GUSTAVO CASTRO
DO REPÓRTERMT
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) reagiu com dureza aos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgados nesta semana pelo Ministério da Educação (MEC). Para a autarquia, os dados confirmam a "péssima qualidade" do ensino médico no estado, onde mais de 35% dos concluintes se formam em universidades que não atingiram o nível mínimo de proficiência.
O presidente do CRM-MT, Diogo Sampaio, afirmou que a situação coloca a sociedade em perigo direto e que esses cursos devem ser fechados.
“Temos denunciado isso há muito tempo e, agora, temos um dado objetivo. Muita gente está correndo risco de vida e isso está claro”, alertou, criticando a inércia do governo em garantir conhecimentos mínimos para o atendimento à população.
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Sampaio classificou como "absurdas" as sanções aplicadas pelo MEC às instituições reprovadas. Das 99 unidades que sofrerão algum tipo de bloqueio no país, 45 serão apenas impedidas de aumentar o número de vagas. O presidente do Conselho defende que, em qualquer lugar do mundo, esses cursos seriam fechados.
Para barrar a entrada de profissionais despreparados no mercado, o CRM-MT cobra a aprovação imediata do Profimed (Exame Nacional de Proficiência em Medicina), atualmente em tramitação no Senado. O objetivo é que o registro profissional só seja concedido após a aprovação em um exame obrigatório, nos moldes do que ocorre na OAB.
Desempenho em Mato Grosso
O cenário local é considerado crítico pelo CRM-MT, especialmente em instituições privadas que apresentaram resultados insuficientes: Unic (Cuiabá) recebeu nota 2 e terá redução obrigatória no número de vagas; Estácio do Pantanal (Cáceres) obteve a nota 1, o pior desempenho do Brasil entre as 304 universidades avaliadas. Dos 26 alunos da instituição que realizaram a prova, apenas 4 foram considerados proficientes.
Universidades Federais (UFMT e UFR) foram as únicas com alta proficiência, alcançando nota 4. Unemat e Univag obtiveram nota 3, patamar que o CRM considera apenas "minimamente aceitável".
Comparação Internacional
O Conselho destaca que, enquanto no Canadá e nos Estados Unidos as provas de proficiência médica registram índices de aprovação superiores a 96%, no Brasil o índice geral de aprovação foi de apenas 67%. Diante da gravidade, o Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda uma resolução para exigir que os 13 mil alunos reprovados pelo Enamed em todo o país passem por novas avaliações antes de serem liberados para exercer a profissão.















