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Cuiabá, 16 de Junho de 2026
16 de Junho de 2026

07 de Setembro de 2018, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / RENATO GOMES NERY

As eleições de outubro

O próximo presidente terá pela frente iguais ou parecidas dificuldades do atual.



O ilustre Deputado Ulysses Guimarães, perguntado sobre a qualidade do Congresso Nacional, no início da última década do século XX, respondeu:

"Está achando ruim essa composição do Congresso? Então espera a próxima: será ainda pior..."

O que fazer? Ele prosseguiu...

"Temos algumas cabeças boas aqui. É necessário juntá-las, onde quer que estejam e fazê-las num rumo só: para a frente. Sempre".

Aquele Congresso, dos últimos tempos do incansável Ulisses, tido como ruim, "impichou" Fernando Collor. Posteriormente, foi outro da mesma estirpe que mandou Dilma Rousseff para casa. No início da década de 60 do século passado, o ex-presidente Jânio Quadros teve a sua renúncia aceita de bom grado pelo Poder Legislativo.

As eleições para presidente da República, de 2/3 do Senado e da Câmara dos Deputados se aproximam. As discussões estão acaloradas. A renovação do Congresso, que tradicionalmente é de 40%, promete não sair deste patamar. Isto levará a próxima legislatura ser igual ou pior que a atual.

Este indicativo é sinal manifesto que o próximo presidente da República, chefe do Poder Executivo, terá pela frente iguais ou parecidas dificuldades do atual, a fim de lidar com o Poder Legislativo para gerir, transformar ou mudar o país.

Ficar desdenhando do Congresso como fazem alguns candidatos ao cargo supremo do país talvez não seja o caminho para quem quer ter uma boa gestão. O próximo presidente da República terá que enfrentar as agruras de negociações, principalmente se for eleito sem base parlamentar.

A história tem ensinado, à exaustão, os tropeços daqueles que não negociaram. Três deles foram apeados do Poder após sofridas crises institucionais, conforme relatamos acima.

Bom ou ruim, o novo Congresso somente se moverá com negociações. Esta é a premissa principal dos regimes democráticos. Insisto: negociações. Ou se negocia ou se depara com crises institucionais de resultados incertos. Reitero, um presidente voluntarista, sem traquejo e sem apoio de partidos sólidos, terá muito mais dificuldades para lidar com o Poder Legislativo. Quem viver verá!

RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá

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