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26 de Dezembro de 2014, 08h:44 - A | A

OPINIÃO /

Vem chegando 2015

Difícil para aqueles que cultivam a extrema solidão de final de ano é o abandono de si próprio

MARGARETH BOTELHO



Cantor e compositor Chico Buarque sabiamente diz que a grande solidão não é a da falta de pessoas em volta da gente, mas a solidão da alma. Com a proximidade da virada de mais um ano, esse sentimento costuma bater forte. Uma sensação de que não se fez nada e uma preguiça doída diante do inevitável: enfrentar outros 12 longos meses. Difícil para aqueles que cultivam a extrema solidão de final de ano é o abandono de si próprio. Ao mesmo tempo em que o mundo explode em fogos de artifício, o coração aperta. Afinal como sobreviver à felicidade dos outros, se a vontade é dormir na noite de 31 e só acordar no dia 2?

Embora o pensar individual deve ser respeitado, mais triste do que enfrentar a solidão da alma é buscar paliativos para pular o ano. Enquanto alguns se afundam em incontáveis goles de bebida, outros se veem cercados de estranhos simplesmente porque foram arrastados para um lugar com o qual nem se identificam. Voto vencido na turma cheia de boas intenções que te cutuca e te arrasta. Onde já se viu ficar sozinho? Te pegamos e vamos rodar por aí. E você acaba indo, fazer o quê, né!

Mas cá entre nós. A solidão nem sempre é opção de vida e pode ser resultado do mais puro comodismo; da falta de coragem para encarar mudanças, mesmo estando louco de vontade de se transformar. A baixa estima provoca situações assim. Às vezes a pessoa é aceita socialmente porque parece alegre, tipo boa companhia. Mas, sozinha com seus pensamentos, se rejeita. Falta esperança. Falta principalmente força para se perdoar.

Caso se enquadre nesta situação, ou seja, do solitário que no fundo gostaria muito de ser amado e não se sente merecedor, não fique triste. Lembre-se que há tempo para tudo. Rever conceitos, rever atitudes. Consciente de que a simples virada do calendário não devolverá o que perdeu de bobeira, troque a tristeza pela alegria, a saudade pelas boas lembranças, o desprezo por si próprio pelo cuidado com seu corpo e alma. Acredite ser merecedor porque só vai conseguir dar e receber amor quando tiver amor por si.

Aprendi, e divido minha experiência, que a vida deve ser celebrada, ainda que se chore pela impossibilidade de realizar tudo que gostaríamos. As coisas são assim. Você fala de um jeito e a pessoa entende de outro ou vice-versa. Você planeja algo e é surpreendida com um acontecimento inverso. Longe de ser exemplo e nem dar receita no estilo autoajuda, na vida o legal é tentar se libertar de tudo que não aprovamos. Palmas para quem têm facilidade de se adaptar a diversas situações, entretanto, não perder a capacidade de reagir é por demais precioso.

Olhando para dentro de mim, digo que pretendo resgatar meus sonhos em 2015, repetindo que cada um de nós é forte o suficiente para superar adversidades. E confesso com total sinceridade: 2014 me ensinou várias lições e termino este ano com a minha sensatez recuperada e com o coração em paz.

MARGARETH BOTELHO é jornalista.

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