KEKA WERNECK
PAULO COELHO
O ex-deputado estadual José Riva (sem partido), considerado o “pai do VLT”, foi interrogado, no início da tarde desta terça-feira (10) pelos parlamentares da CPI das Obras da Copa e disse que não pode ser responsabilizado sozinho pelo empreendimento bilionário, que deveria ser concluído antes da Copa do mundo em 2014, mas que até hoje não foi entregue à população.
“Deputado não pode responder pelos erros na execução da obra, quem vai responder é o Executivo”, diferenciou.
Junto à imprensa, já de saída da sala de oitivas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), Riva apontou também como responsáveis pela escolha do modal os lobistas Éder Moraes, que foi presidente da Agência de Execução de Projetos da Copa de 2014 (Agecopa), e Rowles Magalhães, que na época de decisão sobre a obra bilionária atuou como representante do Fundo Infinity, que doou o projeto do VLT. Rowles era assessor especial do então vice-governador Chico Daltro (PSD), outro citado por Riva, que envolveu ainda o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Ricardo, na época deputado estadual, também pelo PSD.
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Riva carrega o título de “pai do VLT” por ter sido o maior defensor do trem urbano na época de decisão sobre qual seria o melhor modal para Cuiabá receber a Copa do Mundo. O modal seria para melhorar o trânsito na capital mato-grossense, mas até hoje, como já é público e notório, não está concluso, atrapalhando as vias públicas, ao invés de desafogá-las.
Na época da escolha, a disputa era entre o BRT e o VLT.
Quatro anos depois disso, estudo encomendado pelo atual governo apontou que o VLT foi uma escolha absurda, cara para os cofres públicos e ineficiente para atender as reais necessidades dos usuários do transporte coletivo na Grande Cuiabá.
Riva segue afirmando que o VLT é o melhor modelo e o erro todo foi do Executivo. “Deputado não pode responder pelos erros na execução da obra, quem vai responder é o Executivo”, diferenciou.
“É uma oportunidade de mostrar minha participação (na escolha entre VLT e BRT) que foi política por acreditar no modal e acredito nisso até hoje”, ressaltou sobre a oitiva desta terça.
Um mês após conseguir habeas corpus e sair, de tornozeleira, do sistema prisional, o ex-parlamentar que é acusado de desviar milionárias quantias dos cofres da AL, garantiu que não se incomodou em ir prestar esclarecimentos, na AL, a qual presidiu por mais de 10 anos. “É uma oportunidade de mostrar minha participação (na escolha entre VLT e BRT) que foi política por acreditar no modal e acredito nisso até hoje”, ressaltou.
Questionado sobre a suposta propina que teria sido paga para descarte do modelo BRT em favor do VLT e o Consórcio VLT, conforme denunciou Rowles ao UOL Esporte, ele negou saber qualquer coisa sobre este assunto. “Eu nunca tive essa conversa com o Rowles, nunca tive essa conversa sobre isso com o Éder, nunca participei dessa conversa, houve a pergunta ali (durante a oitiva), mas eu não tive participação nenhuma não só nessa obra do VLT, especialmente com esses elementos que foram citados, Éder, Rowles, o Sérgio Ricardo e o Daltro”, assegurou.
Segundo Riva, o trabalho dele se deu no campo político. “Vim aqui, na Assembleia, defender o VLT, nunca fui a Brasília, nunca participei de reunião com ministro, não sei como isso foi feito, não sei quais os estudos que fundamentaram a troca de modal, não sei como foi feita a troca, se de forma legal ou ilegal, mas continuo afirmando que o VLT é a melhor opção, a questão é concluir a obra e obviamente o modelo de licitação, RDC que, para mim, é um modelo que nasceu ultrapassado, morto”, se esquivou.
“Mas admito que temos que ter muito cuidado, e ele (Taques) está fazendo a coisa certa, é o zelo que realmente deve ter”, comentou.
Riva aproveitou a circunstância para “bater e assoprar” na conduta do atual governador Pedro Taques (PSDB), que, na visão dele, está demorando demais para recomeçar a obra. “Mas admito que temos que ter muito cuidado, e ele (Taques) está fazendo a coisa certa, é o zelo que realmente deve ter”, comentou.
Sobre os vagões comprados em excesso, conforme evidenciou estudo encomendado por Taques, Riva disse que as informações disponíveis à época indicavam que essa quantidade era necessária. “É difícil acreditar que um governo vá comprar carros a mais do que os necessários, não acredito nisso”, opinou, descartando que teria sido com más intenções.















