Cuiabá, 29 de Janeiro de 2023
logo

04 de Janeiro de 2015, 18h:55 - A | A

GERAL / VERGONHA EM 2014

Desvio de dinheiro público motivou maioria das 17 operações da PF em MT; veja vídeo

Outros crimes que mais exigiram esforços são tráfico de drogas e crimes ambientais

KEKA WERNECK
DA REDAÇÃO



A maior parte das operações especiais desencadeadas pela Polícia Federal em Mato Grosso este ano foi resultante de investigações de crimes financeiros, como desvio de dinheiro público.

Ao todo, a PF desencadeou 17 operações. Foram 160 flagrantes, 340 prisões e 500 mandados de busca e apreensão cumpridos no Estado, conforme balanço repassado ao RepórterMT pelo superintendente da PF em Mato Grosso, delegado Marcos Antônio Farias.

>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão

“A Polícia Federal como um todo tem uma atuação muito forte no combate ao desvio de dinheiro público e em Mato Grosso não é diferente, só que aqui temos uma característica a mais, que é, além disso, focar muito também nas ações contra o tráfico de drogas e crimes ambientais”.

As investigações da Polícia Federal chegaram este ano a esquemas milionários envolvendo o nome do alto escalão político e de grande poder econômico. Entre as que mais repercutiram, a PF destaca a Operação Ararath e Terra Prometida.

ARARATH

Operação Ararath atingiu, por exemplo, o então governador Silval Barbosa (PMDB), o deputado estadual José Riva (PSD) e o suplente de deputado estadual eleito Gilmar Fabris (PSD).  O pivô deste escândalo, Éder Moraes (PMDB), também é ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso nas gestões de Blairo Maggi (PR) e também de Silval.

A Ararath desarticulou um esquema de financiamentos milionários ilegais, junto ao BIC Banco, sem a autorização do Banco Central, intermediado por Moraes, segundo delação feita por Júnior Mendonça, para alimentar principalmente campanhas eleitorais.

Na quinta etapa da Operação Ararath, dia 20 de maio deste ano, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa do então governador Silval Barbosa (PMDB), a PF encontrou uma pistola calibre 380 com registro vencido e ele foi encaminhado à PF, onde passou todo o dia, até pagar R$ 100 mil de fiança para ser liberado. O superintendente Farias explica que, diante de qualquer situação ilegal, não importante quem seja, os procedimentos são os sempre os mesmos previstos em lei.

No mesmo dia, foi preso o deputado estadual José Riva (PSD), suspeito de ter sido beneficiado pelo esquema financeiro ilegal. Ele ficou três dias preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília e reponde o processo em liberdade.

Na sexta etapa da Operação Ararath, foi a vez do suplente de deputado estadual eleito, Gilmar Fabris, que agora vai assumir a vaga do deputado estadual Walter Rabello, morto no dia 10 de dezembro. A PF cumpriu mandado de busca e apreensão na casa dele.

TERRA PROMETIDA

A Operação Terra Prometida repercutiu nacionalmente, por conta da prisão de dois irmãos do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller – Milton e Odair.  A Operação, deflagrada dia 27 de novembro, investigou a apropriação ilegal de lotes da União no Assentamento Itanhangá, que deveriam ser destinados à reforma agrária. Foram expedidos 34 mandados de prisão contra fazendeiros do agronegócio de Mato Grosso, sindicalistas, servidores públicos e políticos da região do médio norte e norte do Estado. 

Os irmãos Geller e os demais presos já estão respondendo ao processo em liberdade. Horas depois de serem soltos, o delegado federal Hércules Sodré, o juiz federal Fábio Fiorenza, que emitiu as ordens de prisão, e a procuradora federal Ludimilla Brandão, que também investiga o esquema, começaram a receber ligações telefônicas, que consideraram ser ameaças de morte.

CRÍTICAS

O superintendente Farias assegura que a instituição não se incomoda muito com críticas, dando conta que a PF prende mais do que devia. Se há excessos ou não, Farias argumenta que todas as prisões são solicitadas para favorecer as investigações.

Segundo ele, não importante se a pessoa envolvida é conhecida, poderosa ou não, o que importa é se há necessidade que ela esteja detida, para ser ouvida ou para garantir outros procedimentos policiais.

TRÁFICO E CRIMES AMBIENTAIS

Os outros crimes que mais exigiram a atuação da PF este ano em Mato Grosso foram o tráfico de drogas e delitos ambientais.

Foram apreendidas 2 toneladas de maconha e 2,6 toneladas de cocaína, quase sempre nas estradas. Por isso, nesse caso há uma parceria entre a atuação a PF e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).  Boa parte disso já está incinerado.

“Nós tivemos operações de tráfico de drogas grandes, como a desencadeada em Sinop, que foi muito interessante porque envolveu tráfico internacional de drogas”, destaca o delegado Farias. Ele se refere à Operação Veraneio.  Divididos em quatro estados do país, agentes da Polícia Federal (PF) cumpriram, dia 4 de novembro, 50 mandados judiciais. O alvo era um esquema de narcotráfico internacional, com braço na Colômbia. A PF apreendeu o equivalente a R$ 13,4 milhões em cheques e cédulas de reais, dólares e euros.

DESAFIOS

O maior desafio da PF em MT, ainda de acordo com o superintendente Farias, é atuar em tantas frentes com 40% a menos de recursos humanos.

Por outro lado o superintendente farias assegura que a equipe é muito qualificada, intelectualmente e fisicamente. Munida das melhores armas, equipamentos e veículos. “Isso não falta”. 

Para 2015, o superintendente avisa que o trabalho da PF continua na mesma linha de atuação. Ele não quis adiantar quem estaria no foco de novas prisões. “Isso é sigilo”.

VEJA VÍDEO:

Comente esta notícia