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Maior liderança e fundador do partido no estado, diz não aceitar diretriz de se aliar ao governo.
RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO
Depois de passar quatro meses preso no Centro de Custódia de Cuiabá, por supostos desvios de dinheiro público na Assembleia Legislativa do Estado (ALMT), o ex-deputado José Riva (PSD), vem aos poucos fazendo algumas declarações. Em seu escritório, ele recebeu a equipe do
para um bate-papo sobre vários assuntos, entre eles a sobrevivência do PSD, partido que fundou em Mato Grosso. Caso realmente ocorra uma debandada, o PSD pode 'afundar de vez e morrer' em MT.
“Deve abrir uma ‘janela’ e a Janaina vai procurar outro caminho. O Kassab [presidente nacional do PSD] acha que tem que apoiar o governo e nós vamos respeitar. Isso é muito comum na política, mas não temos interesse em apoiar esta gestão”.
Considerado o 'cacique' da sigla por ter liderado sua fundação no estado, Riva deixou claro que não aceitará as imposições do presidente nacional do partido, o ministro das Cidades Gilberto Kassab, que orienta a legenda a se aliar ao governo de Pedro Taques (PDT).
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Segundo ele, este é o momento de deixar o grupo. Dessa forma sua filha e herdeira política, Janaina Riva (PSD), continuará sendo oposição ao governo.
“Deve abrir uma ‘janela’ e a Janaina vai procurar outro caminho. O Kassab [presidente nacional do PSD] acha que tem que apoiar o governo e nós vamos respeitar. Isso é muito comum na política, mas não temos interesse em apoiar esta gestão”, disparou.
Riva, que tem sido procurado por diversos prefeitos, que buscam sua orientação política, aproveitou para rebater as afirmações do novo presidente regional do PSD, Neurilan Fraga, que recentemente afirmou que a crise já havia passado e que a 'debandada' do partido estava descartada, acrescentando ainda novas filiações.
Secretário-geral do partido e maior liderança da sigla, o ex-deputado afirmou que com a aprovação, pelo Congresso, da 'janela' para mudança de siglas sem punição por infidelidade partidária, o PSD irá perder sim um número considerável de filiados, que são seus aliados políticos. Riva ainda ironizou o controle descrito por Neurilan.
“Você já viu alguma coisa sob controle na política? Dos 10 prefeitos que conversei hoje, seis me garantiram que vão deixar o partido para acompanhar a Janaina. Então eu acredito que haja uma debandada"
“Você já viu alguma coisa sob controle na política? Dos 10 prefeitos que conversei hoje, seis me garantiram que vão deixar o partido para acompanhar a Janaina. Então eu acredito que haja uma debandada, ainda não sei dizer a proporção”, rebateu.
O ex-deputado dá uma explicação simples para as mudanças que devem ocorrer na legenda. “Talvez o Neurilan não tenha somado o aspecto que em cada município o governador Pedro Taques já tenha sua base. O grupo que apoiou o Taques em Nortelândia, por exemplo, vai indicar o nome do seu candidato para o governador e ele deve apoiar. Eu não deixaria de ajudar quem me apoiou para ajudar alguém que foi oposição ferrenha a mim. Muitos prefeitos sabem disso e para manter a candidatura devem sim sair do PSD”, argumenta.
José Geraldo Riva permaneceu como parlamentar estadual durante 20 anos, sempre causou polêmica por fazer 'manobras' e se eleger por seis vezes presidente da Casa de Leis, em cinco mandatos como deputado. Ele participou de cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI): Cooamat; Sema; Narcotráfico; Combustíveis; e GIAs.
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“Deve abrir uma ‘janela’ e a Janaina vai procurar outro caminho e isso é muito comum na política. Vamos nos manter na oposição".
Tentou em 2014 ser candidato ao governo de Mato Grosso, mas foi barrado na lei da Ficha Limpa, então indicou a esposa Janete Riva (PSD), que também não conseguiu 'decolar' e ficou na 3° colocação. Agora promete não se envolver mais na vida pública, mas continua atendendo dezenas de prefeitos em seu escritório.
“Quero curtir minha família e ajudar a Janaina em seu mandato. Não pretendo assumir de maneira nenhuma qualquer tipo de cargo público”, afirma.
Operações
Em 21 de fevereiro deste ano, Riva foi preso pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na “Operação Imperador”, por suposto desvio de R$ 62 milhões da Assembleia Legislativa. De acordo com a denúncia ele usava empresas fantasmas e notas frias do setor gráfico para fraudar os recursos. Em junho ele voltou a ser detido, desta vez, por aproximadamente 24 horas após o Gaeco deflagrar a “Operação Ventríloquo”, que apontou outro suposto desvio no valor de R$ 10 milhões, também no período que Riva era presidente da ALMT. O ex-deputado conseguiu a liberdade por meio de uma liminar do Supremo Tribunal Federal. O Ministério Público do Estado apontou que neste último caso, os supostos envolvidos utilizavam um banco privado para fazer empréstimos em nome de servidores e assim desviar os valores.
Desde que foi solto, Riva é monitorado por tornozeleira eletrônica, não pode se aproximar da Assembleia e de nenhum investigado nas ações em que é réu.













