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Cuiabá, 14 de Julho de 2024
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30 de Outubro de 2017, 08h:14 - A | A

OPINIÃO / ROSANA LEITE

Como ajudar?

O apoio à mulher é primordial para que haja o entendimento de que não se encontra sozinha



Os abusos e assédios no ambiente de trabalho ocorrem com frequência, sendo vilões de algumas mulheres.

O problema da crise, desemprego, dificuldade de qualificação e capacitação ainda são motivos para a tolerância com tamanha gravidade.

É visível a ocorrência de situações, muitas vezes velada, onde o superior hierárquico pronuncia palavras e frases de duplo sentido, confundindo a vítima. Até que a mulher perceba que o acontecido não é algo "da sua cabeça" já foi exposta a inúmeros constrangimentos.

Existe a "cultura do silêncio" que oprime o gênero feminino. A dúvida de que se cuida de agressão, faz com que o assediador ganhe forças para continuar agindo.

O escândalo mostrado mundialmente quanto aos abusos sexuais cometidos pelo produtor de Hollywood Harvey Weinstein, conhecido como um "segredo calado", descortina a perpetuação por anos.

As atrizes não queriam acreditar que estavam sujeitas ao relacionamento abusivo do profissional. No ano de 2013, quando anunciava as atrizes coadjuvantes indicadas ao Oscar, o ator Seth MacFarlane desferiu a seguinte frase: "Parabéns, vocês cinco já não têm mais que fingir se sentirem atraídas por Harvey Weinstein.".

Nem com a frase do citado ator, as pessoas se deram conta de que mulheres em contato com o produtor estariam sendo vítimas de assédios sexuais. E, curiosamente, as risadas ecoaram, sem dar lugar à preocupação necessária.

O primeiro passo é a vítima não entender se cuidar de situação imaginária. Pelo mundo patriarcal em que vivemos, é senso comum pensar que a única forma de elogiar mulheres é tecer comentários sobre o corpo.

Em reuniões presididas por homens e com maior participação feminina, não raro o comentário é o seguinte: "Essa reunião está linda!".

A sensação é de absoluta impotência. A normatização é tanta, que algumas mulheres entendem se tratar de "regras do jogo". Entretanto, não o é!

Quem pretende ajudar, deve prestar a atenção no que acontece à sua volta. A vítima mostra sinais de sofrimento com as atitudes do agressor. Às vezes, o que aparentemente é um gesto de carinho ou brincadeira, pode ser relacionamento abusivo no ambiente de trabalho.

Questionar a vítima se ela concorda com as circunstâncias que vem passando é o primeiro passo. É possível perceber a relação interpessoal problemática, quando as mulheres começam a mudar o jeito de ser.

Algumas passam a preocupar com a forma de vestir, agindo com maior cautela. Outras enfrentam a tristeza profunda, principalmente quando precisam estar próximas ao assediador.

A chefe Global da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, mencionou a dor e a raiva de milhões de mulheres que postaram nas últimas semanas nas redes sociais mensagens com a hashtag #EuTambém.

Relatos de violência sexual tomaram conta, reforçando as experiências individuais acumuladas e não declaradas.

Segundo ela: "O que estamos vendo atualmente, enquanto as mulheres constroem e reforçam os relatos umas das outras, e enquanto os homens se unem para ter consciência de seu papel, é uma validação da capacidade de ter voz".

A vítima deve reagir mostrando que não está tranquila com a forma que vem sendo tratada. Se o assédio acontece por qualquer meio, deve haver, por parte dela, a reação imediata.

O Instituto Mulher concluiu que, de todas as opções possíveis, a mais acertada e eficaz é a ação.

Se estiver sendo assediada, a mulher deve levar ao conhecimento dos superiores, ou quem faça as vezes. Em havendo comissão para apurar essas discriminações, é preciso acionar.

O apoio à mulher é primordial para que haja o entendimento de que não se encontra sozinha, ganhando forças para agir.

O desencorajar pode desencadear o temor em buscar a saída, e, aumentar o sofrimento.

O agressor, muitas vezes, só consegue parar, conhecendo, de perto, os rigores da lei.

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual em Mato Grosso.

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