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Cuiabá, 09 de Junho de 2026
09 de Junho de 2026

09 de Junho de 2026, 09h:46 - A | A

POLÍCIA / ESQUEMA NO JUDICIÁRIO

PF aponta empresário como operador financeiro de desembargador investigado por venda de sentenças

Luciano Cândido Amaral pagou 11 boletos bancários de cerca de R$ 258 mil e fez mais de R$600 mil em transações em favor de Dirceu dos Santos

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



O empresário Luciano Cândido Amaral foi apontado como operador financeiro do desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos, em um suposto esquema de venda de sentenças no Poder Judiciário. Ambos foram alvos da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal nessa segunda-feira (8). 

De acordo com as investigações, Luciano possuía vínculos societários diretos e indiretos com o desembargador. A PF também apontou indícios de pagamento de boletos e realização de transferências em favor do magistrado e de familiares.

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Relatório de inteligência financeira apontou o pagamento de 11 boletos bancários, no valor aproximado de R$ 258 mil, além de transações diretas e indiretas entre ambos em valores superiores a R$ 600 mil.

As investigações identificaram ainda indícios de operações imobiliárias simuladas com a utilização de um “laranja”. Segundo a PF, esse laranja teria recebido R$ 100 mil de Dirceu dos Santos em uma transação imobiliária e, no mesmo dia, repassado o mesmo valor a Luciano Cândido Amaral, circunstância que, segundo a Polícia Federal, sugere a existência de um arranjo voltado à dissimulação da origem, destinação e propriedade de bens e valores.

Além de operador financeiro de Dirceu dos Santos, Luciano foi apontado como interlocutor do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 em frente ao seu escritório de advocacia, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

O empresário teria atuado em tratativas relacionadas a processos de interesse do grupo envolvido no esquema de venda de sentenças. Em uma conversa extraída do celular de Zampieri, o advogado pediu a Luciano Cândido Amaral que “organize esse efeito suspensivo”, seguido do deferimento de uma liminar no dia seguinte, demonstrando que o empresário tinha acesso privilegiado ao desembargador Dirceu dos Santos.

Na agenda de Zampieri, o contato de Luciano estava registrado como “Irmão Gêmeo – DD”, em referência ao desembargador.

Além de Luciano Amaral e Dirceu dos Santos, foram alvos da Operação Gemini o deputado estadual Faissal Calil (PL), o advogado Bruno Oliveira Castro e outras seis pessoas.

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Eles foram submetidos a mandados de busca e apreensão, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático.

Dirceu dos Santos está afastado das atividades no TJMT desde o dia 2 de março deste ano em razão da suspeita de participação no esquema de venda de sentenças. 

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