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14 de Dezembro de 2014, 07h:39 - A | A

OPINIÃO /

Os ciclos não são eternos

O agronegócio teve altos e baixos mas sobreviveu aos níveis atuais

ONOFRE RIBEIRO



Em 1994 surgia o ciclo do chamado agronegócio, uma derivação do termo norte-americano ‘agribusiness’ até então usado para indicar a nova agricultura empresarial de Mato Grosso. Naquele ano foram produzidas 3 milhões e meio de toneladas de soja. Um fenômeno. E o Produto Interno Bruto-PIB e as exportações, um fenômeno. Pra se ter uma ideia, em 1995 o governador Dante de Oliveira tomava posse lamentando que Mato Grosso alcançava 0,7% do PIB brasileiro, e a população pouco mais de 2 milhões de habitantes.
O agronegócio teve altos e baixos, como o de 2005 quando praticamente quebrou por questões cambiais, mas sobreviveu aos níveis atuais. Hoje alcançou estágios que não tem mais retorno, mas se esgotará dentro de poucos anos, porque produzir em Mato Grosso é muito arriscado. População pequena, grandes distâncias, custos mais altos pela distância, logística ruim, falta de recursos humanos adequados, e a complexidade tributária do estado. Mas outro fator contribui e contribuirá fortemente para o esgotamento do agronegócio como a grande fonte da riqueza econômica: a não geração de impostos diretos, por conta da isenção da Lei Kandir, que isenta de ICMS a produção primária destinada à exportação.
Quanto mais se produz, mais investimentos públicos estaduais. O fundo de compensação da Lei Kandir nunca é respeitado pelo governo federal. Os empregos gerados em Mato Grosso pelo agronegócio são de boa qualidade, mas piores do que aqueles gerados no Sul e Sudeste para onde vai boa parte da produção primária. Os impostos da agregação de valor ficam lá. Sem contar os países importadores, que compram commodities brutas e lá industrializam, ficando com bons empregos, maiores impostos e a tecnologia.
Por isso, o ciclo do agronegócio não se sustentará por muito tempo mais, se não agregar a industrialização. Isso pede planificação das políticas de governo estadual com objetivo específico de industrializar aqui e agregar as vantagens sociais e econômicas. Será uma pena, se amanhã ou depois o ciclo se esgotar, não ter deixado riquezas coletivas e sociais, e não se ter o plano B pro vácuo. Mais do que gerir, a próxima gestão estadual deverá planejar o futuro sob a ótica que o governo é o indutor do desenvolvimento.
Na atualidade, induzir significa planejar a curto, médio e longo prazos um futuro no mundo em que os alimentos serão a nova moeda. O próximo ciclo poderá ser virtuoso se planejado. Ou destrutivo, se não planejado! Os ciclos não são eternos.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

E-mail:[email protected] www.onofreribeiro.com.br

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