016, 10h:45 - A | A

GERAL / A CIDADE IDEAL

Mobilidade urbana será foco do novo Plano Diretor de Cuiabá

Obras da Copa e Rodoanel são responsáveis pelas principais mudanças ocorridas na capital nos últimos dez anos. A execução dessas obras deve se adequar ao plano diretor do Município.

Assessoria

Obras da Copa alteraram drasticamente o cotidiano das pessoas.

Obras da Copa alteraram drasticamente o cotidiano das pessoas.

CELLY SILVA
DA REDAÇÃO



A mobilidade urbana será o principal tema a ser discutido na reformulação do Plano Diretor de Cuiabá, que passará por revisões ao longo deste ano e deve ficar pronto até o início de 2017. Isso decorre do Estatuto das Cidades, que recomenda que municípios com mais de 20 mil habitantes revisem seu plano diretor a cada dez anos. Além disso, cidades com mais de 500 mil habitantes devem incluir a questão da mobilidade urbana.

“O VLT está mudando todo o sistema de mobilidade urbana da cidade. Então, essa indecisão de como vai acontecer, como vai ser o sistema do modal precisa ser definido com uma certa urgência porque a cidade não pode ficar nesse caos esperando”, comenta o superintendente do IPDU.

E nos últimos dez anos, o fator que mais interferiu na infraestrutura da capital mato-grossense que completa seus 297 anos, foi a mobilidade urbana, principalmente as obras da Copa, na área urbana, e o Rodoanel, no perímetro urbano de Cuiabá, explica o arquiteto e superintendente do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá (IPDU), Benedito Libânio de Souza Neto.

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Ele ressalta que desde 2007 (quando houve a primeira e última revisão do plano diretor) para cá, a dinâmica de Cuiabá foi extremamente alterada por conta dessas obras, ainda inacabadas. Os dois projetos são tocados pelo governo do Estado.

Mesmo sendo de responsabilidade estadual, Libânio explica que a execução dessas obras deve se adequar ao plano diretor do Município. Ele avalia que isso deve ocorrer o mais rápido possível. “O VLT está mudando todo o sistema de mobilidade urbana da cidade. Então, essa indecisão de como vai acontecer, como vai ser o sistema do modal precisa ser definido com uma certa urgência porque a cidade não pode ficar nesse caos esperando”, comenta.

As obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) foram iniciadas em 2012, no governo de Silval Barbosa (PMDB) e até hoje ainda não há uma definição sobre sua conclusão pelo atual governo de Pedro Taques (PSDB).

“Eu acredito que a gente vai ter que ter mais de sete eixos temáticos. Em 2007, Cuiabá não discutiu mobilidade, discutiu sistema viário", frisou.

O rodoanel é um problema mais antigo ainda e, apesar de não estar pronto, já alterou consideravelmente o aspecto urbanístico em seu entorno. Libânio explica que “se você tem uma rodovia que passa no entorno da cidade, ela começa a aglutinar serviços. No primeiro momento são serviços pesados e de apoio, como postos de gasolina, oficinas. Mas com o passar do tempo, começa a aglutinar serviços e residências”, o que vem ocorrendo nos últimos anos e trazendo mudanças para o perímetro da capital.  

Além desses fatos, o arquiteto lembra ainda da expansão da região metropolitana de Cuiabá, que antes contava com a capital, Várzea Grande, Santo Antônio do Leverger e Livramento. Mas desde o ano passado, também conta com as cidades de Chapada dos Guimarães e Acorizal. No caso da fronteira com Várzea Grande, ocorre o fenômeno da conurbação, que é o encontro de duas zonas urbanas de cidades vizinhas, o que traz casos complexos e problema comuns, como o dilema do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), por exemplo, que rasga as duas cidades.

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Benedito Libânio é arquiteto, urbanista e superintendente do IPDU de Cuiabá. 

De acordo com o superintendente do IPDU, o Plano Diretor de 2007 contém sete eixos temáticos, como educação, saúde, infraestrutura e sistema viário. Dessa vez, esse número de temas deve aumentar. “Eu acredito que a gente vai ter que ter mais de sete eixos temáticos. Em 2007, Cuiabá não discutiu mobilidade, discutiu sistema viário. Hoje a mobilidade urbana não pode ficar de fora”, avalia o urbanista.

 

“Nós temos que pensar dentro de um conceito de uma viabilidade econômica de gestão do município. Nós temos que ter uma cidade mais econômica", pontuou.

VISÃO HOLÍSTICA DA CIDADE

Para Libânio, essa é uma questão crucial que interfere diretamente em outras questões na vida das pessoas, como a saúde, por exemplo. Libânio destaca que diariamente pessoas chegam ao Pronto Socorro Municipal com fraturas decorrentes de acidentes de trânsito. Além disso, o grande número de veículos abastecidos por combustíveis fósseis têm causado doenças pulmonares em uma parcela da população. São problemas que acarretam outros e aumentam os gastos do Poder Público e dificultam a vida das pessoas.

 

Para sanar esses problemas, a equipe do IPDU tem buscado referências em modelos de cidades pelo Brasil e mundo afora. Libânio cita exemplos de cidades como Hannover, na Alemanha, que dentro de um espaço equivalente ao bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, comporta uma população de 800 mil habitantes, graças à verticalidade das obras. É um exemplo de cidade compacta e com custos reduzidos, uma vez que o custo operacional de uma cidade se mede pelo seu território, como explica o arquiteto e urbanista.

“Nós temos que pensar dentro de um conceito de uma viabilidade econômica de gestão do município. Nós temos que ter uma cidade mais econômica. Hoje se discute muito a cidade compacta, onde a moradia vai estar perto do trabalho, tudo isso facilita muito a mobilidade urbana”, ressalta Libânio.

Dentro do Brasil, o arquiteto traz como referência as cidades de São Paulo e Curitiba, que contam com um sistema organizado de mobilidade urbana e que tem investido em meios alternativos de transporte, visando a democratização dos espaços e a diminuição dos impactos ambientais.

“Nós precisamos de formas alternativas de meios de transporte. Aqui em Cuiabá existem movimentos como o “Ciclovia Já”. Então, a sociedade está se organizando e as demandas começam a ser colocadas em prática”, comenta.

Dentro da perspectiva de democratização da cidade é que o superintendente do IPDU destaca a importância da participação da sociedade cuiabana, tanto técnicos quanto leigos, na construção do novo Plano Diretor, que norteará as ações de infraestrutura da cidade para os próximos dez anos.

Nos próximos dias, o prefeito Mauro Mendes (PSB) deverá lançar o edital de convocação das entidades públicas e privadas para se unirem em torno deste planejamento e discutir que cidade queremos e teremos nos próximos anos. 

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