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07 de Maio de 2016, 15h:24 - A | A

OPINIÃO /

O calote de Taques e a resistência dos servidores

O RGA é um direito constitucional, consagrado no artigo 147 e regulamentado em lei Estadual.

Divulgação

Eduardo Matos é analista de desenvolvimento econômico e social do Estado, graduado em História e Mestre em Política Social pela UFMT.

Eduardo Matos é analista de desenvolvimento econômico e social do Estado, graduado em História e Mestre em Política Social pela UFMT.

EDUARDO MATOS



Em menos da metade de seu mandato o governador Pedro Taques parece já ter conseguido ter jogado uma pá de cal nas ilusões que muitos mato-grossenses tinham com o seu governo. 

Até esse momento o governo parece andar olhando para o retrovisor e sempre buscando a culpa nos outros para justificar sua incompetência em governar. Pois se é verdade que o país se encontra em uma crise econômica e política, por outro lado, o que não se consegue sustentar são os discursos de um governo que prometia ser legalista e transformador, mas que na verdade, vem fazendo o mais do mesmo daquilo do que há de pior na política.

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A última do governo foi jogar a culpa da crise nas costas do servidor público do poder Executivo. Segundo anunciou em reunião com o fórum Sindical nessa última sexta feira, o governo não pretende pagar o RGA dos servidores nesse mês, pois segundo o mesmo, não existe dinheiro em caixa e que se o mesmo concedesse faltaria dinheiro para honrar os pagamentos em dias.

Mas esse discurso não condiz com a realidade e nem com os discursos realizados pelo próprio governo. Segundo o FIPLAN que faz a contabilidade oficial tanto da receita como das despesas do Estado, se comparando o mesmo período de 2015 à 2016, de janeiro a abril teremos um aumento considerável na receita de mais de 768 milhões de reais. 

Se ainda acrescentarmos que no discurso o governo diz que tem diminuído os custos e vem acabando com a corrupção do governo passado, isso faz crer que não teríamos problema no pagamento do RGA, pois no governo Silval que esteve enlameado na corrupção o pagamento do mesmo nunca foi problema. 

A verdade é que os argumentos do governo que são frágeis e o recente escândalo na SEDUC, onde um esquema de fraudes à licitações nas obras de reformas de escolas da secretaria apontaram que o prejuízo aos cofres públicos pode ter ultrapassado em 56 milhões de reais e demonstra claramente que a corrupção em nosso Estado continua livre, leve e solta.

Mas não é só esse discurso que tá indo por terra. O discurso do governo da legalidade segue o mesmo caminho, afinal o RGA é um direito constitucional, consagrado no artigo 147 e regulamentado em lei Estadual. Mas o governo da legalidade teima em desrespeitar a constituição. 

Tenta usar em sua defesa a Lei de Responsabilidade Fiscal no intuito de dizer que o Estado já está atingindo o teto de gastos com a folha salarial que a LRF estipula. Acontece que nesse ponto específico a lei também favorece o servidor público, pois no seu artigo 37 ele abre algumas exceções, entre elas, assegura o direito da Revisão Geral Anual. 

Como percebe não há motivo para o calote que o governador quer dar ao servidor público. A verdade é que desde o início do ano ele vem enrolando o Fórum Sindical. O governo nunca teve interesse em oferecer o RGA de 2016, pois seu interesse parece caminhar pra outro lado, porque quando foi sugerido ao mesmo a taxação das commodities do agronegócio, esse se apressou em ir até a 9º Edição da Parecis SuperAgro, dizer para uma plateia de produtores ligado ao agronegócio que o governo descarta taxar o setor e que os mesmo continuarão usufruindo das vultuosas isenções fiscais. 

Enquanto os grandes tem tudo do rei, o lado mais fraco sofre com ataques aos seus direitos e arrocho salarial, mas uma coisa é certa: o governador pode esperar uma grande resistência por parte dos servidores públicos. No próximo dia 10 de maio ocorrerá uma grande assembleia unificada que poderá decretar uma greve geral histórica que a décadas não se via no Estado. 

É verdade que os servidores terão que enfrentar uma situação nada fácil, pois bem mais do que enfrentar o governo Taques, terão que enfrentar  uma estrutura estatal que estará a serviço de fragilizar e aniquilar sua luta, sem contar que em muitos casos os servidores terão que passar por cima inclusive de suas direções sindicais acostumadas em fazer um sindicalismo de conciliação e de tapinha nas costas. 

Mas a luta é a melhor professora e, com certeza, os servidores conseguirão superar todos esses obstáculos e bem mais do que conquistar sua pauta imediata, poderão estar nos trazendo como maior conquista a volta de sindicalismo combativo e classista em nosso estado.

 

 

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Silvia Nascimento 09/05/2016

Parabéns meu colega pela matéria. Vamos a luta!

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NILSON 09/05/2016

Jefferson Arruda, parabéns pelo seu comentário!!! Se o Governador estivesse disposto a regularizar despesas com pessoal (e não apenas a punir o servidor público do Executivo) teria: 1) removido os professores ociosos lotados na SEDE da SEDUC para as salas de aula (economizando com os contratos de professores interinos); 2) revisto as leis de carreira de Gestores Governamentais e Controladores do Estado (para barrar a progressão para o fim da carreira com apenas 03 anos); 3) garantir o pagamento da VI apenas para os TAF lotados em Postos Fiscais e para aqueles que trabalham em condições de insalubridade e perigo; 4) diminuído e não aumentado os DGA's (tanto em quantidade, como em valores); já é o suficiente para sobrar a migalha do RGA para quem REALMENTE trabalha!

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JOAO PAULO CORREA DE ARAUJO 08/05/2016

Esse povo tem que tomar vergonha na cara, se não jogar nas costas do servidor publico, principalmente aquele que ganha bem, vão ter que aumentar os impostos e jogar nas costas do contribuinte que está ficando sem emprego por causa da crise ou dos empresários e terminar de destruir a economia do estado e ai não pagar os salários dos servidores mesmo.É justo que o servidor publico -- sendo que a maioria nem trabalha -- pagar a conta para não jogar na conta do povo que é o principal prejudicado.

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ACONTECEU TA NO RAUL 07/05/2016

Vou repassar uma receita para equipe econômica do governo arrumar dinheiro para o Estado de Mato Grosso, é só extinguir ou fazer fusão de pastas como SECITECI, SEJUDH, SEC, MT-PAR, METAMAT, AGEM, assim é menos despesa de custeio(aluguel, água, energia, telefonia, prestadores de serviço, etc) cargos comissionados. Então fica a dica para a equipe econômica agora eis a questão é falta de competência ou má vontade...

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Jefferson Arruda 07/05/2016

Estamos vivendo o governo da incoerência, incompetência e das falácias. Incoerência por se rotular como o "Grande legalista" e observar a constituição apenas quando lhe convém,e rasgar a constituição quando o julgar o assunto inconveniente. Incompetência por não conseguir se programar financeiramente em um ano para cumprir seus compromissos com a recomposição inflacionaria de seus trabalhadores. Falácias,ao afirmar que Estado de MT não tem condições de honrar com seus compromissos com seus funcionários. Parabéns José Pedro Gonçalves Taques

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5 comentários