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03 de Novembro de 2014, 21h:24 - A | A

POLÍCIA / MORTE NO MANSO

Empresário morto em lago estava sem colete e habilitação

KEKA WERNEK
DO TERRA



O empresário Thiago Rockenbach, de 32 anos, que morreu após desaparecer nas águas do Lago de Manso, em Chapada dos Guimarães (MT), no dia 18 de outubro, estava sem coletes salva-vidas e sem autorização para pilotar a lancha e o jet-ski, envolvidos no acidente. A informação é da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.

Estas e outras exigências para navegar constam da lei federal 9537, de 1997, que regula o tráfego aquaviário nas águas brasileiras.

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O inquérito aberto pela Marinha, após apreender a embarcação, apura, entre outras questões, se o empresário burlou a fiscalização realizada rotineiramente no posto de Manso, onde é grande o fluxo de lanchas e jet-skis, principalmente aos finais de semana.

Na opinião do comandante da Marinha em Mato Grosso, Alessandro Nonato, se ao final do inquérito ficar comprovado que ele burlou a lei, terá agido contra si mesmo.  A legislação, como destaca o comandante, é calcada em três pilares: segurança da navegação, salvaguarda da vida humana e prevenção contra a poluição hídrica.

O delegado de Chapada dos Guimarães, Diego Alex da Silva, que conduz as investigações do inquérito policial sobre o caso, ouviu as duas mulheres que estavam com o empresário, na hora do acidente, e, segundo ele, tudo indica que foi mesmo uma fatalidade, embora, de acordo com os depoimentos, só uma delas estava de coletes. As moças disseram ao delegado que o

“Tudo indica que foi um acidente igual a todos que acontecem rotineiramente no Lago de Manso. Uma semana antes, um PM também se afogou ali, sem coletes, e não houve nada na imprensa. São vários inquéritos de afogamento no local”

empresário tinha habilitação para pilotar a lancha e o jet-ski mas tinha deixado em casa.

O delegado Diego narra que por causa disso eles demoraram para entrar no Lago. “Quando foram navegar já era umas 17 horas e logo ficou escuro. Conforme apurei até agora, eles teriam se atrasado por conta dessa questão da autorização para navegar”, observa.

NAMORO A TRÊS

As duas mulheres que estavam com o empresário se consideram, ambas, namoradas dele, conforme disseram em depoimento. “Elas afirmaram que as duas eram namoradas do empresário e que elas propuseram isso em comum acordo e que todos aceitaram a situação”, explica o delegado.

Uma delas estava no jet-ski, quando se desequilibrou. Foi então que o empresário pulou na água para tentar salvá-la e sumiu.

Ainda de acordo com o delegado, “possivelmente eles foram negligentes, imprudentes, isso sem dúvida.  Mas as moças quase morreram, ficaram à deriva somente com um colete salva-vidas, das 18 horas, momento em que aconteceu o acidente, até às 22h, quando conseguiram chegar à margem. Ficaram queimadas de sol, com fome e frio. Passaram a noite à deriva também e quando amanheceu o dia viram uma embarcação ao longe e nadaram até ela, pedindo socorro, foi quando foram resgatadas”.

O tempo, no dia do acidente, mudou muito rápido no Lago de Manso. O vento forte formou ondas e uma delas teria sugado o empresário. A força da água, naquele dia, chegou a destruir um cais de madeira.

 

O delegado insiste que este caso não tem nada de excepcional e o fato de ser tratar um namoro a três não vai interferir em nada no encerramento do inquérito. “Tudo indica que foi um acidente igual a todos que acontecem rotineiramente no Lago de Manso. Uma semana antes, um PM também se afogou ali, sem coletes, e não houve nada na imprensa. São vários inquéritos de afogamento no local”, revelou o delegado, acreditando que o caso do empresário está repercutindo porque ele era rico. 

No inquérito, o delegado requisitou o exame necroscópico, que pode afirmar se houve, de fato, afogamento, embora todos os indícios apontem para isso e não para outro tipo de acidente ou crime. Ele solicitou também a perícia nas embarcações, que ainda não ficou pronta. “Então não posso assegurar se tinha ou não tinha três coletes na lancha, tudo isso será comprovado no final das investigações”.

O delegado oficiou nesta segunda-feira o comandante da Marinha, Alessandro Nonato, a ser o próximo a depor, para juntar no inquérito informações sobre a legislação aquaviária e se ela foi desrespeitada ou não. “Há uma informação, ainda não confirmada, de que o empresário conseguiu uma autorização de última hora na Marinha para navegar e que teve que dar uma declaração, mas isso ainda vou apurar”.

 

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