Com a aprovação da reforma trabalhista, os empregados e empregadores se libertarão do excesso de regulamentação das relações de trabalho pelo Estado e de grande parte da tutela das relações trabalhistas pela Justiça do Trabalho.
Quem sabe dos seus problemas, aflições e soluções são as partes que podem perfeitamente resolver a maioria deles sem quaisquer interferências.
O Estado Brasileiro é um polvo que estende seus tentáculos nas relações individuais e coletivas.
Regulamenta-se tudo e todos, como se o cidadão fosse um tutelado, um curatelado; em suma, imbecil que não sabe tomar conta da sua vida, dos seus atos e atribuições.
Para tudo tem uma lei ou um decreto estabelecendo como proceder, como decidir e como se portar.
Para se ter uma ideia deste exagero, a Constituição dos EUA, em vigor desde o ano de 1789, tem 7 artigos e 27 emendas. E a do Brasil, em vigor desde o ano de 1988, tem 250 artigos e 96 emendas.
Esta interferência foi agravada pelo exercício do Poder pela esquerda. Até a imprensa ela quis tutelar. Deu no que deu.
O Brasil precisa de um reformador! Fale o que quiser do atual presidente de República, mas não lhe pode tirar o mérito de ter iniciado as reformas que o País clama há muito tempo.
A reforma trabalhista está aprovada, sancionada, publicada e com vigência prevista para dentro de 120 dias.
Os puristas vão achar defeitos, mas qual a lei que não os têm. Quem conhece colegiados, principalmente, parlamentos sabe das suas idiossincrasias e dos seus percalços. Entra um elefante (projeto de lei) sai uma formiga (a lei).
Entra uma formiga sai um elefante. Romperam-se, entretanto, as barreiras de uma legislação arcaica e ultrapassada, cabe ao tempo e aos legisladores aperfeiçoá-la.
É urgente reformar a Previdência, pois sem ela a insolvência se tornará um buraco sem fundo. Isto tem acontecido em todo o mundo, principalmente em decorrência do aumento da faixa etária da população.
A reforma tributária já tarda, onde não se pode prescindir da desoneração da folha de pagamento e diversos impostos e encargos diretos e indiretos cuja incidência indiscriminada engessa a economia.
Estamos pagando caro pela reforma política que, se já tivesse sido feita, nos livraria da maioria dos escândalos e prejuízos que assolam o País.
Como faz falta Roberto Campos, que sempre pregou a economia de mercado e a mais completa desregulamentação, mas que nunca foi ouvido.
Ficamos parados vendo a banda passar por tanto tempo que perdemos o inexorável caminhar da história.
O mundo está lá na frente e nós estamos aqui marcando passo. Urge que peguemos imediatamente o próximo trem! Não temos mais tempo!
Urge destravar o Brasil. É necessário deixar o País e o povo respirarem.
Que o Estado se limite a cobrar impostos dignos e razoáveis e a administrar o País, pois ele, como intervencionista/empreendedor e empresário, é um completo e absoluto desastre.
A crise atual é parte desta curiosa equação. Muito ajuda quem não atrapalha!
Que toda esta crise nos traga a lume, o enfrentamento dos nossos demônios ou senão eles nos levarão em marcha batida para o inferno.
RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá.
















