Quando o camarada Stalin faleceu na Rússia correu no País todo de que o sol não nasceria no dia seguinte. Entretanto, o sol que não é ligado às nossas preocupações terrenas, nasceu no dia seguinte, mais esplendoroso do que nunca. O culto da personalidade era tão extremado que aos eleitos eram atribuídos poderes sobrenaturais. Assim foi com Hitler, Mussolini e até com o nosso vizinho Hugo Chaves com quem o seu sucessor alegava se comunicar, através de uma inocente pomba. E por aqui no Brasil varonil poderes iguais eram atribuídos a Getúlio Vargas. E um ex-presidente virou uma ideia (enjaulada).
Na deposição de uma ex-presidente - que a esquerda insiste que foi golpe - iria acontecer uma comoção no País. O seu afastamento do poder ocorreu sem traumas e não deixou saudades. Até as milícias que viriam para as ruas para mantê-la no poder não apareceram.
Comoção maior, seguida de ato ecumênico em palanque público e discurso, foi a prisão de um ex-presidente cujos seguidores pegariam em armas para que ele não fosse segredado. Chiou, falou, esperneou, mas foi enjaulado, precedido de um processo regular onde se exerceu todos os direitos da mais ampla defesa. Não aconteceu nada. Ele está preso cumprindo pena como todo condenado. Os seus adeptos continuam fazendo barulho, mas ele continua preso. É passado que já passou. A nossa claudicante democracia resiste!
Apesar da nefanda experiência recente, o Brasil continua de costas para o futuro. Os partidários do retrocesso continuam a almejar o retorno da gloriosa esquerda. Os partidários da extrema direita têm até candidato próprio. Os adeptos do retorno dos militares continuam de plantão à espera de um novo golpe de Estado.
Tudo isto é passado que não deu certo. Continuar a insistir com tais pretensões é uma rotunda burrice. Acentuar alguns aspectos positivos desses grupos não os legitimam a retornarem à ribalta. O mundo anda para frente e não para trás. O restante do mundo já se afeiçoou e deu certo a outras formas de gestão e de governo. A ideologia arrebata as pessoas, mas não solucionam os problemas práticos da sociedade que se resolvem com planejamento e excelentes gestores. Não existe mágica. Dois mais dois continuam a ser quatro e seis menos três continuam ser três. Desta equação cartesiana não se pode afastar, pois não se gasta mais do que ganha ou do que se arrecada.
Neste País onde o ensino é péssimo, resta a nós eleitores torcermos para que apareça um mestre dedicado que ensine aos nossos políticos e gestores os rudimentos elementares da antiga e surrada tabuada. Se ela for aplicada religiosamente teremos a solução para os crônicos problemas como a imensa desigualdade - para que Pindorama cumpra o seu grande destino é preciso reaprender a somar, dividir e diminuir.
Enfim, como dizia o saudoso Professor João Crisóstemo, a nossa salvação está: em Deus, na música e na matemática.
RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá
















