KEKA WERNECK
RAFAEL DE SOUSA
Usando tornozeleira e levando 35 mil páginas de documentos a serem apresentados à Comissão de Investigação Parlamentar (CPI) da Copa do Mundo, o ex-secretário de Estado de Fazenda, da Casa Civil e da Secopa, Eder Moraes, que era o 'homem forte' dos governos Blairo Maggi (PR) e Silval Barbosana (PMDB), passou a ser considerado 'homem bomba' quando preso e investigado pela Justiça Federal e promete 'explodir' muitas informações ocultas, em seu depoimento aos deputados na manhã desta terça-feira (10).
Esta é a segunda vez que Eder depóe à CPI da Copa, mas para o presidente da CPI, deputado Oscar Bezerra (PSB), a oitiva dessa terça promete ser reveladora, tanto pelos documentos que Eder pode apresentar, quanto pela inteção que tem de acuá-lo para saber a verdade.
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Já no início da oitiva, o ex-secretário fez questão de frisar que "na Secopa havia “sete reis para poucos servos”, se referindo aos muitos que queriam o poder na pasta.
O ex-secretário, que responde na Justiça Federal por corrupção e formação de quadrilha, alvo da Operação Ararath, está em liberdade vigiada.
Da primeira vez que depôs, não revelou nada de substancial. “Eder é um arquivo vivo e espero que dessa vez ele colabore mais, com a CPI”, frisou o deputado, que cogita fazer uma acareação entre depoentes da CPI.
Acompanhe o depoimento de Éder Moraes em tempo real:
10h15 - Éder criticou o número de consultorias que iam ser contratadas pelo (atual deputado federal) Adilton Sachetti (PSB), então da diretoria da Agecopa, e disse que, na condução da pasta, mandou cancelar todas elas, já que custariam R$ 78 milhões.
10h21 - Ex-secretário Éder afirma que foi difícil contratar empresas para iniciar as obras da Copa e que todos os contratos foram feitos absolutamente dentro do regramento legal. Se houve alguma falha, segundo ele nada que seja caracterizado ilegal.
Assessoria
Eder frisou que se continuasse no controle da Secopa o VLT tinha saído do papel, porque o que faltou foi pulso
10h30 - Éder explicou aos deputados que o doutor Eduardo Rodrigues da Silva fazia todo o processo licitatório, uma pessoa, segundo ele, importantíssima para ser chamada pela comissão a prestar esclarecimentos. Disse também que o processo só chegava ao gabinete dele no resultado final. Mostrou-se ressentido ao informar que, no momento de dar as ordens de serviço das obras, “sacaram” o Éder Moraes da Secopa, “injustificadamente”. Ele indagou: Por que retirar um gestor que pôs todas as obras na rua? Que fez a Arena Pantanal andar? Éder disse ainda que as Intervenções que a CAB deveria ter feito e não fez atrasaram as obras, assim como o cabeamento das empresas de talefonia.
10h45 – Perguntado se, ao defender tantas obras para a Copa, tinha convicção tinha capacidade financeira do Estado, Éder afirmou que um dos itens de decreto assinado pelo então governador Blairo Maggi (PR) apresentava R$ 1 bilhão para Cuiabá sediar a Copa. Esses recursos viriam do Fethab (30%, outros fundos (10%), rendimentos da conata única, operações de crédito. Éder negou que esse valor era blefe e disse que ainda faltavam 4 anos e dava tempo de executar as obras. Segundo Éder, o que houve foi ineficiência após a saída dele. “Houve problemas de condução da Agecopa. Por isso as obras ‘engastanharam’, como dizem os cuiabanos”.
10h53 - Éder criticou o atual governo de Pedro Taques e disse que está faltando coragem à atual gestão. Segundo ele, é preciso jogar limpo com a população. “Covardia com a população”, reforça. Segundo Éder, o atual governo ainda não conseguiu fazer um dreno sequer naquele viaduto da UFMT. “Para tudo neste governo tem que ter uma consultoria. Quanto já não foi contratado em consultoria? Quanto já se gastou com isso?" - questionou.
10h55 - Éder mostrou o estudo de viabilidade do VLT e disse que essa acusação generalizada está deixando as pessoas com medo de prestar esclarecimentos. “Acusam todo mundo com discursos lacônicos, genéricos. As pessoas estão com medo de ir preso. Me acusaram de dar R$ 100 milhões para Encomind. Paguei R$ 30 milhões com notas. Furar fila de precatórios. Mentira deslavada. Eu vou provar minha inocência”, esbravejou.
11h15 - Sobre um trecho de um depoimento que o deputado Wilson Santos (PSDB) leu, em que Éder negocia uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE), a qual perdeu para Sérgio Ricardo, Éder comentou que “estavam me induzindo o tempo todo a dizer que recebi dinheiro”. Confirmou a tratativa sobre a vaga no TCE. “Não há nada de errado nisso. Lá tem conselheiros indicados por Dante de Oliveira, Blairo Maggi, como o presidente indica para o STF”.
Assessoria
O ex-secretário lembrou com muita amargura que assistiu aos jogos da Copa na cadeia, sendo que 'todas as obras teriam suas digitais'.
