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O professor de Artes que foi demitido por exibir o clipe da música “Etérea” – do cantor Criolo – a alunos do nono ano do ensino fundamental da escola Pascoal Meller, em Criciúma, não infringiu o Plano de Ensino Unificado do município. O descumprimento do cronograma de conteúdos estabelecido para ser ministrado aos adolescentes entre 14 e 15 anos foi usado como alegação pela Secretaria Municipal de Educação para exonerar o professor ACT (Admitido em Caráter Temporário). Mais que determinar a rescisão do contrato, o prefeito Clésio Salvaro (PSDB) foi às redes dizer que não admitiria “viadagem” nas salas de aula do município. O caso repercute em todo o Brasil.
Professora do Departamento de Artes Visuais do Ceart (Centro de Artes) da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), a professora Cristina Rosa coordena o Life (Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores).
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É com a autoridade de alguém que prepara professores para ministrar a disciplina de Artes em todo o Estado que Cristina aponta o equívoco na alegação do município para demitir o professor.
No início da tarde dessa sexta-feira, submeti à análise da professora Cristina o Plano de Ensino Unificado previsto para ser aplicado durante o segundo semestre de 2021 aos estudantes de Artes do nono ano de Criciúma.
“Olhando o documento municipal, só adquiri mais certeza em relação ao que preconizam os planos Estadual e Nacional”, disse Cristina.
Após analisar o documento, a professora explica que o vídeo apresentado se encaixa em conteúdos como “artivismo”, “hibridismo”, “teoria das cores”, entre outros “objetos de conhecimento/conteúdos” que estão previstos no Plano.
Além disso, não afronta o documento. “Não há cena obscena, nudez, são pessoas dançando. São conteúdos que passam em propaganda, em novela”, completa.
Em outro exemplo técnico, Cristina cita o uso do vídeo para explicar “teoria das cores”. “O conteúdo aborda a sincronia das cores, a forma como são combinadas. Ensinar esse conteúdo não é só misturar guache amarela com vermelha”.
Por fim, a professora lembra que os movimentos artísticos têm base em contextos da sociedade. “Os temas apresentados no vídeo estão dentro da sociedade, o prefeito querendo, ou não”. É dever da arte e da educação contextualizar esses aspectos.
É assim desde as pinturas rupestres nas cavernas. “Hoje, o artista faz a mesma coisa. Coloca seu olhar estético nos temas da atualidade, usando cor, forma, som, imagem”.
Diante de tudo isso, parece que o tempo das cavernas não está tão longe assim.
Pastor Hosgay 01/09/2021
O professor não fes nada demas
1 comentários