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03 de Dezembro de 2014, 11h:49 - A | A

POLÍCIA / EXCLUSIVO / OUÇA ÁUDIO

Mototaxista conta como foi batida provocada por suposto racha em viaduto do Coxipó; 3 morreram

Internado na enfermaria ortopédica, o motociclista conta que teve a bacia fraturada em várias partes e que está à espera de uma cirurgia, que não tem data para ocorrer.

JOÃO RIBEIRO
DA REDAÇÃO



O RepórterMT conseguiu falar com exclusividade com uma das vítimas da tragédia do viaduto da MT – 040, na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá, ocorrida há uma semana.

O mototaxista João Paulo Ferreira da Silva, de 22 anos, que está internado no Pronto-Socorro de Cuiabá desde o dia do acidente, contou que estava na moto Honda Bros 150 como o amigo Mikael Lacerda, 18 anos, quando foi atropelado pelo Toyota Corolla dirigido por Diego Kischel, 22 anos, que morreu no local do acidente.

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Da enfermaria ortopédica do PS, João Paulo deu a entrevista pelo telefone celular, na manhã desta quarta-feira (3), e disse que nos últimos sete dias sentiu muita dor porque teve a bacia deslocada da perna no acidente.

“Gritei sete dias de dia e de noite. Fiz um movimento na cama e a bacia voltou ao lugar, só assim que parei de sentir dor. Por isso, os médicos tiveram que me sedar para amenizá-la. No entanto, agora que estou um pouco melhor, eles (médicos) querem me levar para fazer tomografia. Eu disse para esperar o dia da cirurgia na bacia, porque não quero correr o risco dela sair do lugar novamente e eu voltar a chorar de dor”, explicou.

Segundo João Paulo, apesar de estar fora de perigo, os médicos disseram que não tem previsão para ele ser operado. “Eu preciso fazer essa cirurgia urgente, porque dói demais. Além disso, estou com minha perna aqui aberta, aparecendo o osso, com risco de tê-la amputada, diante da gravidade do ferimento”, destacou.

A TRAGÉDIA

Segundo o mototaxista, ele com Mikael estavam trafegando pela Avenida Fernando Correa da Costa,  ao lado do Fiat Punto, do amigo James Paes de Barros, de 27 anos, e procuravam uma lanchonete para comer, quando se depararam com a viatura da PM trancando a pista na MT-040 por causa do Gol, dirigido por Joaci Rabelo Júnior, que estava na contramão. Segundo João Paulo, assim que receberam a instrução para parar, o cabo da PM, Elson Demétrio, teria apontado a arma na direção deles, como se fossem fazer uma revista, relatou na entrevista.

“O PM mandou a gente parar. Com isso, achei que era uma blitz. Quando coloquei um dos pés no chão para equilibrar, fomos atropelados pelo Corolla. A força do impacto me arremessou para frente do Punto, da viatura da Polícia Militar e do VW Gol. Cai no chão, bati a cabeça e fiquei inconsciente. Só fui acordar com os médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) me colocando na maca. Depois disso, não lembro mais nada”, destacou.

A versão de João Paulo contraria a hipótese divulgada pela Polícia Civil, no dia da tragédia, que apontou que o Corolla e o Punto poderiam estar participando de uma racha, antes de baterem na viatura, na moto dele e por fim, no Gol, de Joaci Rabelo Júnior, de 29 anos, que estava no carro bêbado e na contramão.

“Estávamos todos nos divertindo, brincando, mandando áudio da música que estávamos ouvindo, em um grupo de bate-papo. O laudo pericial (feito pela Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec) vai mostrar. Como que um Punto, motor 1.4 e uma Bros, 150 cilindradas vai ganhar de um Corolla a 200 km/h?”, destacou.

OUÇA A ENTREVISTA COM JOÃO PAULO FERREIRA DA SILVA

COROLLA EM ALTA VELOCIDADE

Também em entrevista ao RepórterMT, a mãe de João Paulo, a dona de casa Marlene Tavares da Silva, disse que os PM’s poderiam também ter trancado a pista, já que receberam a denúncia que Diego estava dirigindo em alta velocidade na Avenida. “Tinham ligado para a PM porque o Corolla estava trafegando em alta velocidade. A Polícia estaria fazendo a blitz para prender o motorista”, falou.

