facebook-icon-color.png instagram-icon-color.png youtube-icon-color.png tiktok-icon-color.png
Cuiabá, 05 de Junho de 2026
05 de Junho de 2026

12 de Março de 2022, 09h:49 - A | A

OPINIÃO / SUELME FERNANDES

O xadrez do governador



O governador começa a sinalizar os caminhos da construção de sua chapa de reeleição.

Tem dois pontos centrais nesta composição que passam por duas posições estratégicas na sua chapa executiva: o senador e o vice-governador. 

Obviamente, por ser apenas uma vaga ao Senado em disputa, o nível de estresse político geral tem subido muito entre os concorrentes e seus apoiadores. No seu menu, o governador tem pelo menos duas opções: Neri Geller e Wellington Fagundes.  

A indefinição dessa chapa por parte de Mauro Mendes aumenta a insegurança dos postulantes. Muitos analistas afirmam que essas escolhas no tabuleiro de senador e vice já garante de antemão a reeleição do governador. Será? 

É óbvio que se o governador não tivesse uma perspectiva forte de reeleição nenhum dos dois almejaria este casamento. 

Não necessariamente a escolha de Mendes de um dos dois nubentes levaria a desistência imediata dos concorrentes pois os dois podem ser concomitantemente candidato na mesma chapa de governador. Nada impede.    

Um movimento errado pode também causar o surgimento de uma candidatura nova ao governo. Pelo menos são essas as ameaças ou os riscos possíveis. 

É improvável que ambos abandonem o barco como ameaçam fazer, pois existem chances possíveis que atendam a todos depois do martelo batido.  

As possibilidades de um plano B ao atual governador que surja dessa conjuntura, além de não ter consistência enquanto projeto político de oposição parecerá mais casuísmo eleitoreiro.  

Ou alguém acredita que ambos pré-candidatos ao senado topariam compor chapa ao lado do combalido Emanuel Pinheiro na disputa para Governador? Ou sequer acredita nessa candidatura?    

Wellington Fagundes tem como trunfo a carta de Bolsonaro, o grande cabo eleitoral de Mato Grosso, e Neri Geller tem Blairo Maggi, grande influencer da política mato-grossense que inaugurou a entrada do agronegócio no poder.   

Enquanto “a noiva” no altar não diz sim e se bem conheço, vai postergar até quando não poder mais, porque está confortável nas pesquisas eleitorais e na avaliação da gestão. Resta aos nubentes expressarem suas angústias e incertezas num mise-en-scéne infinito, verdadeiro teatro de sombras entre verdades e mentiras que engana a plateia. Em política nem tudo que se vê ou que parece ser é a realidade em si. É preciso aprender a ler os sinais. 

Na contramão de tudo têm partidos apostando numa candidatura de fora do agronegócio ou do poder, para fazer o contraponto aos candidatos mais tradicionais. A conferir! 

Com relação ao cargo de Vice-Governador: segunda equação política a ser resolvida existem várias possibilidades e nomes: ordem: Pivetta, Cidinho, Neri (caso não seja senador), Max e Janaína Riva. Diz a gíria da política que vice-governador se escolhe de véspera de convenção. Nem sempre!  

Esse cargo de Vice tornou-se importante porque, pois, em tese, o eleito pode tornar-se governador, caso Mauro Mendes - depois de reeleito, renuncie seu mandato para candidatar-se ao Senado em 2026. E seu sucessor pode disputar as próximas eleições de governador sentado na máquina pública, como se diz.  

Existe sempre alguém enxergando no mínimo 3 casas a frente no tabuleiro. Mas Mauro Mendes só joga uma casa do xadrez por vez.   

Porém, na lógica contrária, Mendes pode simplesmente não concorrer ao Senado e terminar o governo nos 4 anos regulamentares tentando mitificar sua imagem como grande governador. Julgo essa hipótese bastante provável inclusive, pelo pouco que conheço dele.   

Foi comum no passado alguns políticos anteciparem as eleições anos antes do pleito, através dos chamados acordões, falarem bravatas e turrarem aos quatro cantos do Estado quem serão seus sucessores sem considerar que existem eleições. 

Essa postura açodada e de pressão para as decisões eleitorais extemporâneas no arrepio da lei tem como objetivo claro de aparelhar e facilitar uso político eleitoral das administrações públicas.  

O governador pensa e age diferente quando não anuncia suas decisões, preservando a administração pública de seus infortúnios. Estamos ainda a 8 meses das eleições.  

A esse pretexto também ganha mais tempo para pensar o jogo, segurando a trama do xadrez e diminui o tempo para um contragolpe e revides de suas escolhas.   

E tem mais, ao observar friamente a movimentação dos demais pretendentes a troca de alianças no altar, o governador vai conhecendo os perfis dos seus aliados, traições, conspirações e os que são leais de fato para repactuar sua base e melhor escolher suas parcerias.  

Além do que tem “a rua” da opinião pública, pode se dar ao luxo de deixar os pretendentes no altar esperando.  

Como o prazo final para decisão e convenções é mês de junho, ainda tem muita água para passar debaixo dessa ponte e se eu bem conheço o modelo mental do governador, ficará tudo para mais tarde.  

Quem conspirar e chantagear com joguinhos encenados de pressão, só piorará suas expectativas de alianças. 

Aos afoitos, resta uma sugestão: vá até a capela mais próxima e acenda uma vela para Santo Expedito. 

Suelme Fernandes é historiador e deputado estadual.

>>> Siga a gente no Twitter e fique bem informado

Comente esta notícia