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Cuiabá, 16 de Junho de 2026
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12 de Novembro de 2013, 22h:55 - A | A

POLÍTICA / O CAPO

Juiz Julier afirma que Arcanjo, antes da prisão, \'governava\' MT

LAÍSE LUCATELLI
Midianews



O juiz federal Julier Sebastião da Silva afirmou que o Estado de Mato Grosso era governado pelo ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, antes da deflagração da Operação Arca de Noé, em dezembro de 2002.

A declaração foi feita durante entrevista ao programa "Conexão Poder", exibido no domingo (10), na TV Rondon (SBT).

Arcanjo, que foi condenado no dia 24 de outubro passado pelo assassinato do jornalista Sávio Brandão, fundador do jornal Folha do Estado, já foi condenado por outros crimes e cumpre pena no Presídio Federal de Segurança Máxima de Porto Velho (RO).

Ele ainda pode ser julgado por mais seis assassinatos e uma tentativa de homicídio.

“Eu nunca tive medo de decidir, pois juiz é para decidir. O dia em que o juiz tiver medo de decidir pode mudar para outro lugar. Já tivemos isso muito aqui no Estado, e tivemos um júri agora muito significativo. Há 11 ou 12 anos atrás, o comendador [Arcanjo] era governador do Estado. O cara que mandava, sem ter voto e sem ter direito a isso. Naquela época, se não tivéssemos tomado as decisões que tomamos, nem estaríamos aqui, hoje, conversando sobre o governador verdadeiro da época”, afirmou.

Julier Sebastião foi o juiz federal que autorizou a Operação Arca de Noé e trabalhou em conjunto com o então procurador da República, hoje senador Pedro Taques (PDT), além da Polícia Federal e do Ministério Público Estadual (MPE), entre outros órgãos.

Questionado sobre quem foi o responsável pela prisão de Arcanjo, já que Taques capitalizou politicamente com o fato, Julier afirmou que várias instituições contribuíram para isso.

"Os responsáveis pela prisão do Arcanjo foram os agentes do Estado brasileiro, representados pelo juiz federal, pelo procurador da República, Polícia Federal, promotores de Justiça, auditores da Receita Federal e do Banco Central, e pelos servidores da Justiça e dos órgãos que fizeram cumprir suas determinações constitucionais", disse.

Combate ao crime

Para o magistrado, essa operação foi pioneira no país e serviu de exemplo de como combater o crime organizado, com cooperação entre diversas instituições.

“A Operação Arca de Noé é o primeiro exemplo no país de como as instituições podem trabalhar cooperando para eliminar o crime organizado no país. Ela foi a primeira. As outras operações que estamos vendo hoje são cópias aperfeiçoadas do que foi o nosso caso, que serviu de inspiração para que o Estado brasileiro tivesse um procedimento para trabalhar contra o crime organizado”, disse.

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