TRÊS MORTOS

Até o momento, três envolvidos na tragédia morreram. O motorista do Corolla, Diego Kischel, o condutor do Punto, Luciano Siqueira Campos, de 30 anos e por fim, o proprietário James Paes de Barros, de 27 anos.

Continuam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade de saúde, Demétrio e Mikael.

O PM está respirando com ajuda de aparelhos e fazendo hemodiálise. Já o jovem continua sedado porque sofreu uma contusão pulmonar, laceração do fígado e uma fratura no quadril.

Reprodução Facebook

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James era dono do Punto e morreu no último domingo (30) na UTI do PSM.


AS COLISÕES

O acidente aconteceu porque Joaci Rabelo Júnior, de 29 anos, parou o veículo que dirigia, um GOL, na contramão do viaduto da MT 040 após bater na mureta de proteção.

Uma viatura da PM foi até Joaci fazer a abordagem. Assim que parou a viatura atrás do veículo de Joaci, o Toyota e o Fiat Punto vieram em alta velocidade e bateram em tudo que encontraram pela frente. A polícia também acusa Joaci de estar embrigado.

O Toyota Corolla e o Fiat Punto atropelaram o cabo da Polícia Militar, Elson Demétrio, que tentava prender o motorista Joaci Rabelo Júnior, de 29 anos. Duas pessoas que estavam em uma moto também foram envolvidas no acidente.

O motorista do Corolla, Diego Kischel, morreu no dia da tragédia, a caminho da Policlínica do Coxipó.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, continuam internados em estado grave Demétrio e Mikael Lacerda, de 18 anos. 

Outra vítima, João Paulo Ferreira da Silva, de 22 anos, também está internada, mas já foi transferida para a ala da enfermaria ortopédica, para se recuperar de uma fratura da bacia. Outras duas pessoas tiveram alta horas após as colisões.

Reprodução Internauta

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Veículos ficaram destruídos com a força da colisão.


LIGAÇÕES COM O CRIME

O motorista Diego Kischel, de 20 anos, que morreu dirigindo um Toyota Corolla, na madrugada desta quarta-feira (26), já havia sido preso pela Polícia Militar sob a acusação de tráfico de drogas. A Polícia descobriu que o Corolla que ele dirigia havia sido roubado, há menos de dois meses, de uma casa do bairro Boa Esperança, na capital.

Acusado de tráfico de drogas, a prisão de Diego ocorreu há dois anos, quando os PM’s o encontraram com várias porções de drogas em um ‘mercadinho’ D.K, na Avenida Principal do Pedra 90, também na capital.

Ao ser detido, com porções de pasta-base de cocaína, Diego negou ser traficante e disse à PM que a carga que era para ‘curtir’ com os amigos.  

No entanto, na revista do estabelecimento comercial, onde ele era proprietário, foi encontrado dois quilos de ácido bórico, uma balança de precisão e petrechos usados para embalar a droga, caracterizando o crime de tráfico de drogas.

Reprodução Facebook

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Diego Kischel dirigia Corolla roubado no dia da tragédia. Ele também já havia sido preso pela PM por tráfico de drogas.

PUXANDO A CAPIVARA

Na delegacia, foi descoberto que no dia 19 deste mês, Joaci já havia sido preso, ao ser flagrado dirigindo bêbado. 

Joaci foi autuado pelo delegado Celso Renda por lesão corporal culposa (sem intenção), embriaguez ao volante e homicídio culposo. Com as autuações, ele foi encaminhado para a Penitenciária Central do Estado. 

Reprodução Facebook

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Dias antes da tragédia, Joaci já havia sido preso dirigindo embriagado.

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João Carlos 04/12/2014

As policias são sempre assim, contam qualquer historia e esta tudo certo. Neste caso só vai aparecer a verdade pq tem repercursão. Principalmente a PMMT sempre aprontam e fica valemdo a versao dela contra civis, ta na hora de acabar com isso.

1 comentários

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