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23 de Dezembro de 2014, 14h:30 - A | A

GERAL / CORRERIA

Inmetro alerta os pais: cuidado com brinquedos que têm pilha, tinta e peças pequenas

Menino de 2 anos enfiou uma bateria no nariz e quase morreu. Histórias assim se repetem

KEKA WERNECK
DA REDAÇÃO



Muitas histórias de natal poderiam ser contadas para sensibilizar crianças nesta época do ano, mas neste caso o foco são os pais e o objetivo é chamar a atenção deles para o perigo real que alguns brinquedos representam.

Uma boa história que serve de exemplo para reforçar o alerta do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) é a do menino Henrique Silva Santos, de dois anos, de Goiânia, que enfiou uma bateria no nariz e quase morreu.

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Apesar da pouca idade, Henrique conseguiu tirar a bateria de um brinquedo e enfiou no nariz, sem que os pais vissem. Por dois meses, a pilha de um brinquedo, conhecida como bateria botão, ficou alojada no nariz dele. O corpo reagiu fazendo um quadro febril, que não passava. Após seis atendimentos médicos e já em tratamento contra virose, acharam o objeto.

Histórias assim, e piores ainda, que finalizam com o óbito da vítima, acontecem com frequência em todo o Brasil, como informa a agente fiscal de metrologia do Inmetro em Mato Grosso, Suziane Marchioreto.

“Essa bateria funciona a base de lítio, que, em contato com água ou saliva, vaza. Por causa disso, causou a corrosão do septo nasal do menino (Henrique)”, explica a especialista. Segundo ela, ele poderia ter morrido se a bateria tivesse parado no estômago ou intestino, por exemplo.

Não é à toa que o Inmetro realiza a semana nacional contra os riscos da bateria botão. Pilhas, tintas e peças pequenas, que podem provocar engasgamento, causam correria dos pais rumo aos hospitais.  Bordas

"Essa bateria funciona a base de lítio, que, em contato com água ou saliva, vaza. Por causa disso, causou a corrosão do septo nasal do menino (Henrique)”, explica a especialista"

cortantes, objetos que soltam peças, tudo isso tem que ser olhado antes de decidir comprar.

Suziane Marchioreto destaca que os brinquedos, antes de tudo, devem ter selo do Inmetro e faixa etária recomendável. “Às vezes o pai acha que o filho tem três anos, mas é precoce e resolve comprar um brinquedo para ele indicado para quem tem cinco anos, mas essa indicação é importante mesmo, não deve ser desconsiderada”. Quanto ao selo do Inmetro, ela destaca que é o informe de que amostragem do brinquedo foi aprovada em análise laboratorial.

O Inmetro, neste dezembro, fiscalizou 80 estabelecimentos de Cuiabá, Várzea Grande, Chapada e Sinop, atrás de infrações às regras comerciais de brinquedos e luminárias natalinas, que também são alvos, porque, se mal utilizadas, podem causar incêndios domésticos.

Na Operação Especial “Papai Noel”, os fiscais, respaldados pela Portaria nº 108, de 13 de junho de 2005, e pela lei federal 9933, verificaram 5.605 brinquedos, 201 luminárias do tipo mangueira natalina e 890 luminárias do tipo pisca-pisca natalinas. Foram 6.696 produtos verificados, sendo cinco reprovados e 170 apreendidos.

Segundo o coordenador de Avaliação da Conformidade do Instituto de Pesos e Medidas de Mato Grosso (Ipem-MT), Bento Bezerra, “os produtos reprovados são passiveis de correção e apresentaram pequenos riscos ao consumidor. Já os produtos apreendidos mostraram erros graves, os quais não há correção, oferecendo grandes riscos ao consumidor”.

Ainda segundo ele, quem vai ganhar o presente não é um inimigo e sim uma criança amada. Então, se o preço for o motivo para comprar brinquedos arriscados, Bezerra opina que é melhor escolher algo mais em conta e seguro ou não dar nada.

O Inmetro não fiscaliza o comércio paralelo, que é considerado caso de polícia.

A gestora governamental Denise Amorim, de 43 anos, é mãe do Rodrigo, de cinco. Na hora de comprar o brinquedo para o menino, ela não deixa de conferir se tem o selo do Inmetro, idade adequada e se usa ou não pilha.

“Eu não compro se tem que usar pilhas, na maioria das vezes opto por brinquedos de madeira”. Do ponto de vista educativo, ela recusa brinquedos violentos, como armas, e prefere os que estimulam a criatividade.

A professora e assessora parlamentar Jacy Proença, de 50 anos, ex-vice-prefeita de Cuiabá, tem um histórico no movimento negro e ela observa justamente isso, ao presentear os dois filhos, quatro netos e sobrinhos.

Ela conta que, “quando meus filhos, sobrinhas e afilhadas eram menores, tinha muita dificuldade para encontrar bonecas negras”. O jeito era encomendar. “Hoje em dia ainda temos dificuldade, mas já se encontra”, garante. Para ela, esse é um aspecto educativo importante. “Devemos ensinar as pessoas como elas são. O brinquedo, em especial a boneca, ajuda muito nisso”.  

Jacy destaca também que já estamos em uma época mais além e bonecas já não são mais somente para meninas, porque os pais atuais estão a cada dia mais tomando consciência de que devem ajudar em casa, inclusive cuidando dos fihos. “O lúdico marca e muda comportamentos”.

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