11h20 - Por ter dito anteriormente que conhece as vísceras do MPE, Eder Moraes foi questionado sobre a atuação do MP nas obras da Copa, que o incomodou ao ponto de dizer que ia “abrir o bico” a respeito das cartas de crédito daquele órgão. “Não queria falar aqui para as paredes, porque esse assunto das cartas de crédito estou falando com as paredes há 2 anos. Parece que ele, do MP, traficam o medo. Ninguém tem coragem de peitar o MP, nem essa Casa de leis, nem a OAB, nem o Tribunal de Constas, nem ninguém". Se propôs a ser o delator em uma investigação contra o MP.
OBS: O deputado Oscar Bezerra pediu a retirada das notas taquigráficas do depoimento o trecho do MP e das notas promissórias de Éder Moraes.
11h40 - Eder Moraes disse que não houve nenhuma articulação em favor do VLT em relação ao BRT e o que houve, segundo ele, foi o convencimento técnico de que o VLT seria melhor do que o BRT.
11h55 - Éder disse que é mentira deslavada dizer que não tem estudo de viabilidade do VLT. “Está aqui o estudo de viabilidade técnica do VLT. Passo às mãos dos senhores”, disse o ex-secretário da Copa.
12h - Éder disse que o Governo Taques contratou auditoria com dispensa de licitação por R$ 4 milhões e que disso ninguém reclama. “Pau que bate em Chico bate em Francisco, mas pelo jeito só bate em Chico”, reclamou o ex-secretário.
12h05 - Sobre os vagões, o fato do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) ter comprado com tanta antecedência, por R$ 500 milhões, Éder defende que eles foram pagos com o dólar a US$ 2,70 e que se fosse pagar agora seria o dobro do valor.
12h10 - Éder disse que faltou pulso após a saída dele da Secopa assim como da gestão Taques. “Se eu tivesse à frente da Secopa até 2014, o VLT estava indo e voltando, faltou pulso. Pagou-se aditivos, onde não se cabe. Por que faltou pulso? Só quem estava lá vai poder responder. Houve uma frouxidão por parte do ex-governador e Maurício (secretário que o sucedeu). Mas também está faltando pulso deste governo atual que não toca a obra do VLT, que não calça a sandália da humildade e vai à presidente Dilma, dizendo que a população de Cuiabá precisa de R$ 1 bilhão para usufruir do VLT, porque interessa mais o desgaste”.
OBS: Presidência da CPI põe em votação e aprova mais duas horas de depoimento.
12h20 - Questionado sobre o teleférico em Chapada dos Guimarães Eder disse que um pesquisar na mídia pode mostrar o que ocorreu. “Assumo a Agecopa e encontro sobre minha mesa o pagamento de R$ 300 ou R$ 400 mil a emprsa contratada por Yuri Bastos, que veio aqui, nesta CPI, mentiu deslavadamente, mas quem barrou o teleférico foi a incompetência dele, que foi condenado a devolver R$ 500 mil de volta ao erário, porque já estava pagando a empresa sem projeto. E envolvia vidas humanas, era a ligação de uma área com a outra, em meio a um abismo, de mais de 100 metros, a ser feito por uma empresa de fundo de quintal. Vem um turista de fora aqui, cai do teleférico, acabou a Copa do mundo. Vetei” – narrou Éder.
12h27 - Sobre o relacionamento de Bonilha, ex-diretor da Agecopa, e João Havelange, se foi isso que trouxe a Copa para Cuiabá, Eder disse que o que trouxe a Copa para Cuiabá foi não só a relação do Bonilha, mas um conjunto de fatores, o decreto da engenharia financeira garantindo R$ 1 bilhão em 4 anos. “Portanto Cuiabá foi a única cidade-sede que apresentou essa engenharia. Isso foi divisor de águas para a escolha da cidade de Cuiabá”, detalhou Éder.
Assessoria
Avaliando ter sido injustiçado, Eder deu a entender que pode se candidatar a um cargo eletivo para saber o que a sociedade tem a dizer sobre ele
12h43 - Questionado pelo deputado Mauro Savi (PR) sobre a redução de obras comoo viaduto da UFMT, que teria reduzido 84 metros e se ele teria permitido e participado desses processos, Eder frisou que o que reduziu não foi para sobrar dinheiro para o VLT. O ex-secretário ainda responsabilizou o atual secretário de Obras da Prefeitura, Marcelo Oliveira, que era diretor da Secopa, à época. "O que posso dizer é que tanto a Trincheira do Santa Rosa, quem coordenou todos esses oprojetos chama-se Marcelo Oliveira, o Marcelo Padeiro. Estava sob a responsabilidade dele como engenheiro, porque foram feitas algumas readequações para evitar desapropirações, o que seria muito caro ao Estado e hoje o trânsito flui normalmente nelas. No projeto que eu entreguei à Secopa não tinha redução de 84 metros (no viaduto da UFMT), se fizeram isso, fizeram depois.
Segundo Eder, cada contrato "tinha um gestor responsável pelo seu acompanhamento, algumas empresas também eram contratadas depois disso o pente fino era feito pela Secopa e sua auditoria".
