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04 de Dezembro de 2016, 08h:00 - A | A

GERAL / MAL DO SÉCULO

Depressão não tratada pode se tornar Alzheimer ou melancolia permanente; veja vídeo

A psicóloga Fernanda Cristina Borges afirma que casos estudados por ela, apontam que se não tratada a depressão pode ficar "encubada" e manifestar na velhice. Ela lembra destaca que a atenção de familiares e amigos é fundamental para evitar o suicídio.

CELLY SILVA
DA REDAÇÃO



Em entrevista ao , a psicóloga e psicanalista Fernanda Cristina Borges aborda a importância da atenção de familiares e amigos para identificar os casos de depresão.

Ela apontou a necessidade de tratamento para evitar que o caso possa refletir futuramente, contibuindo para outra doença, como o Alzheimer.

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"Na velhice, isso vem como Alzheimer. A grosso modo, o Alzheimer é o esquecimento. E o que é a depressão? É a vontade de não lembrar de tudo o que está acontecendo", observa.

Fernanda disse que tem estudado casos que indicam que, se prolongada, a depressão também pode se transformar em estado permanente de melancolia.

“Se eu tiver uma depressão na minha vida e não fiz tratamento, não procurei ajuda, não fiz a cura, ficou lá encubado. Na velhice, isso vem como Alzheimer. A grosso modo, o Alzheimer é o esquecimento. E o que é a depressão? É a vontade de não lembrar de tudo o que está acontecendo. É a vontade de dormir para sempre, esquecer tudo, fugir, sumir. No Alzheimer já é real, vira uma doença muito mais grave porque não tem cura”, afirma.

Ainda tratada com preconceito por muitas pessoas, que minimizam os momentos de dificuldades emocionais de amigos e familiares, a depressão é uma doença psicológica, que surge a partir de múltiplas causas, dependendo da estrutura de cada um.

“É uma coisa que a pessoa precisa ter e sentir para saber que não é frescura", destaca a pisóloga Fernanda Cristina.

 

Fernanda explica que cada caso “é muito subjetivo porque cada um tem um momento e uma forma de encarar a vida”. Ela também afirma que os aspectos sociais e financeiros das pessoas também podem interferir na forma como elas enfrentam os problemas que surgem.

No entanto, a forma banal e pejorativa com que os casos são tratados por aqueles que convivem com a vítima, geralmente, demonstram falta de empatia. “É uma coisa que a pessoa precisa ter e sentir para saber que não é frescura. A gente precisa ter um discernimento de que existem doenças. As pessoas levam como banal. E é real, existem doenças psicológicas”, disse em entrevista ao .

“Hoje em dia, já é um nível muito alto de depressão porque para a pessoa se suicidar, ela já vem há anos sofrendo”, diz Fernanda.

A psicóloga ressalta que as pessoas só começaram a se conscientizar mais sobre a depressão em meados dos anos 2000, quando a doença passou a ser considerada o “mal do século 21” e quando os meios de comunicação começam a abordar mais o assunto.

Mesmo com mais informação, poucos buscam tratamento adequado, o que transforma a doença em algo que a vítima não consegue suportar, levando, por exemplo, ao suicídio, conforme tem sido amplamente veiculado sobre casos recentes. “Hoje em dia, já é um nível muito alto de depressão porque para a pessoa se suicidar, ela já vem há anos sofrendo”, diz Fernanda.

Observar frases como: “Minha vida acabou”, “Minha vida não faz mais sentido”, “Tudo está ruim”, “Não tenho mais vontade de viver”, é primordial para conseguir ajudar a pessoa que sofre de depressão, antes que o suicídio ocorra.

Segundo a psicóloga, quem sofre desse mal nem sempre procura ajuda, por isso é necessário ter atenção com as mensagens que possam indicar a depressão. “As pessoas falam. A pessoa pode até ser mais calada cotidianamente, mas para quem convive, uma frase ele solta”.

“As pessoas falam. A pessoa pode até ser mais calada cotidianamente, mas para quem convive, uma frase ele solta”.

Fernanda Borges também orienta a família e os amigos a observarem as mudanças de hábitos e comportamentos, por exemplo, quando a pessoa para de querer comer aquela comida que tanto gosta, prefere ficar isolada, para de fazer o que tem como atividade de lazer. Nesses casos, a especialista diz que não tem problema algum em tomar uma atitude e marcar uma consulta para o amigo ou parente que está precisando e acompanhá-lo na primeira ida ao psicólogo. “Tem que ter muito apoio da família”, diz Fernanda.

Ela também orienta que as pessoas sejam mais compreensivas, diminuam as pressões e cobranças e passem a estimular mais a pessoa com depressão a se sentir bem. Isso porque, muitas vezes, a depressão surge a partir da frustração em não conseguir atender às expectativas dos outros. “A pessoa não se enxerga em primeiro lugar”, comenta.

“É um passo de cada vez. Na terapia, a gente ajuda nesse dia após dia, o que ele vai fazer, leva tarefa para casa, é bem legal”, explica.

Chamar para atividades em grupo, de lazer e até mesmo religiosas podem ajudar quem sofre de depressão a se sentir melhor, mas a terapia é indispensável, avalia Fernanda Borges. Nas sessões, a psicóloga explica que o profissional se coloca a disposição para ouvir o que a pessoa quiser falar e, a partir daí, começa a trilhar um caminho junto com o paciente, na busca para a mudança. “Eu sigo um caminho junto ela”, diz Fernanda.

A terapia também propõe que a pessoa aprenda a se valorizar nas pequenas coisas, muitas vezes consideradas insignificantes para alguns, mas que, para quem não sente vontade de fazer nada representa um grande esforço. “É um passo de cada vez. Na terapia, a gente ajuda nesse dia após dia, o que ele vai fazer, leva tarefa para casa, é bem legal”, explica.

 

Confira a entrevista com a psicóloga Fernanda Cristina Borges: 

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Regina Lúcia Araujo 04/12/2016

Otima as informações que nos escalarem sobre as doenças Depressão é Alzhaimer e as formas de tratamento e procedimento das famílias

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