Cuiabá, 16 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
16 de Setembro de 2026

22 de Dezembro de 2017, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / ROBERTO DE BARROS FREIRE

Não há bons exemplos

Não nos torna bons, mas espertos.

Divulgação

Roberto de Barros Freire é professor do Departamento de Filosofia da UFMT

Roberto de Barros Freire é professor do Departamento de Filosofia da UFMT



Nossa educação, ao invés de formar, seria mais apropriado afirmar, deforma nossa população.

E não me refiro apenas à educação escolar, que é uma lástima à parte, mas também aquela educação comum, que se adquire pela convivência e observando os demais.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Ela não nos educa para sermos cidadãos, mas consumidores. Não nos torna sábios, quando muito sabidos.

Não nos torna bons, mas espertos. Inibe o desenvolvimento de autonomia e promove o individualismo estreito e medíocre.

 

Somos feitos para sermos contribuintes passivos e dependentes da tutela do Estado, e voltarmos nossas atenções para o sucesso próprio.

Não temos bons exemplos nas autoridades públicas, inúmeras delas suspeitas de crimes para mim hediondos, pois não há nada mais odiento do que roubar o povo, inclusive elas próprias.

Não temos boas escolas para tirar a ignorância de tantos, nem temos instituições confiáveis, o que torna possível apenas a desconfiança de tudo e de todos.

Não ter bons exemplos a serem seguidos, acarreta que cada um siga seu próprio instinto de sobrevivência, na selva da multidão sem lei confiável, sem certeza de justiça e quase sem esperança de honestidade.

E assim, sem saber exercer a cidadania, sem crença no Estado e suas instituições para garantir a justiça que acredita ter direito, cada um de nós pratica a justiça com as próprias mãos, e o resultado é um só: uma injustiça generalizada.

E a violência que só aparece onde está ausente o poder – e ninguém consegue deixar de perceber a ausência do Estado para garantir nossa segurança para todo lado – prevalece se expandindo por toda parte.

Eu que não posso muito, gostaria de me juntar a outros por uma campanha pela honestidade.

A desonestidade é o vício que degenera as Repúblicas, logo, sem sermos honestos e cobrarmos honestidade dos demais, não conseguiremos algum governo decente, nem ao menos o mínimo de confiança mútua para termos uma República autêntica: um Estado voltado para promover o bem comum e com cidadãos participativos.

Mais do que autoridades competentes, devemos exigir antes autoridades honestas.

De resto, se possível, Feliz Natas a todos!

ROBERTO DE BARROS FREIRE é professor do Departamento de Filosofia da UFMT.

[email protected]

Comente esta notícia