RODRIGO RODRIGUES
Acompanhando as últimas notícias de Mato Grosso daqui das montanhas de Minas, lembrei-me de um artigo que escrevi ano passado com o título “A arca de Noé”. Naquela época ainda não havia sido deflagrada a Operação Ararath pela Polícia Federal. Ararath, para quem não sabe, é o morro onde a arca de Noé atracou após o dilúvio.
O artigo não tinha nada a ver com a operação da Polícia Federal, que levou o mesmo nome e prendeu o bicheiro Arcanjo, muito menos com a última operação, porém observando daqui de cima do morro, notei que há algumas semelhanças em se tratando de determinadas personalidades e possíveis crimes cometidos.
No artigo, referia-me ao grupo em torno da possível candidatura do senador Pedro Taques ao governo do estado devido a sua incompatibilidade e diversidade, pondo lado a lado inimigos históricos e adversários que se enfrentaram nas urnas recentemente e, até mesmo, pessoas investigadas pelo Ministério Público Federal, do qual o senador era membro há três anos atrás. O palanque que Taques vem tentando formar, tem uma fauna tão diversa quanto questionável do ponto vista moral.
Como já era previsível, o tal grupo que chegou a ser chamado de Mato Grosso Muito Mais, versão turbo, não passará do verão.
De um lado está a turma da botina, que sonha com o dia em que assumirá o comando do estado sem precisar compor com os “nativos” e, assim, exercerem todo seu complexo de inferioridade se abastando com o dinheiro público. Com a negativa de Blairo Maggi em concorrer e com medo de perderem o poder, parte dos botinudos grudou em Pedro Taques.
A maioria, começando pelo dublê de presidente do PDT, Zeca Viana, não passaria pelo crivo de uma justiça séria ou por uma investigação mais profunda. Ele e seus irmãos se assemelham mais a um grupo de bandoleiros, desprovidos de qualquer senso de moral, do que de uma família.
Esse grupo, influente e íntimo do senador Taques, é o mesmo que está no poder há quase doze anos. São basicamente os mesmos que elegeram Blairo Maggi. São eles: Percival Muniz, Otaviano Pivetta, Mauro Mendes, Adilton Sachetti e, agora, Wellington Fagundes e Maurício Tonhá, ou seja, PR, PPS, PSB e, na outra ponta esticando a corda, o DEM, que também foi um dos pilares que sustentou a candidatura de Maggi.
Jayme Campos já disse que não abre mão do senado, Percival quer a mulher de vice, o PR quer o senado e ainda tem o PTB, que sonha com o senado ou a vice e o PSB, que mesmo enfraquecido e esvaziado com a saída do deputado Valtenir Pereira, exige uma vaga na majoritária, pois comanda o governo da capital, em que pese o prefeito estar envolvido em denúncias gravíssimas de fraudes.
Pedro Taques, que é especialista em bater esconder a mão, já viu que essa conta não vai fechar e de olho nos milhões do agronegócio, escalou o “guaxeba”do Zeca Viana para provocar um racha, ou alguém com o mínimo de inteligência acha que esse pelego daria uma declaração em nome do grupo sem anuência de Taques? Nem pensar, tatu não sobe em toco.
Em minha opinião Taques já escolheu seu lado, só não sabe ainda como sair fora. Vai compor com a turma do Blairo, dando a senatória para o Wellington Fagundes. Em suas contas vale à pena perder o DEM e o PSDB, pois nenhum dos dois tem nome para disputar o governo, não seria risco algum, e a grana dos butinudos compensaria qualquer desgaste de compor com o grupo, que diretamente, é o responsável por tudo de ruim que aconteceu em nosso estado nos últimos dez anos, incluindo roubo de dinheiro público, em outras palavras, tudo aquilo que o ex-procurador federal, agora senador, dizia que combatia e combate.
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, caso sem solução e difícil de explicar para os eleitores. Soma-se isso ao fato de Pedro Taques nem concluir seu primeiro cargo eletivo, praticamente abandonando o senado na metade, desprezando milhares de pessoas que o elegeram para um mandato de oito anos. O eleitor que votou nele sabe quem é seu suplente, que assumirá uma importante cadeira no senado. Teria o suplente de Taques pelo menos dez por cento dos votos que ele teve?
Se o senador se alinhar com a turma da botina, coisa que eu acho que fará, estará jogando uma pá de cal em cima dos sonhos da cuiabania, que com certeza se sentirá traída, pois desde da morte de Dante de Oliveira almeja o retorno de um legitimo cuiabano ao Palácio Paiaguás.
A cada dia que passa o Mister Hyde vai assumindo de vez a personalidade do Dr. Jekyll. Pedro Taques entrou na roda e vai tornando-se “bananinha de bulicho”. Enquanto isso, a arca de Noé vai navegando em mares turbulentos rumo ao monte Ararath. Façam suas apostas, a roleta está girando no cassino eleitoral. Vamos ver que bicho vai dar!
















