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15 de Março de 2016, 19h:20 - A | A

POLÍTICA / ANÁLISE

Políticos foram 'bem aceitos' em protesto; PF e Judiciário se fortaleceram

Analista político, João Edisom, faz uma análise dos acontecimentos e diz que postura 'apartidária' é 'covardia' para não assumir responsabilidades.

RepórterMT

Professor da UFMT João Edisom diz que é preciso olhar os fatos 'do lado de fora'.

Professor da UFMT João Edisom diz que é preciso olhar os fatos 'do lado de fora'.

KEKA WERNECK
DA REDAÇÃO



O Judiciário e a Polícia Federal saíram ganhando com os protestos que aconteceram no Brasil neste domingo (13) durante todo o dia pelo impeachment da presidente Dilma Roussef (PT), na opinião do analista político e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), João Edisom.

Segundo ele, a diferença entre as demais passeatas e a de Cuiabá é que, fora de Mato Grosso, políticos que se arriscaram a comparecer aos atos “apartidários” foram em geral hostilizados e aqui bem aceitos. É o caso dos tucanos Aécio Neves (senador) e Geraldo Alckmin (governador de São Paulo), vaiados e xingados na avenida Paulista, e de Pedro Taques (governador de Mato Grosso), também tucano, que se misturou aos manifestantes, na avenida Getúlio Vargas, assim como o senador Blairo Maggi (PR).

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“Aqui foi um pouco diferente do nacional, como Rio e São Paulo. Na nossa passeata tinha vereadores e deputados, em São Paulo não teve. Quando foi identificado algum politico, a vaia foi muito forte, não teve agressão, mas vaia sim, contra Aécio e outros, o Alckmin, Bolsonaro, que começou a fazer um discurso, tinha um grupo apoiando e batendo palmas para ele e um outro grupo começou o vaiá-lo e ele teve que parar”,  destaca o professor.

Em Cuiabá, há notícias de que apenas o deputado federal Fábio Garcia (PSB) foi vaiado. Um vídeo circula nas redes sociais confirmando a cena.

Para João Edisom, que fez uma análise política dos protestos a pedido do , ainda na “ressaca dos acontecimentos”, Taques leva vantagem dos outros políticos porque vem do Ministério Público Federal (MPF), tendo sido procurador e, para o professor, quem ganhou destaque nas manifestações foi o Judiciário e a Polícia Federal.

“Quem ganhou? Foi a Justiça, na figura do Moro, e as instituições investigativas. A oposição levou alguma vantagem? Nenhuma”, opina.

Apesar de reconhecer o importante papel da Justiça, o professor diz ter ressalvas quanto ao que ele chama de “política excessiva do Judiciário”. Ele diz ainda que não concorda, por exemplo, com a condução coercitiva do ex-presidente Lula.  “Eu não gostei das atitudes contra o Lula, achei exageradas, não precisava disso. Não gosto da Justiça se metendo nesse vácuo político. Só que o pessoal na ruas terminou aprovando essas atitudes, que para mim estão completamente fora.  A lei é igual para todo mundo? Sim, óbvio, mas as pessoas são diferentes perante a lei, prova disso é que o tratamento da criança é uma coisa, do idoso da terceira idade é outra, da mulher é outra, do adulto é outra, das adversidades são outras, se a pessoa está doente por exemplo, vai ter outro tratamento perante a lei. Então ex-presidente é ex-presidente, não importante se chama Lula, Sarney ou o nome que for, ele é um ex-presidente, não é um cidadão comum, então é bobagem dizer que a lei é igual para todos,  porque não é”.

Segundo ele, a enorme e significativa manifestação deste domingo, vai acelerar o trâmite do processo de impeachment no Congresso Nacional e a devassa aos políticos conhecidos.

“Quem ganhou? Foi a Justiça, na figura do Moro, e as instituições investigativas. A oposição levou alguma vantagem? Nenhuma”.

PERFIL

Ainda na opinião de João Edisom, se as diferenças foram poucas entre os protestos, as semelhanças foram muitas. Ele afirma que os manifestantes nas ruas da capital mato-grossense, assim como os da avenida Paulista, fizeram uma “passeata excessivamente branca”.  O Data Folha investigou o perfil do público presente na Paulista e identificou que a maioria, além de ser branca, ganha de R$ 800 a R$ 8 mil por mês. Está empregada. Se diz apartidária. “O morro não desceu para a rua, a periferia não foi ao Centro, isso é fato. Quem estava caminhando não está desempregado, as pessoas que estavam nas ruas são as pessoas que pagam carnê, querem ascender socialmente, são escravas da CVC para viajar, querem ir ao cinema, consumir”, destaca.

Sobre a maioria dos manifestantes se dizer “apartidária, João Edisom critica. “Se dizem apartidárias, mas não sabem que são partidárias, este é o problema. Dizer que não tem partido também é uma forma de tomar partido, uma forma de fazer política, que eu considero um pouco covarde. Você quer fazer algo e não quer ter responsabilidade sobre aquilo. Essa coisa paira sobre o Brasil”.

O analista ressalta que, apesar da presença de parlamentares e chefes de Executivos,  os partidos constituídos tiveram um afastamento dos protestos.

REIVINDICAÇÕES

Outra coisa que João Edisom observa é que, desde junho de 2013, quando ocorreram as primeiras manifestações de grande porte, até agora, a pauta de reivindicações reduziu. “No início, eram muitas demandas, especialmente o transporte público, saúde e tudo que incomoda o brasileiro na rotina.  Agora o foco é anti-corrupção. Anti-Dilma, anti-PT, anti-Cunha. Em São Paulo, embora a Globo não tenha mostrado tinha muito cartaz pedindo melhorias na merenda e no metrô”.

"A grande verdade é que partidos políticos governistas ou não e o Judiciário estão completamente perdidos neste país”.

A análise política dos acontecimentos, segundo João Edisom, não é uma tarefa fácil, muito menos ainda no calor dos fatos.  “Precisa olhar de fora. Se você mergulhar dentro, você mergulha muito na intenção partidária, que macula as poucas verdades que a gente consegue extrair. E a grande verdade é que partidos políticos governistas ou não e o Judiciário estão completamente perdidos neste país”.

Nesse contexto, ele pensa que a população escolheu um lado para ir às ruas. “Como estão todos perdidos, vou optar pelo Judiciário, com o sentimento de vingança da sociedade, com o pensamento de que preciso me vingar, porque trabalho que nem um doido e pago milhões em impostos”. 

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Fabiano 16/03/2016

Esse "analista" é uma piada ķkkkkkk.Político bem aceito? vivemos a maior crise de credibilidade dos políticos na história do Brasil, não está sobrando em quem votar, pois todos estão comprometido com um sistema corrupto.

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1 comentários