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Cuiabá, 17 de Julho de 2024
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03 de Novembro de 2017, 09h:27 - A | A

OPINIÃO / ONOFRE RIBEIRO

A economia primeiro

A corrupção matou o modelo. Esperar dele reformas é sonho!



Semana passada, assisti ao programa “Diálogos”, com o jornalista Mário Sergio Conti, entrevistando o professor Mangabeira Unger.

Professor da Universidade Harvard, Mangabeira foi também ministro de assuntos estratégicos no segundo governo Lula.

Ele lançou a tese de que a reforma política tão esperada no Brasil não sairá pelas mãos do modelo de Congresso Nacional, de partidos políticos e dos próprios políticos.        

O esgotamento é do modelo político que gerou a si mesmo e também gerou o modelo do Estado brasileiro atual. Esgotou aos poucos até chegar agora no seu limite de validade.

Bom lembrar que foi a política quem modelou e construiu o sistema econômico brasileiro. Só um registro histórico pra ilustrar: entre 1889 (fundação da República) e 1930, vigorou a chamada “do café com leite”.

Minas e São Paulo revezavam-se no governo do país pra proteger com recursos públicos as suas economias ineficientes.       

Todo o processo da construção econômica brasileira se deu pelas mãos do Estado e a sua manutenção se deu graças aos “incentivos” do Estado brasileiro.

Entenda-se protecionismos diversos, reserva de mercado, fechamento do mercado nacional às importações, favorecimentos tributários, concessões vantajosas, financiamento direto ou indireto dos partidos políticos aliados.

Enfim, a economia brasileira tem a cara do Estado brasileiro.       

O esgotamento aconteceu nos governos de Lula e Dilma, com o surgimento da ponta do iceberg da corrupção.

Ficou claro que o Brasil é governado de fora pra dentro e de dentro pra fora.

Trocam-se favores e uma elite política e econômica muito pequena se beneficia e enriquece.

Quanto mais enriquece e cresce, mais poder acumula e mais comanda a política. Um cartel, portanto.       

A corrupção matou o modelo. Esperar dele reformas é sonho!

Pra Mangabeira Unger, o próximo Governo, não importa que cara ele tenha, terá forçosamente que incentivar a economia a diversificar-se, modernizar-se e inovar.

Uma vez feito isso olhando principalmente o universo das micros, pequenas e médias empresas, a economia se consolidará. Com força, ela vai construir demandas políticas novas e vai empurrar a política pra o segundo plano.

Ao contrário de hoje, a economia vai gerir a política. Um novo modelo como nos demais países de regime capitalista. 

Entenda-se capitalismo como um modelo de economia e não como um modelo político. Fora das ideologias que estão todas com o desodorante vencido.        

Não haverá outro caminho pro Brasil, porque a sua política e os partidos morreram faz tempo.

A sociedade percebeu isso e espera os movimentos da economia.

ONOFRE RIBEIRO Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   

www.onofreribeiro.com.br      

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