"Como era o procedimento dos pagamentos?" - questionou Savi, que obteve a resposta de que ele (Eder) apenas homologava aquilo que já tinha sido aprovado pelos técnicos.
12h53 - Quanto às críticas feitas pelo ex-diretor da Agecopa, Carlos Brito, à gestão de Eder Moraes, o interrogado pela CPI disparou: "O Carlos Brito se tornou inimigo visceral porque ninguém falava a verdade na cara dele. A gestão dele era deficitária para o que queríamos para a Copa do Mundo, prova disso é que três anos depois e não tinha nada".
Voltando à declaração de Eder de que Silval o teria demitido porque 'pediram a sua cabeça' e questionando quem seriam os responsáveis pelop pedido de sua demissão, Eder frisou que Silval teria dito ao ex-deputado e atual conselheiro Sérgio Ricardo, assim como odeputado José Riva e alguns membros do TCE. "A ida para o TCE me foi furtado o direito acordado e com minhas declarações sobre isso, as pessoas se sentiram incomodadas e depois nenhuma dessas pessoas confirmou isso. Não pedimos sua cabeça, é história, disseram para mim".
13h08 - Interrogado, sobre como se sentia hoje sobre o que passou e sobre o que foiobrigado a passar, Eder se disse ser profundamente injustiçado: "Ajudei pesadamente e produtivamente na construção da Copa do Mundo do Pantanal. Meu nome e minhas digitais estão em todas as obras, e eu assisti a Copa, o jogo na Arena, na prisão.O senhor pode imaginar a armagura na alma e no coração de ver tudo aquilo na minha cidade e eu assistindo numa cadeia?" - rebateu a Mauro Savi.
Continuando, Eder fez questão de ressaltar o quanto teria sofrido em sua primeira prisão, quando ficou detido no Presídio da Papuda, em Brasília: "Quando fui transferido para cá, minha calça estava caindo, porque emagreci 14kg, porque a comida era horrível. Eles estavam chamando o Samu porque eu estava quase cego, com deficiência de alimentação. Levado para o IML, tive que ficar nú. Enfiaram o dedo na minha boca. Aí quando chegamos ao aeroporto, depois que todos entraram eu entrei pela porta de trás, algemado e sentei na última vaga e eu olhava e via ex-senadores, deputados federais, todos que tratavam comigo na Secopa e eu cabeludo, algemado ali. O senhor não queira saber o que era para um homem essa humilhação", lastimou Eder aos membros da CPI.
Sobre sua chegada à Cuiabá, pela transferência da prisão, Eder relatou que se emocionou ao ver de dentro da viadura da PF, muitas obras, que ele sem sabia que tinham sido finalizadas.
"Transitei em algumas obras e não acreditava porque algumas obras não estavam prontas. O que lembro é uma armagura muito grande no meu coração e respeitando o colégio eleitoral e a tregetória de cada um aqui, eu espero submeter meu nome ao julgamento da sociedade mato-grossense. O que a sociedade tem a dizer sobre isso e sobre mim?", frisou Eder.
Para encerrar, Eder Moraes destacou que as gestões passadas, principalmente a de Blairo Maggi, teriam errado muito ao criticarem a gestão do ex-governador Dante de Oliveira (já falecido), pois muitas obras feitas à época já tinham sido encaminhadas no governo de Dante.
"Criticamos a imagemn do governador Dante. Falamos em caixa preta e depois vimos que não era essa a verdade". Em um "tapa de luva de pelica", Eder ainda replicou a situação passada ao que estaria ocorrendo no atual governo de Pedro Taques.
Assessoria
Um dossiê de 35 mil páginas, dividas em cerca de 30 encadernações foi entregue à CPI.
"E quando o Blairo assume o governo, o PSDB colocou a música que dizia "toca obra seu moço que o PSDB começou, em sentido ao que Blairo estava fazendo. Acho que agora precisava de uma música do PMDB e PSD para o que o governo atual está fazendo", alfinetou.
13h15 - Questionado pelo presidente da CPI, Oscar Bezerra, sobre quem Eder considera que tenha que ser ouvido pela comissão de deputados para esclarecer as questões referentes à Copa ele listou que seriam imprescindíveis os depoimentos de vários ex-gestores da Secopa.
"Essa CPI não pode deixar de ouvir Alisson Sander, que substituiu o Marcelo Oliveira, nem pode deixar de ouvir e esmiuçar as questões com Marcelo Oliveira, porque senão é uma CPI manca. Também tem que ouvir o engenheiro Jamir Sampaio. Não tem como concluir sem ouvir Rafael Detoni, que pode dar uma aula de VLT. Não pode deixar de ouvir João Paulo que era gestor da Arena Pantanal , assim como a financeira da Secopa, Roméria da Silva, que pode esclarecer a legalidade dos pagamentos e o Eduardo Rodrigues que era o chefe de lcitalções da Secopa", concluiu.
Ao fim, Eder se colocou inteiramente à disposição da CPI para qualquer outro esclarecimento, inclusive se dispondo a comparecer em qualquer acareação.
RepórterMT
Eder levou 35 mil páginas de documentos à CPI





















