VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
A advogada Dayane Karol Moreira da Silva, presa hoje (30) durante a Operação Replay, mantinha R$ 15.250 em dinheiro vivo, joias aparentemente de ouro, seis aparelhos celulares e um veículo Toyota Corolla Cross em sua residência, em Cuiabá.
Os materiais foram apreendidos durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO), que investigam um esquema de ocultação de patrimônio milionário ligado à facção criminosa comandada financeiramente pelo tesoureiro Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como W.T.
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De acordo com o boletim de ocorrência, Dayane não foi localizada na residência quando os policiais chegaram para cumprir o mandado de prisão. A busca foi acompanhada por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Após novas diligências, equipes da Draco e da GCCO conseguiram localizar a investigada em um condomínio no bairro Porto, em Cuiabá, onde cumpriram o mandado de prisão.
No imóvel, que, segundo a própria advogada, pertence à irmã dela, também advogada criminalista, foram apreendidos um celular, um notebook, um token, dois cadernos com anotações, uma corrente de cor dourada, uma balança de precisão, pacotes contendo comprimidos e um veículo Hyundai Creta branco.
No momento da prisão, Dayane estava acompanhada do filho de oito anos. Ela foi autorizada a telefonar para a mãe, que compareceu ao local e ficou responsável pela criança.
Em seguida, a advogada foi conduzida à delegacia com todo o material apreendido.
Segundo a Polícia Civil, Dayane utilizava sua atuação profissional para formalizar negócios imobiliários em nome de terceiros, conferindo aparência de legalidade a imóveis adquiridos com dinheiro da organização criminosa. Conforme o delegado Victor Hugo Caetano, da GCCO, ela atuava como procuradora de imóveis registrados em nome de pessoas interpostas na cidade de Itapema (SC), ocultando patrimônio pertencente ao tesoureiro da facção.
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A Operação Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra e foi deflagrada pela Draco e pela GCCO para desarticular o núcleo financeiro da organização criminosa. Ao todo, foram cumpridas 55 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande, Rio de Janeiro, Itapema, Balneário Camboriú e Camboriú. As equipes apreenderam nove imóveis, seis veículos e cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão.
As investigações apontam que Paulo Witer Farias Paelo, mesmo preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), utilizava celulares dentro da unidade para determinar a compra de imóveis, movimentações financeiras, ocultação de patrimônio e outras ações em benefício da facção. Segundo a Polícia Civil, integrantes do grupo utilizavam contas bancárias de terceiros e operadores financeiros para esconder recursos provenientes, principalmente, do tráfico de drogas.
A estimativa é de que aproximadamente R$ 20 milhões em patrimônio tenham sido sequestrados durante a operação. Entre os bens bloqueados estão três imóveis de alto padrão em Santa Catarina, incluindo um apartamento de frente para a praia em Balneário Camboriú e uma residência em condomínio de luxo, avaliados em cerca de R$ 6 milhões.
Além de Dayane, também foram presos Emerson Ferreira Lima, conhecido como "Gordão", apontado como principal operador financeiro de W.T.; Alex Júnior Santos de Alencar, o "Alex Soldado", considerado um dos principais homens de confiança do tesoureiro da facção e responsável por atividades de lavagem de dinheiro; e Brunno Passos da Silva, ex-assessor do vereador Jefferson Siqueira (PSD).
Os quatro passaram por audiência de custódia nesta quinta-feira (30). A Justiça homologou as prisões e manteve todos os investigados presos.
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