Cuiabá, 02 de Outubro de 2022
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27 de Novembro de 2013, 10h:39 - A | A

OPINIÃO /

Conversa fora do tom

Falar em logística é fácil. Difícil será mostrar o que fazer com tanta produção

ONOFRE RIBEIRO



Recentemente falei aqui sobre as dificuldades crescentes de se transportar produtos e de se viajar nas rodovias federais em Mato Grosso. Não posso me esquecer que em 1976 quando me mudei pra cá, a ligação rodoviária com o Sul/Sudeste do Brasil eram as mesmas duas rodovias de hoje. Naquele tempo não havia produção. Hoje circulam 10 mil carretas entre Cuiabá e Rondonópolis.Um caminhão naquele tempo transportava 10 toneladas. Hoje, até 70 toneladas.


Mas quando se discute rodovias, ferrovias e hidrovias, pensa-se em levar grãos, madeira, minérios, carnes e outros produtos sem beneficiamento. Muito transporte de cargas e pouco valor transportado. Não adiantará abrir até novas rodovias, estender ferrovia de Cuiabá ao médio norte, construir a leste-oeste, concluir a pavimentação das BRs 158 e 163. A estimativa é que em 2022 o estado produzirá perto de 70 milhões de toneladas de grãos, contra as atuais 38 milhões. Quer dizer, mais grãos ocupando espaços nas rodovias e deixando despesas e riquezas de menos em Mato Grosso.

Por isso, falar em logística é falar em vias de escoamento e de passagem de pessoas. Então, o problema não são as vias. São os produtos que se transporta. Mais grãos em bruto, mais madeira bruta, mais carne bruta e mais minérios brutos não enriquecerão Mato Grosso, mas deixarão sempre em crise as vias de escoamento.

Falar em logística é fácil. É só dizer o que falta. Difícil será mostrar o que fazer com tanta produção. Em vez de levar grãos pros portos do Sul e Sudeste e no Norte no futuro, devemos levar produtos elaborados no próprio estado. Aí, pela natureza de certos produtos, como as carnes elaboradas, se leva de avião, porque o valor agregado é muito alto e mata o custo do frete.

Na verdade, já não estamos mais falando em logística para o escoamento. Estamos falando em planejamento estratégico do estado, para que a logística seja apenas um elemento dentro da economia estadual. Muito mais negócio é planejar e desenvolver uma política industrial, para que se exporte valor agregado e não grãos que vão gerar empregos, impostos, tecnologias e desdobrar em química fina em outros países.

Falar em logística como solução, é discurso vazio. O discurso seria planejar a economia mato-grossense de maneira estratégica e abrangente, passando pela indústria, pela produção, pela diversificação e, só aí, pela logística. Quem se anima a isso? Ano que vem tem eleição...!

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