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Sexta-feira, 04 de Novembro de 2011, 08h:06 - A | A

MORTE EM LEVERGER

Policial negligente não é afastado e trabalha normalmente

O processo de sindicância disciplinar será concluído no início de 2012

MAYARA MICHELS

O policial civil Clayton Pereira de Souza, indiciado por negligência pela morte de um adolescente no último domingo (29), em Santo Antônio do Leverger, teve a arma recolhida pela Delegacia de Polícia. O policial continua trabalhando normalmente na Polícia Judiciaria Civil da Capital. A Corregedoria de Polícia Civil não irá afastá-lo até que o inquérito seja concluído.

Segundo o corregedor-geral da Polícia Civil, Gilmar Dias, o policial já foi punido com a morte de uma pessoa, neste caso ele não deverá ser expulso da corporação. “A sindicância será presidida pelo delegado Luiz Fernando. Provavelmente o policial deve ser punido com uma suspensão, porém só após a conclusão das investigações, que ainda cabe recurso é que se decidirá a penalidade. A previsão é que seja concluído apenas no início do ano que vem”, disse o corregedor.

Segundo as primeiras investigações, Clayton pode responder administrativamente por imperícia, imprudência e negligência. A imperícia, por ter atirado por uma causa desnecessária em frente de dois adolescentes que não tem habilidades para manuseio de arma de fogo, provocando a curiosidade dos garotos. A imprudência pela falta de cuidados com a sua arma. E negligência pelas atitudes provocadas, causando a tragédia de um dos adolescentes.

Para o presidente da Ordem dos Advogados de Mato Grosso, Cláudio Stábile, a atitude do policial cabe a exclusão da Corporação. “Ele agiu em uma sequência de irresponsabilidades. As atitudes foram completamente irresponsáveis”, disse o presidente da OAB/MT.

O adolescente vai responder por ato infracional de homicídio culposo sem intenção de matar. A cópia da investigação civil foi encaminhada à Corregedoria da Polícia Civil para abertura do processo administrativo disciplinar. “O policial tem que ter zelo com sua arma e não deixar que ninguém a pegue, principalmente crianças”, declarou o diretor metropolitano, Luciano Inácio da Silva.

O CASO

Segundo as investigações, no almoço da família em uma chácara nas proximidades de Santo Antônio do Leverger, dois adolescentes, sendo um de 15 e outro de 17 anos brincavam de tiro ao alvo com uma espingarda de pressão. Em determinado momento o policial chegou e ao ver a brincadeira efetuou um tiro com sua pistola ponto 40 na frente dos adolescentes.

Logo em seguida, o policial teria entrado no banheiro e colocado sua pistola em cima de um armário. Sem que ele veja, o adolescente de 15 pegou a pistola escondida e foi “imitar” o policial. O primeiro disparo foi feito e assim que o jovem passou a arma para o irmão, que também queria atirar “escondido”, ele apertou o gatilho acidentalmente acertando a barriga do irmão. O policial ouviu o primeiro tiro, mas ao sair do banheiro escutou o segundo. O jovem morreu assim que deu entrada no hospital.

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